A EU-RAIL Joint Undertaking e o seu papel
A EU-RAIL Joint Undertaking e a parceria público-privada criada sob o Horizonte Europa para acelerar a transformação do sistema ferroviario europeu. Reune a Comissão Europeia, a indústria ferroviaria e organizações de investigação com o objetivo de desenvolver as tecnologias e conceitos operacionais necessarios para criar uma rede verdadeiramente integrada e interoperavel em toda a Europa.
O concurso HORIZON-JU-ER-2025-02 e a segunda chamada de propostas de 2025 desta parceria, com enfase em demonstracoes de grande escala no Pilar de Sistema (System Pillar). Nao se trata de investigação fundamental: os projetos devem demonstrar tecnologias em ambientes ferroviarios operacionais reais, com passageiros e condições de servico normais. O nível de maturidade tecnologica exigido e, por isso, elevado.
A CINEA (European Climate, Infrastructure and Environment Executive Agency) anunciou EUR 101,5 milhoes disponiveis para projetos Horizonte Europa de transporte apoiando mobilidade inteligente, segura e resiliente, no qual este concurso se enquadra.
Areas de investigação e demonstracao
O concurso 2025-02 cobre um conjunto de temas tecnologicos com impacto direto na operação ferroviaria:
- Monitorizacao ambiental e qualidade do ar: sensores de qualidade do ar e saúde em comboios, estacoes e tuneis, incluindo exposicao de passageiros e trabalhadores.
- Modelacao preditiva com IA: ferramentas de inteligencia artificial para otimizacao de operações ferroviarias, manutencao preditiva e gestão de perturbacoes.
- Conforto interior para passageiros: avaliação de condições de conforto termico, acustico e visual em material circulante em servico.
- Seguranca e resiliencia ferroviaria: tecnologias para prevencao de acidentes, resposta a incidentes e operação resiliente em condições adversas.
- Mobilidade inteligente e bilhetica integrada: solucoes de servicos de mobilidade e integração tarifaria multimodal.
- Tracao sustentavel e eficiencia energética: eletrificacao, hidrogénio, recuperacao de energia de frenagem e redução de consumos.
- Sistemas digitais e automacao: ETCS, FRMCS, conducao automatica e gestão digital do trafico ferroviario.
- Redução de ruido e vibracao: tecnologias de atenuacao acustica em infraestrutura e material circulante.
O papel central dos operadores ferroviarios
Este concurso tem um requisito estrutural pouco comum no Horizonte Europa: os operadores ferroviarios devem assumir um papel central, seja como lideres do consorcio ou como parceiros nucleares. A razao e direta: os projetos requerem acesso a material circulante em servico e a infraestrutura operacional para as demonstracoes. Sem um operador comprometido, a proposta nao e executavel.
Alem dos operadores, os consorciosdevem incluir fornecedores de tecnologia, PME especializadas e, tipicamente, organizações de investigação. A dimensao multi-pais e esperada, dado o objetivo de interoperabilidade europeia que este programa persegue.
Em Portugal, a CP (Comboios de Portugal) e a Infraestruturas de Portugal (IP) sao os atores naturais para liderar ou co-liderar consorciosnacioanis neste programa. PME portuguesas de tecnologia ferroviaria, como empresas de electronica ou software embarcado, podem participar como parceiros tecnologicos.
Quem pode participar
Podem candidatar-se organizações estabelecidas nos Estados-Membros da UE e nos paises associados ao Horizonte Europa. Os perfis elegiveis incluem:
| Perfil | Papel tipico no consorcio |
|---|---|
| Operadores ferroviarios | Lider ou parceiro nuclear; fornecem acesso a ambientes operacionais |
| Fornecedores de tecnologia | Desenvolvimento e integração das solucoes a demonstrar |
| PME especializadas | Componentes tecnologicos especificos, software, sensores |
| Institutos de investigação | Avaliação científica, metodologia, publicacao de resultados |
| Gestores de infraestrutura | Acesso a infraestrutura e contexto operacional |
O que recomendamos
O EU-RAIL JU e um programa exigente: os projetos precisam de demonstracoes reais, em servico, com passageiros. Isso cria uma barreira de entrada alta para consorciosse m operadores comprometidos. Ao mesmo tempo e exatamente essa exigencia que torna os projetos aprovados relevantes, com resultados transferiveis para a operação real.
Para empresas de tecnologia portuguesas, o caminho mais eficiente e integrar consorcioseuropeus liderados por operadores de maior dimensao, contribuindo com componentes tecnologicos especificos em que tenham vantagem diferenciada. Liderar um consorcioEU-RAIL sem um operador ferroviario como ancora e uma estrategia de alto risco.
O contexto de descarbonização dos transportes e a meta de duplicar o trafego ferroviario ate 2030 criam um ambiente politico favoravel a este tipo de investimento. Os concursos EU-RAIL 2026 serao uma continuacao logica para equipas que nao chegaram a submeter neste ciclo 2025.
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