A Missão

Restaurar a saúde dos oceanos e das águas europeias

A Missão "Restaurar os Nossos Oceanos e Águas" é uma das cinco missões de investigação e inovação do Horizonte Europa, lançadas com o objetivo de resolver grandes desafios societais até 2030. O foco desta missão é proteger e restaurar a saúde dos oceanos, mares, estuários, rios e lagos europeus - através de investigação, inovação, envolvimento de cidadãos e investimento na economia azul.

A edição de 2025 da Missão Oceanos, identificada pela referência HORIZON-MISS-2025-03-OCEAN, mobilizou cerca de €120 milhões distribuídos por oito tópicos de candidatura. As propostas encerraram a 24 de setembro de 2025, com expectativa de financiamento de até 18 projetos em toda a Europa.

€120M
Dotação total
8
Tópicos de concurso
18
Projetos esperados
Os 8 tópicos

O que foi financiado e em que áreas

Os oito tópicos do concurso HORIZON-MISS-2025-03-OCEAN cobrem áreas temáticas distintas, cada uma com objetivos científicos e operacionais específicos. A tabela seguinte resume os focos e o tipo de entidades relevantes em cada tópico.

Tópico Tema Foco central
OCEAN-01 Blue Parks Restauração de biodiversidade marinha e saúde dos ecossistemas
OCEAN-02 Poluição plástica e lixo marinho Caixa de ferramentas para autoridades públicas combaterem a poluição plástica, dos rios ao oceano
OCEAN-03 Pesca e aquacultura digitais Digitalização e eficiência energética na pesca e aquacultura
OCEAN-04 Restauração em regiões Restauração em grande escala de ecossistemas costeiros e de água doce em regiões europeias
OCEAN-05 Cidades marítimas e portos Restauração de ecossistemas aquáticos em cidades costeiras e portos, resiliência urbana
OCEAN-06 Ilhas Proteção de biodiversidade e economia azul circular em comunidades insulares
OCEAN-07 Faróis da Missão Coordenação entre áreas-farol (Lighthouses) para acelerar a restauração
OCEAN-08 Gémeo Digital do Oceano Desenvolvimento e implementação do Digital Twin Ocean da UE
Elegibilidade

Quem pode participar

A Missão Oceanos e Águas tem um perfil de elegibilidade amplo, desenhado para acolher consórcios multidisciplinares que combinem investigação, aplicação prática e envolvimento de comunidades. As entidades elegíveis incluem:

  • Centros de investigação e universidades: para os tópicos de ciência marinha, biodiversidade e tecnologia oceânica.
  • Autoridades regionais e municipais: especialmente relevantes para OCEAN-04, OCEAN-05 e OCEAN-06, que se focam em territórios específicos - regiões, cidades costeiras e ilhas.
  • Empresas tecnológicas: para OCEAN-03 (digitalização da pesca e aquacultura) e OCEAN-08 (Digital Twin Ocean), com oportunidade para PME de tecnologia marinha.
  • Organizações do setor das pescas e aquacultura: associações de produtores, clusters do mar, organizações de gestão pesqueira.
  • Organizações de cidadãos e ONGs: para iniciativas de envolvimento de comunidades e monitorização participativa.

Todas as entidades devem estar estabelecidas em Estados-membros da UE ou em países associados ao Horizonte Europa.

Relevância para Portugal
Portugal tem uma posição geográfica e económica privilegiada para esta Missão: 1.727 km de costa atlântica, a segunda maior zona económica exclusiva da UE, um setor de aquacultura em crescimento, as ilhas dos Açores e da Madeira com ecossistemas marinhos de valor excecional e uma tradição histórica na pesca. Os tópicos OCEAN-03, OCEAN-04, OCEAN-05 e OCEAN-06 são especialmente relevantes para entidades portuguesas. O Algarve, a costa alentejana, o Porto e Lisboa têm território costeiro com potencial para projetos-farol.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A Missão Oceanos é um instrumento de consórcio, não um instrumento para candidaturas individuais. O padrão de sucesso neste tipo de calls passa por alianças entre investigadores, autarquias e operadores económicos do setor - combinando rigor científico, território concreto e capacidade de implementação operacional. Os projetos puramente académicos sem parceiros do setor privado ou institucional têm historicamente taxas de sucesso mais baixas neste tipo de missões.

A próxima edição da Missão Oceanos deverá seguir a mesma estrutura temática. Para entidades portuguesas que queiram posicionar-se, a Open Capital recomenda começar agora a identificar parceiros complementares - nomeadamente no setor da aquacultura e tecnologia marinha, onde Portugal tem massa crítica crescente. A antecipação na formação do consórcio é frequentemente o fator que distingue propostas selecionadas das restantes.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]