O que é este concurso
O tópico HORIZON-CL6-2027-01-ZEROPOLLUTION-02 é uma ação de investigação e inovação (Research and Innovation Action) do Cluster 6 do Horizonte Europa, integrada na chamada anual única de 2027. Abre a 20 de abril de 2027 e encerra a 22 de setembro do mesmo ano.
O problema é de saúde pública. O ar que respiramos está muitas vezes poluído, com efeitos graves e até mortes prematuras. Para agir é preciso compreender como os poluentes se movem e interagem a diferentes escalas, da região à rua, e em diferentes períodos do dia e do ano. Os modelos atuais têm limitações, sobretudo na resolução das grelhas e na capacidade de captar as interações entre escalas. O concurso financia o desenvolvimento de uma cadeia de modelos integrados e inovadores, relativamente fáceis de usar e interpretar, que apoiem estratégias de planeamento da qualidade do ar a vários níveis.
Necessidades que este instrumento resolve
É um instrumento que junta capacidade científica e tecnológica ao serviço da decisão pública e da saúde. O seu produto são modelos e orientações que as autoridades usam para reduzir a poluição e proteger as populações.
- I&D e ciência: desenvolver cadeias de modelação multiescala com capacidade de aninhamento, melhorar a parametrização do dossel urbano e validar sistemas de micro-escala de altíssima resolução para avaliar medidas em pontos críticos de poluição.
- Sustentabilidade, energia e clima: apoiar a Diretiva revista da Qualidade do Ar Ambiente, designadamente os Roteiros e Planos de Qualidade do Ar e o desenho das redes de monitorização, com foco na redução da exposição da população e dos grupos mais vulneráveis.
O que os projetos devem desenvolver
As propostas devem cobrir um conjunto articulado de desenvolvimentos técnicos:
- Desenvolver cadeias de modelação multiescala, possivelmente com capacidade de aninhamento bidirecional, abrangendo a representatividade espacial e temporal e os processos atmosféricos da poluição.
- Incorporar e melhorar a parametrização do dossel urbano, considerando o papel da vegetação urbana na mitigação ou na formação e acumulação de poluentes, com ênfase nos de maior impacto na saúde.
- Analisar as limitações atuais na integração de diferentes modelos e escalas e desenvolver métodos para as melhorar e integrar num único sistema.
- Desenvolver, configurar e validar sistemas de modelação de micro-escala em altíssima resolução para avaliar o impacto de medidas em pontos críticos.
- Fornecer orientações de modelação que apoiem a decisão e harmonizem os diferentes tipos de modelos num sistema integrado.
As propostas devem considerar a dimensão da vulnerabilidade, dado que crianças, idosos, mulheres, pessoas com menor estatuto socioeconómico e pessoas com condições de saúde subjacentes são desproporcionalmente afetadas pela poluição. Os dados produzidos devem seguir os princípios FAIR, ou seja, encontráveis, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis.
Onde começa e onde chega o projeto
As atividades arrancam no TRL 2 e devem atingir o TRL 5 no final do projeto, ou seja, validação em ambiente relevante. O financiamento da Comissão cobre 100% dos custos elegíveis. O tópico integra a iniciativa CE-ESA de Ciência do Sistema Terrestre, prevê articulação com as comunidades AQUILA e FAIRMODE e abre caminho a uma eventual transição dos resultados para o serviço Copernicus de monitorização da atmosfera. O Centro Comum de Investigação da Comissão pode integrar o consórcio.
Perfil dos beneficiários
Candidatam-se consórcios transnacionais com entidades de Estados-Membros e Países Associados. Aqui o perfil tecnológico pesa: grupos de investigação atmosférica e ambiental, universidades, centros de modelação e meteorologia, autoridades de qualidade do ar e empresas tecnológicas com competências em modelação numérica, computação de alto desempenho, sensorização e tratamento de grandes volumes de dados. Empresas de software ambiental e de serviços de dados encontram neste tópico um encaixe natural enquanto parceiros técnicos do consórcio.
O que recomendamos
De todos os tópicos da chamada, este é dos que mais espaço dá a empresas tecnológicas. A modelação atmosférica, a computação de alto desempenho e os serviços de dados são competências em que o setor privado tem peso real, e não apenas papel de comparsa académico. Para uma empresa portuguesa de software ambiental ou de ciência de dados, é uma porta de entrada credível num consórcio Horizonte Europa, financiada a 100%.
A ligação a programas como o Copernicus e a comunidades de referência da qualidade do ar acrescenta valor estratégico além do financiamento. Quem entra neste tópico posiciona-se numa cadeia europeia de serviços ambientais com procura crescente por parte de autoridades públicas, o que pode abrir negócio para lá do projeto financiado.
A recomendação prática é avaliar cedo o encaixe técnico e procurar consórcios liderados por grupos de modelação atmosférica consolidados. A abertura ocorre em abril de 2027 e a chamada é de ronda única, pelo que a preparação deve começar com antecedência. Para empresas sem experiência prévia em projetos europeus de investigação, vale a pena entrar primeiro como parceiro técnico focado e construir track record antes de ambicionar coordenação.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]