Este instrumento encontra-se encerrado. As candidaturas já não estão abertas.
O que é

Financiamento em cascata para quem mede a saúde do solo

Este open call não é um aviso clássico do Horizonte Europa. É um concurso em cascata, lançado por um projeto financiado pela Missão A Soil Deal for Europe, dirigido a fornecedores de tecnologias inovadoras de MRV, ou seja, de monitorização, reporte e verificação da saúde dos solos. Em vez de a Comissão Europeia financiar diretamente o fornecedor, financia um consórcio de living labs que, por sua vez, redistribui parte desse financiamento a terceiros selecionados através de concursos abertos. É o chamado apoio financeiro a terceiros, ou FSTP na sigla inglesa.

A Missão A Soil Deal for Europe tem um objetivo claro: instalar 100 living labs e lighthouses para liderar a transição para solos saudáveis até 2030. Os living labs são ecossistemas de investigação e inovação centrados no utilizador, ancorados num território e transdisciplinares, que juntam gestores de terra, cientistas e outros parceiros para co-desenhar, testar e monitorizar soluções de saúde do solo em condições reais. Para funcionar, estes laboratórios vivos precisam de medir, com rigor e de forma comparável, o estado do solo ao longo do tempo. É aqui que entram as tecnologias MRV e este open call.

Porque importa a um fornecedor de tecnologia
O acesso a financiamento europeu sem ter de liderar um consórcio de milhões nem dominar a mecânica completa de uma candidatura Horizonte Europa. O FSTP foi desenhado precisamente para baixar a barreira de entrada a PME, fornecedores de tecnologia e atores que de outra forma ficariam fora do programa.
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

A lógica do instrumento cruza três necessidades que raramente aparecem juntas no mesmo apoio: desenvolver tecnologia, prová-la em ambiente real de saúde do solo e fazê-lo com ferramentas digitais de medição. É esse cruzamento que define o perfil de quem ganha.

  • I&D e ciência: o concurso procura tecnologias inovadoras de monitorização do solo, validadas com base num quadro de indicadores de saúde do solo e em linhas de base mensuráveis. Privilegia quem traz método científico à medição, não apenas um produto comercial maduro.
  • Sustentabilidade, energia e clima: toda a Missão se insere no Pacto Ecológico Europeu e nos objetivos de solos saudáveis, sequestro de carbono no solo, redução da degradação e da poluição. A tecnologia financiada serve diretamente metas climáticas e ambientais.
  • Digitalização e dados: MRV é, na sua essência, um problema de dados. Sensores, deteção remota, modelos de medição e plataformas de reporte são o núcleo do que o concurso quer ver, com interoperabilidade e abertura dos dados como princípios assumidos pela Missão.
Como funciona

O mecanismo de apoio a terceiros

No Horizonte Europa, o apoio financeiro a terceiros permite que um projeto beneficiário redistribua fundos a entidades externas, sob a forma de subvenção, sem que estas tenham participado na candidatura original. Nas condições gerais da Missão Solo, o montante máximo por terceiro é de 200 mil euros, valor pensado para mobilizar ativamente agricultores, empresas, fornecedores de tecnologia e sociedade civil para dentro dos living labs.

Os termos exatos deste open call específico, critérios de elegibilidade, montante por beneficiário, calendário de avaliação e obrigações contratuais, são fixados na documentação publicada pelo projeto que o lança e não no texto genérico da Missão. Por isso, o primeiro passo de qualquer interessado é ler o caderno do concurso na plataforma oficial. O que está estabilizado é o enquadramento: trata-se de fundos do Horizonte Europa, atribuídos por concurso aberto e transparente, com o teto de 200 mil euros por entidade aplicável a este tipo de apoio.

200mil €
Apoio máximo por terceiro
100
Living labs e lighthouses até 2030
2030
Horizonte da Missão Solo
Para quem

Que tipo de entidade se adequa

O perfil natural deste concurso é o de uma organização que tem tecnologia de medição do solo, mas que precisa de a validar e de a colocar em ambiente real de living lab. Em concreto:

  • PME e empresas de tecnologia com soluções de sensorização, deteção remota, software de monitorização ambiental ou plataformas de dados aplicáveis à saúde do solo.
  • Centros de I&D e equipas de investigação aplicada com métodos de medição, validação de indicadores ou modelação de solo.
  • Fornecedores de tecnologia agroambiental que procuram uma porta de entrada no ecossistema da Missão Solo sem liderar um consórcio europeu.

É um instrumento particularmente interessante para empresas portuguesas de agritech, monitorização ambiental e deteção remota, segmentos onde o país tem competências reais e que raramente acedem a financiamento europeu por considerarem o Horizonte Europa demasiado pesado. O FSTP existe precisamente para abrir essa porta.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O atrativo deste concurso é o seu formato. Um apoio até 200 mil euros, por concurso aberto, sem a exigência de construir um consórcio internacional, é uma das formas mais acessíveis de uma PME tecnológica tocar em financiamento do Horizonte Europa. A contrapartida é que a janela é curta e a documentação específica vive na plataforma do projeto que o lança, não num portal central fácil de monitorizar. Quem não acompanhar a fonte certa perde o prazo sem se aperceber.

A recomendação prática é dupla. Primeiro, confirmar quanto antes os termos exatos do open call na documentação oficial, porque é aí que estão o montante real por beneficiário, os critérios e o calendário e não no enquadramento genérico da Missão. Segundo, preparar a candidatura em torno da prova de valor para a saúde do solo, não apenas da maturidade tecnológica. Estes concursos premeiam soluções que se integram no método dos living labs, com indicadores claros e dados interoperáveis, mas desvalorizam o produto que chega fechado e sem disponibilidade para validação colaborativa. Demonstrar que a tecnologia melhora a medição da saúde do solo, em condições reais e de forma replicável, é o que separa uma candidatura competitiva de um bom folheto comercial.

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