Horizonte Europa

O que é este concurso

O tópico HORIZON-CL6-2027-01-CIRCBIO-07 integra a chamada anual única de 2027 do Cluster 6 do Horizonte Europa, dedicada à bioeconomia circular. Abre a 20 de abril de 2027 e encerra a 22 de setembro do mesmo ano. As atividades devem atingir o TRL 6-8 no final do projeto, o que coloca este tópico claramente no terreno da demonstração próxima do mercado, e não apenas da investigação fundamental.

O ponto de partida é um desperdício. Os biorresíduos representam um recurso de biomassa vasto e subaproveitado, com elevado potencial de valorização. As empresas enfrentam uma procura crescente de biomassa que tarda em ser satisfeita, enquanto fluxos de resíduos orgânicos, perdas alimentares e resíduos biogénicos industriais acabam em aterro ou incineração. O concurso financia soluções que aumentem a eficiência na recolha, processamento e uso de biomassa primária e secundária, protegendo ecossistemas e biodiversidade e reduzindo emissões.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

É um instrumento de transição para a economia circular com forte componente de aplicação prática. Os atores públicos e privados que agregam, pré-tratam e normalizam fluxos de biomassa estão no centro da solução, e é a esses que o tópico se dirige.

  • Sustentabilidade, energia e clima: reduzir emissões de gases com efeito de estufa e poluição ao evitar a deposição em aterro e a incineração de biorresíduos, valorizando perdas e desperdício alimentar e resíduos industriais biogénicos em linha com a Estratégia da UE para a Bioeconomia e as Diretivas de Resíduos e de Aterros.
  • Investimento produtivo: testar e demonstrar inovações tecnológicas para agregação, pré-tratamento e normalização de biomassa e desenvolver modelos de negócio e plataformas que ligam oferta e procura, com atenção especial às PME que precisam de apoio à decisão de investimento.
Âmbito

O que os projetos devem desenvolver

As propostas devem cobrir todas as seguintes atividades:

  • Estudar e otimizar modelos de negócio para a agregação, pré-tratamento, normalização e valorização primária de recursos de biomassa subaproveitados, incluindo biorresíduos e resíduos biogénicos da produção primária e industrial.
  • Envolver os governos locais para criar casos de negócio convincentes e demonstrar boas práticas que evidenciem os benefícios ambientais, sociais e económicos da valorização de biorresíduos.
  • Apoiar atores locais, regionais e nacionais e desenvolver ou reforçar plataformas, pelo menos cinco, que liguem fornecedores e utilizadores de biomassa em meios urbanos e rurais.
  • Mapear e estudar diferentes tipos de plataformas, incluindo mercados digitais, que cruzam oferta e procura de biomassa em contexto local, regional e europeu.
  • Desenvolver ferramentas e abordagens inovadoras para otimizar a recolha, o processamento e a logística de biorresíduos, explorando soluções digitais para melhorar a rastreabilidade e a gestão dos fluxos.

As propostas devem dar particular atenção a regiões onde a biomassa não é plenamente valorizada, como a Europa Central e de Leste, a Ucrânia e outros países candidatos, e seguir a abordagem multiator, envolvendo produtores primários, indústria, autoridades regionais e locais e instituições de investigação.

Maturidade tecnológica

Onde chega o projeto

6-8
TRL alvo no fim do projeto
5+
Plataformas a criar ou reforçar
Multi
Abordagem multiator obrigatória

O alvo de TRL 6-8 é o sinal mais importante deste tópico para uma empresa. Significa demonstração em ambiente operacional e validação próxima do mercado, com modelos de negócio reais e soluções tecnológicas testadas. É o ponto da bioeconomia em que a investigação se aproxima da exploração comercial, o que torna a participação empresarial particularmente relevante.

Quem pode candidatar-se

Perfil dos beneficiários

Candidatam-se consórcios transnacionais com entidades de Estados-Membros e Países Associados. O perfil ideal combina empresas de gestão e valorização de resíduos, indústria de transformação biológica e bioprodutos, operadores de logística, autoridades e municípios responsáveis pela recolha de biorresíduos, mais centros de investigação. PME tecnológicas com soluções de rastreabilidade, mercados digitais e otimização logística têm aqui um lugar natural, dado o peso que o tópico dá às plataformas e às ferramentas digitais.

Cooperação e enquadramento
As propostas devem articular-se com iniciativas como o Centro de Conhecimento para a Bioeconomia da Comissão, a Empresa Comum Circular Bio-based Europe, a Plataforma Europeia de Partes Interessadas da Economia Circular, a Nova Bauhaus Europeia e a iniciativa BIOEAST, além da Plataforma da UE sobre Perdas e Desperdício Alimentar.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Entre os tópicos da chamada, este é dos mais próximos da realidade empresarial. O alvo de TRL 6-8, o foco em modelos de negócio e a centralidade das plataformas que ligam oferta e procura tornam-no atrativo para empresas que já operam na gestão de resíduos, na bioeconomia ou na logística. Não é ciência a montante: é demonstração com casos de negócio, financiada por fundo perdido.

Para uma empresa portuguesa do setor, há dois caminhos de valor. Um é trazer a operação real, recolha, pré-tratamento e valorização de biorresíduos, como sítio de demonstração do projeto. Outro é fornecer a camada digital, rastreabilidade e mercados que cruzam fluxos de biomassa, uma área onde as PME tecnológicas portuguesas são competitivas. Em qualquer dos casos, a articulação com municípios é um trunfo, porque o tópico exige o envolvimento dos governos locais.

A recomendação prática é mapear cedo os parceiros e a operação a demonstrar. A abertura ocorre em abril de 2027 e a chamada é de ronda única, o que recompensa quem prepara com antecedência. Empresas com ativos reais de valorização de biomassa devem posicionar-se enquanto os consórcios se formam, porque a procura por casos concretos de demonstração é alta e o número de lugares é limitado.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]