Investigação na nova geracao de reactores nucleares
O topic HORIZON-EURATOM-2026-01-02 esta inserido na call Nuclear research and training do programa Euratom 2026-2027. E uma Innovation Action focada em duas tecnologias chave para a evolucao do nuclear como peca da transição energética: Small Modular Reactors light water (LW-SMRs) e Advanced Modular Reactors da Geracao IV (AMRs). O alcance inclui tambem ciclos de combustivel associados e a integração destes reactores em sistemas energeticos de baixo carbono.
A Comissão espera deste topic um portfolio equilibrado entre LW-SMRs e AMRs, com cobertura simultanea da componente de combustivel. O foco e seguranca, mas seguranca interpretada de forma ampla, incluindo viabilidade do design, optimizacao do regulador, integração energética e aplicacoes nao electricas como produção de calor industrial, calor urbano e propulsao maritima.
Necessidades que este instrumento resolve
Esta Innovation Action cobre tres necessidades materialmente distintas. Investigação científica de fronteira no dominio nuclear, contribuicao para sustentabilidade e clima via optimizacao da seguranca em tecnologias nucleares de nova geracao e investimento produtivo na medida em que o resultado pretende suportar a fase de demonstracao e implementação destes reactores nos paises com interesse na sua adocao.
- I&D e ciencia: investigação em safety-by-design, integração de instrumentacao digital, design optimization, hidraulica termo-neutronica acoplada, severe accidents, fluido-material interaction, gestão de residuos por design.
- Sustentabilidade, energia e clima: reactores avancados sao centrais na narrativa de transição energética de varios Estados Membros. O topic apoia investigação que aumente a sua viabilidade técnica e regulatoria, fortalecendo a contribuicao do nuclear para sistemas low-carbon.
- Investimento produtivo: a investigação orienta-se para a fase de demonstracao, com particular atencao a modularidade, fabricacao em fabrica, transportabilidade e escalabilidade, factores que viabilizam adopcao industrial.
O que a proposta deve cobrir
A Comissão identifica varias linhas de investigação que as propostas devem abordar, podendo focar-se em algumas em vez de cobrir todas.
- 3S by Design: safety, security e safeguards by design, facilitando ao regulador e ao seu Technical Support Organisation a compreensao de conceitos inovadores que podem integrar sistemas hibridos de energia.
- Passive safety dos SMRs: investigação das caracteristicas de seguranca passiva e potencial de harmonizacao regulatoria, num contexto em que diferentes Estados Membros tem culturas regulatorias distintas.
- Pre-normative R&D: desafios pre-normativos para SMRs seleccionados, com foco em beneficios cross-cutting e uso de solucoes digitais modernas.
- Validacao experimental: circulacao natural de água, escoamento bifasico, refrigerantes nao água, severe accidents, fluido-material interaction, hidraulica-neutronica acoplada, optimizacao do design, temperaturas operacionais elevadas para produção de calor industrial e geracao de hidrogenio a alta temperatura, aplicacoes maritimas.
- Flexibilidade operacional: investigação da seguranca em sistemas energeticos integrados, incluindo design para operação em conjunto com armazenamento de calor intermedio.
- Modularidade: vantagens da fabricacao em fabrica, transportabilidade, escalabilidade. Safety case para sites multi-modulo ou subterraneos. Foco em regulatory readiness.
Apoio a terceiros e custos elegiveis
Tal como nas outras accoes do programa Euratom, beneficiarios podem prestar apoio financeiro a terceiros, exclusivamente sob a forma de grants. O cap por entidade nesta accao e mais baixo do que em CSAs centradas em infraestruturas: máximo de 60 mil euros por terceiro. Reflecte a natureza distinta da Innovation Action versus a Coordination and Support Action.
A pagina máxima da candidatura e 45 paginas (Part B) para RIA e IA com lump sum. A submissão e feita via Funding & Tenders Portal usando o template HE RIA IA standard.
Articulacao com outras iniciativas Euratom
A proposta deve coordenar-se com partnerships activas no espaco Euratom para evitar duplicacao e maximizar valor europeu da investigação financiada.
| Partnership | Foco | Conexao com este topic |
|---|---|---|
| EURAD-2 | Gestão de residuos radioactivos | Articular sobre minimisacao de residuos by design dos novos reactores |
| PIANOFORTE | Proteccao radiologica | Articular sobre níveis de exposicao em operação SMR/AMR e gestão de incidentes |
| CONNECT-NM | Materiais nucleares | Articular sobre materiais para refrigerantes nao água e altas temperaturas |
Onde apropriado, a Comissão recomenda que os consorcios usem servicos do Joint Research Centre. O JRC pode participar na preparacao e submissão da proposta, suportando custos operacionais do seu pessoal e da sua infraestrutura. As facilidades e expertise do JRC estao listadas no General Annex H do work programme.
Onde Portugal entra na equacao
Portugal nao tem programa nacional de adopcao de SMRs nem indústria nuclear estabelecida. A relevancia directa do topic e portanto baixa, com excecao de tres areas onde existe capacidade real. Modelacao computacional aplicada a engenharia de seguranca, em centros associados a IST e Universidade de Coimbra. Materiais e ciencias dos materiais aplicados a ambientes severos, em entidades como o LNEG ou centros universitarios. E sistemas digitais e ciberseguranca aplicados a controlo de processos industriais.
O caminho realista e participar como parceiro especializado num consorcio liderado por institucoes de Estados Membros com indústria nuclear (Franca, Espanha, Republica Checa, Finlandia, Belgica). Os Estados Membros aqui referidos tem programas nucleares activos e estao posicionados para liderar consorcios.
O que recomendamos
Este e um instrumento muito orientado para o ecossistema institucional nuclear europeu, dificilmente acessivel a empresas portuguesas medias sem histórico no dominio. Para entidades de investigação com capacidade técnica especifica em modelacao, materiais ou seguranca digital, o caminho passa por integrar consorcios europeus existentes e oferecer expertise complementar.
A regra de paises associados Euratom merece atencao particular. So a Ucrania e a Suica sao paises associados ao programa, lista significativamente mais restrita do que a do Horizon Europe geral. Confirmar sempre o status de cada parceiro antes de submeter, pois um parceiro nao elegivel torna a proposta inteira inadmissivel.
O lump sum e duplo gume. Simplifica execução mas exige plano de trabalho mais robusto a partida. Os work packages e milestones tem de estar bem definidos no momento da candidatura, porque qualquer ajuste posterior exige reapertura formal do acordo de financiamento.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]