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Contexto

A peça que faz o todo fazer sentido

Quando o Clean Aviation JU financia simultaneamente o motor a fuel cell (HPA-01), o sistema integrado de combustível H2 (HPA-02), a combustão direta de H2 com baixos NOx (HPA-03) e a distribuição interna de hidrogénio (HPA-04), abre uma questão estratégica que nenhuma destas linhas, isoladamente, responde: como é que tudo isto se integra numa aeronave viável e que impacto tem em emissões, peso, performance e maturidade tecnológica? A ACI-01 existe para responder a esta pergunta.

A ACI-01 não constrói componentes nem desenvolve subsistemas. Mobiliza um consórcio multi-disciplinar para tomar os outputs em curso das outras linhas H2, integrá-los em conceitos de aeronave coerentes (na linha do que define o CAJU SRIA, a Strategic Research and Innovation Agenda) e produzir uma avaliação de impacto a TRL4. Em termos práticos, é o ponto onde a Europa decide se as tecnologias H2 que está a financiar têm, no seu conjunto, uma trajetória industrial defensável.

Resultado esperado

O que tem de ser entregue

  • Conceito integrado da aeronave fuel cell totalmente elétrica, a TRL4, demonstrando viabilidade técnica e identificando bottlenecks.
  • Conceito integrado da aeronave a combustão direta de H2, a TRL4, com tratamento equivalente.
  • Avaliação consolidada de performance: alcance, payload, consumo, eficiência por missão tipo.
  • Avaliação consolidada de emissões: CO2, NOx, vapor de água em altitude, contrails, efeitos climáticos não-CO2.
  • Avaliação consolidada de maturidade tecnológica: gaps, riscos, cronograma realista para EIS.
  • Coordenação técnica entre os projetos-chave do CAJU: assegurar coerência de interfaces, requisitos cruzados e roadmaps integrados.
Tipo de ação e financiamento

Innovation Action de coordenação técnica

A ACI-01 segue o template Innovation Action no regime budget-based do Horizon Europe (HORIZON-AG). A contribuição máxima é 6 milhões de euros, com um único grant esperado. As regras gerais de cofinanciamento aplicam-se: até 70% para entidades com fins lucrativos e 100% para entidades sem fins lucrativos. O Evaluation Form é o CAJU Large Scale Projects (IA Actions), apesar do volume contido, refletindo a importância estratégica da linha.

A ACI-01 é uma das linhas mais pequenas em valor unitário do CfP 04, mas das mais densas em peso analítico. Os entregáveis não são protótipos, são integrações conceptuais, modelos de aeronave consolidados, datasets de performance e relatórios de avaliação que servem de input para decisões estratégicas do programa Clean Aviation e dos seus principais stakeholders industriais e regulatórios.

Quem se candidata

Perfil de consórcio competitivo

A ACI-01 mobiliza um perfil bastante distinto das linhas técnicas. O foco é integração, modelação e avaliação. Um consórcio competitivo combina:

  • OEMs aeroespaciais com capacidade de modelação integrada de aeronave e ferramentas de design conceptual proprietárias.
  • RTOs com competência em system-of-systems e em modelação de aeronave a alto nível: DLR, ONERA, NLR, CIRA, com tradição de aircraft conceptual design.
  • Especialistas em modelação climática e em LCA aeronáutico, capazes de quantificar impactos climáticos não-CO2 (vapor de água em altitude, contrails, NOx em altitude).
  • Universidades com grupos em design de aeronave e otimização multidisciplinar.
  • PMEs com produtos de software para análise de missão, modelação ambiental e otimização de configurações.

Para entidades portuguesas, a ACI-01 oferece um perfil de entrada mais acessível que as linhas estritamente tecnológicas. Universidades portuguesas com grupos em design de aeronave (IST, FEUP, UBI) e PMEs em software de análise de missão e simulação podem entrar como parceiros convidados em pacotes de modelação, avaliação de missão ou cálculo de impacto climático. A barreira é menor porque o consórcio precisa, por natureza, de heterogeneidade analítica.

