O que é este concurso
O tópico HORIZON-CL6-2027-01-ZEROPOLLUTION-03 é uma ação de investigação e inovação (Research and Innovation Action) do Cluster 6 do Horizonte Europa, dentro da chamada anual única de 2027. Abre a 20 de abril de 2027 e encerra a 22 de setembro do mesmo ano.
O ponto de partida é uma lacuna prática. A agricultura europeia contribui de forma substancial para a poluição atmosférica através de várias emissões, mas faltam dados fiáveis sobre o impacto e a eficácia das medidas de mitigação ao nível da exploração. Faltam soluções práticas para os agricultores monitorizarem e reduzirem estes poluentes. O concurso financia investigação que melhore a monitorização, o relato e a verificação destas emissões e que desenvolva práticas e tecnologias para as reduzir, com benefícios para a saúde humana, o ambiente e a biodiversidade.
Necessidades que este instrumento resolve
O instrumento liga a ciência agrária à agenda da poluição zero, com foco na medição rigorosa e na adoção de práticas no terreno. Procura resultados utilizáveis por agricultores, consultores e autoridades e não apenas evidência académica.
- Sustentabilidade, energia e clima: reduzir os poluentes atmosféricos da agricultura para diminuir o impacto na saúde e na biodiversidade, em apoio ao Plano de Ação para a Poluição Zero, à Diretiva das Emissões Industriais e Pecuárias e à Diretiva dos Compromissos Nacionais de Redução das Emissões.
- I&D e ciência: melhorar a precisão, o custo e a facilidade de uso das metodologias de monitorização, relato e verificação, recorrendo a inteligência artificial e Internet das Coisas, consolidando o conhecimento sobre fatores de emissão e potencial de mitigação das práticas agrícolas.
O que os projetos devem desenvolver
As propostas devem contribuir para um conjunto de resultados centrados na medição e na redução das emissões ao nível da exploração. O regulamento aponta as seguintes linhas de trabalho:
- Avaliar e melhorar a precisão, o custo, a eficiência e a usabilidade das metodologias e ferramentas de monitorização, relato e verificação dos poluentes atmosféricos, para além dos gases com efeito de estufa, através de análise, experiências de campo e demonstração.
- Consolidar e melhorar o conhecimento sobre fatores de emissão e potencial de mitigação das práticas, contribuindo para o guia de inventário de emissões da Agência Europeia do Ambiente.
- Desenvolver práticas e tecnologias na gestão e aplicação de estrume, alimentação e pastoreio do gado e uso de fertilizantes e pesticidas, em todos os tipos relevantes de sistemas agrícolas.
- Construir capacidade junto de agricultores, consultores e outros atores através de formação e divulgação dedicadas, para uma utilização generalizada das ferramentas e medidas melhoradas.
As propostas têm de implementar a abordagem multiator, com um consórcio que combine de forma equilibrada agricultores, investigadores, consultores e empresas. Os dados e metodologias produzidos devem seguir os princípios FAIR, ou seja, ser localizáveis, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis. As atividades devem atingir um nível de maturidade tecnológica TRL 4-5 no final do projeto.
Pontos-chave para enquadrar a candidatura
Por ser uma RIA, o financiamento da Comissão cobre 100% dos custos elegíveis, sob a forma de montante fixo. A abordagem multiator é condição de elegibilidade. Os tópicos comparáveis desta chamada do Cluster 6 situam-se na ordem das duas subvenções por tópico, com projetos de vários milhões de euros. O número exato de subvenções e a dotação do tópico constam do programa de trabalho.
Perfil dos beneficiários
Candidatam-se consórcios transnacionais com entidades de Estados-Membros e Países Associados. A abordagem multiator define o perfil, que combina institutos de investigação agrária e ambiental, universidades, empresas de tecnologia de monitorização e de equipamento agrícola, entidades de aconselhamento, organizações de agricultores e as próprias explorações. As empresas de sensores, software de gestão agrícola e soluções de medição de emissões têm aqui um papel central, pela componente tecnológica do tópico.
O que recomendamos
Este é um dos tópicos do Cluster 6 com maior abertura à tecnologia e ao mundo agrícola real. A exigência da abordagem multiator e a componente forte de medição e demonstração criam espaço para empresas de sensores, monitorização ambiental e software agrícola entrarem como parceiros técnicos e não apenas como destinatários dos resultados.
Para uma empresa portuguesa de agritech, a leitura estratégica é direta. Se já desenvolve soluções de medição, gestão de estrume ou otimização do uso de fertilizantes, este concurso valida e financia esse trabalho a 100% enquanto reforça a sua posição em redes europeias. O nível de maturidade tecnológica TRL 4-5 indica um tópico de validação em ambiente relevante, o estágio em que uma solução ganha as referências necessárias para escalar mais tarde.
A recomendação prática é começar pela identificação do consórcio e das explorações de demonstração. A chamada abre em abril de 2027 e é de ronda única. O peso da abordagem multiator significa que sem agricultores e entidades de aconselhamento no consórcio a proposta dificilmente é competitiva. Quem traz tecnologia madura e capacidade de a testar no terreno chega à mesa com o ativo que os grupos de investigação procuram.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]