O que é

Um concurso para a agricultura de precisão na linha da frente da água

O tópico FARM2FORK-01 integra o Cluster 6 do Horizonte Europa, o pilar do programa-quadro europeu dedicado à alimentação, bioeconomia, recursos naturais, agricultura e ambiente. Insere-se no destino "Sistemas alimentares justos, saudáveis e amigos do ambiente, da produção primária ao consumo" e responde a um problema cada vez mais material para o produtor: como manter a produção quando a água e os nutrientes escasseiam, sem agravar a poluição do solo, do ar e da água.

A resposta proposta é tecnológica. O concurso financia o desenvolvimento e o teste de sensores, sistemas de monitorização e ferramentas de apoio à decisão baseadas em inteligência artificial que permitam ao agricultor gerir com precisão a aplicação de água e de fertilizantes azotados e fosfatados. O objetivo último é duplo: tornar a exploração mais resiliente às alterações climáticas e reduzir a dependência europeia de fertilizantes minerais, preservando ao mesmo tempo a biodiversidade.

Trata-se de uma ação de Investigação e Inovação (RIA), o que coloca o foco na geração de conhecimento e na maturação tecnológica. As atividades devem atingir um nível de maturidade tecnológica (TRL) entre 4 e 5 até ao final do projeto, ou seja, a validação de tecnologia em ambiente laboratorial e relevante, não ainda a comercialização.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O FARM2FORK-01 cruza três necessidades que raramente aparecem juntas no mesmo instrumento: avançar o conhecimento científico, traduzi-lo em ferramentas digitais úteis e fazê-lo ao serviço da resiliência climática da agricultura. É esse cruzamento que define o perfil de candidato adequado.

  • I&D e ciência: o concurso financia a investigação sobre as interações complexas entre planta, solo, água, ar e nutrientes em diferentes regiões pedoclimáticas, incluindo a criação de conjuntos de dados de elevada qualidade para treino de modelos.
  • Digitalização e inteligência artificial: o núcleo do projeto é o desenvolvimento de dispositivos de monitorização e de sistemas de apoio à decisão habilitados por IA, integráveis em sistemas de gestão da exploração agrícola (FMIS) e acessíveis a agricultores com baixa conectividade ou literacia digital.
  • Sustentabilidade, energia e clima: toda a lógica do instrumento serve a adaptação climática, a redução da poluição da água e do solo e a diminuição do recurso a fertilizantes minerais, em linha com a Estratégia Europeia de Resiliência Hídrica.
Dotação e regras

Quanto vale e como está estruturado

O tópico tem uma dotação indicativa de €12 milhões para 2027, repartida por dois projetos esperados de cerca de €6 milhões cada. O financiamento assume a forma de montante fixo (lump sum), um modelo em que o orçamento é definido à partida por pacotes de trabalho e o pagamento depende da execução, não da prestação de contas de cada custo individual. Para consórcios habituados ao reporte tradicional de custos, esta diferença é relevante e exige rigor no desenho do plano de trabalho.

€12M
Dotação 2027
2
Projetos esperados
4-5
TRL alvo

A taxa de financiamento das ações RIA no Horizonte Europa é de 100% dos custos elegíveis, o que significa que o orçamento aprovado é integralmente comparticipado. O concurso abre a 20 de abril de 2027 e tem prazo único de submissão a 23 de setembro de 2027.

Abordagem multi-ator obrigatória
As propostas têm de aplicar a abordagem multi-ator, com um consórcio equilibrado que reúna agricultores, investigadores, conselheiros, fornecedores de tecnologia e parceiros de negócio. A inclusão de competências em ciências sociais e humanas (SSH) é exigida. Pelo menos um dos sistemas agrícolas abordados deve ser a agricultura biológica.
Para que tipo de entidade

Quem pode candidatar-se

Como em qualquer ação colaborativa do Horizonte Europa, a candidatura é feita por consórcio e não por entidade isolada. As regras gerais exigem um mínimo de três entidades jurídicas independentes de três Estados-Membros ou países associados diferentes. O perfil de participante é alargado: universidades e centros de investigação, empresas de tecnologia agrícola e de software, organizações de agricultores, entidades públicas e associações setoriais.

Para o tecido empresarial português, o ângulo mais interessante está na agricultura de precisão e nas tecnologias de dados. Empresas nacionais com soluções de sensorização, internet das coisas aplicada ao campo, gestão de rega ou plataformas de apoio à decisão encontram aqui um veículo para validar a sua tecnologia em ambiente real e em diferentes contextos pedoclimáticos europeus, ao lado de parceiros científicos. A elegibilidade é transversal a todo o território nacional, sem restrições regionais ou de código de atividade.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este é um tópico de nicho com elevada exigência técnica e científica. Não é um instrumento para quem procura financiar a aquisição de equipamento ou a modernização de uma exploração, para isso existem os incentivos do Portugal 2030 e da PEPAC. É um concurso de investigação aplicada. O sucesso depende mais da qualidade do consórcio e da solidez metodológica do que da dimensão da empresa candidata.

A nossa leitura é que uma empresa portuguesa raramente deve liderar uma candidatura desta natureza de forma isolada. O caminho realista passa por integrar um consórcio europeu já em formação, idealmente liderado por um centro de investigação com historial em projetos da agricultura de dados, contribuindo com a componente tecnológica ou de demonstração em terreno nacional. O facto de o concurso só abrir em abril de 2027 dá margem para construir essas parcerias com antecedência, que é precisamente onde se decide a maioria das candidaturas vencedoras. O erro mais comum é começar a procurar parceiros depois de o concurso abrir, quando os melhores consórcios já estão fechados.

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