Articulação

A ACI-01 como espinha analítica do CfP 04

A ACI-01 é uma das poucas linhas do programa onde o sucesso depende explicitamente de cooperação com outras linhas. As tecnologias produzidas em HPA-01, HPA-02, HPA-03 e HPA-04 são input direto da ACI-01. Por isso, o consórcio ACI-01 vai operar em interface contínua com os consórcios das HPA, durante o ciclo de vida do projeto.

Linha de origemTecnologiaInput para ACI-01
HPA-01Motor fuel cellPerformance, peso, eficiência propulsiva
HPA-02Sistema de combustível H2Volume, peso, perdas térmicas, fiabilidade
HPA-03Combustão direta H2 com baixos NOxPerformance e emissões NOx para alternativa de propulsão
HPA-04Distribuição H2Massa, integração, safety
SMR / REGPlataformas EIS 2035Referência de comparação

A ACI-01 produz, no fim do projeto, dois conceitos de aeronave H2 a TRL4. Um totalmente elétrico fuel cell, outro a combustão direta. Estes dois conceitos serão a referência europeia das décadas de 2030 e 2040, alimentando decisões de programa subsequentes, prioridades de I&D e roadmaps regulatórios.

Calendário

Janela curta, projeto plurianual

A submissão eletrónica abriu a 3 de abril de 2026 e fecha a 19 de maio de 2026. As releases de Q&A foram publicadas a 17 de fevereiro e a 17 de abril. Os templates financeiros mandatórios estão disponíveis desde 20 de março.

Como em todas as linhas do CfP 04, três meses de janela são insuficientes para constituir um consórcio do zero. Mas, para a ACI-01 em particular, uma característica distintiva: o consórcio precisa de garantir interface efetiva com as outras linhas H2 que serão financiadas em paralelo. Isto torna ainda mais natural que o consórcio vencedor seja constituído por equipas que já participam, em vários papéis, nas linhas HPA.

Atenção
A ACI-01 é uma das linhas com menor barreira de entrada para entidades portuguesas, dada a sua natureza integradora e analítica. Universidades com grupos em aircraft design e PMEs com software de simulação ou modelação ambiental têm perfis compatíveis com pacotes de trabalho específicos, em consórcios mistos.
Para que tipo de empresa

Empresas portuguesas que se devem posicionar

  • Universidades portuguesas com grupos em aircraft conceptual design e otimização multidisciplinar de aeronave.
  • PMEs e centros com competência em software de análise de missão aeronáutica e em modelação de performance.
  • Empresas com competência em LCA e modelação climática aeronáutica, particularmente em efeitos não-CO2 (vapor de água em altitude, contrails).
  • Startups com produtos de software de otimização integrada para sistemas complexos.
  • RTOs nacionais com tradição em modelação multidisciplinar aplicada a sistemas energéticos e a transporte.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A ACI-01 é, das linhas H2 do CfP 04, aquela em que entidades portuguesas têm a probabilidade mais alta de entrada como parceiro convidado. O perfil exigido (modelação, integração analítica, avaliação) é compatível com competências académicas e empresariais já presentes no ecossistema nacional. A natureza heterogénea do consórcio facilita a entrada de pacotes de trabalho específicos.

A nossa recomendação é dupla. Para universidades portuguesas com grupos em aircraft design, abrir contacto direto com os principais RTOs europeus do segmento (DLR, ONERA, NLR) para mapear pacotes de trabalho compatíveis. Para PMEs em software de simulação, modelação ambiental ou otimização integrada, apresentar o portfólio aos coordenadores potenciais antes do fecho da call. Mesmo que o ciclo de submissão deste CfP 04 esteja já demasiado avançado, posicionar-se para entrar em ciclos seguintes do Clean Aviation, em programas nacionais articulados (PRR, COMPETE 2030) ou em parcerias industriais derivadas.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]