O que e

Pegar em decadas de dados de ensaios e construir IA aplicada

A HORIZON-MISS-2026-05-SOIL-04 e uma Innovation Action da Mission Soil, no Pillar III do Horizon Europe Work Programme 2026-2027. A Comissão estima uma contribuicao de cerca de 9 milhoes de euros por projeto, com dotacao total de 9 milhoes para o topico, o que aponta tipicamente para o financiamento de um único consorcio.

O objeto central sao os Long-Term Field Experiments (LTEs), ensaios agricolas que monitorizam propriedades do solo e das culturas em condições climáticas e de gestão variaveis ao longo de pelo menos 20 anos. A UE tem dezenas de LTEs dispersos por instituicoes públicas, mas os dados nao sao standardizados, raramente sao interoperaveis e poucos sao acessiveis em formato util para algoritmos de IA. Esta chamada paga para resolver isso.

O entregavel esperado e duplo. Em primeiro lugar, uma infraestrutura de dados harmonizada, com pelo menos 50 LTEs cobrindo as principais regioes pedo-climáticas da UE e pelo menos 7 instituicoes proprietarias. Em segundo lugar, ferramentas de IA modulares e open-source que permitam a agricultores, consultores e gestores de território receber recomendacoes especificas sobre saúde do solo, treinadas em datasets europeus integrados.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

A chamada cruza investigação agronomica de longo prazo com inteligencia artificial aplicada. Cobre duas necessidades materialmente distintas mas que so juntas fazem sentido neste topico:

  • I&D e ciencia: a infraestrutura de dados, os protocolos harmonizados e os modelos preditivos sao trabalho científico aprofundado. Inclui pre-treino de modelos deep learning, mineracao de bases públicas (CORDIS, SoilWise, Zenodo) e desenvolvimento de covariaveis explicativas para downscaling espacial em regioes com poucos dados.
  • Digitalização e IA: o entregavel pratico e tecnologia digital aplicada, ferramentas de IA modulares, plataformas user-friendly e mobile apps que permitam avaliações em tempo real do estado do solo. A chamada exige hackathons, workshops e comunidades open-source para garantir adopcao real por developers comerciais.
Especificidades

Caracteristicas técnicas e financeiras

ParametroDetalhe
Tipo de acaoHORIZON-IA (Innovation Action)
Modelo de subvençãoLump sum
Dotacao por projeto~ EUR 9 milhoes
Dotacao total topicoEUR 9 milhoes (1 grant esperado)
Multi-actor approachObrigatorio
FSTP a third partiesPermitido, max EUR 60.000 por terceiro
Rede mínima de LTEs≥50 LTEs, ≥7 instituicoes proprietarias
Prazo de submissão23 de setembro de 2026
Codigo da chamadaHORIZON-MISS-2026-05-SOIL-04
Multi-actor approach: nao e opcional
Esta chamada exige a abordagem multi-actor, que no contexto Horizon significa envolvimento ativo de produtores primarios (agricultores, gestores de terra), cientistas, consultores técnicos e autoridades públicas locais ou regionais ao longo de todas as fases do projeto. Consorcios apenas academicos sao automaticamente penalizados na avaliação. A presenca real de cooperativas agricolas, organizações de produtores e servicos de extensão agrícola e factor de credibilidade.
Quem cabe no consorcio

Perfil dos parceiros tipicos

Para um consorcio competitivo, sao necessarios cinco perfis complementares:

  • Instituicoes proprietarias de LTEs: centros de investigação agronomica públicos com ensaios de pelo menos 20 anos. Em Portugal, INIAV (Instituto Nacional de Investigação Agraria e Veterinaria) e o candidato natural, com ensaios em Elvas, Beja e Pegoes.
  • Universidades com agronomia e edafologia: ISA-ULisboa, Universidade de Tras-os-Montes e Alto Douro, Universidade de Evora, com grupos em ciencia do solo.
  • Empresas de IA aplicada e agritech: startups e PME com competencias em machine learning, computer vision e deep learning aplicados a agricultura. Em Portugal o sector tem crescido em torno de polos como Beja, Evora e Coimbra.
  • Organizações de produtores e cooperativas: associacoes setoriais com capacidade de testar as ferramentas em condições reais e de mediar entre tecnologia e agricultor.
  • Servicos de extensão e consultoria agrícola: entidades que ja prestam aconselhamento técnico e que vao integrar as recomendacoes geradas por IA no seu fluxo de trabalho.

A chamada incentiva participacao africana, em particular alinhada com o African Union Soil Observatory (AUSO). Para entidades portuguesas com presenca em PALOP ou redes lusofonas, este e um diferencial estratégico que pode ser valorizado na avaliação.

Articulacao com Mission Soil

Onde encaixa no ecossistema

Esta nao e uma chamada autonoma. Faz parte da Mission Soil for Europe, um dos cinco missions de Horizon Europe, que tem objetivos quantificados de saúde do solo a atingir ate 2030. As propostas tem de demonstrar articulacao explicita com tres referencias:

  • SoilWise project: a infraestrutura europeia de partilha de dados sobre solo, ja em construcao. As propostas devem partir do trabalho do SoilWise e integrar-se com ele, nao replicar.
  • EU Soil Observatory: a plataforma do JRC que centraliza dados de monitorizacao do solo a escala europeia. Colaboracao explicita esperada.
  • Soil Monitoring and Resilience Directive: a diretiva europeia, em fase de adopcao, que vai exigir monitorizacao sistematica do estado dos solos. As ferramentas desenvolvidas neste projeto devem suportar a sua implementação prática.
50+
LTEs minimos a integrar
20anos
Duracao mínima de cada LTE
9M€
Dotacao do topico
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Esta chamada tem um perfil de coordenacao europeia: o lider sera quase certamente uma instituicao com LTEs proprios e tradicao em Mission Soil, tipicamente um INRAE em Franca, um JKI ou ZALF na Alemanha, ou um CREA em Italia. Para Portugal, o ponto de entrada realista e o INIAV como parceiro detentor de LTEs (Elvas, Beja), com participacao secundaria de universidades e de empresas portuguesas de agritech como subcontratados ou WP-leaders em ferramentas IA.

Tres mensagens práticas. Primeiro, o filtro mais duro nao e técnico e o multi-actor approach. Consorcios que parecem academicos puros sao filtrados na primeira ronda; a presenca documentada (com letters of support) de cooperativas e organizações de produtores e indispensavel. Segundo, a articulacao com SoilWise e EU Soil Observatory deve estar no core da proposta, nao em anexos. Terceiro, o lump sum simplifica reporting financeiro mas requer Work Packages bem desenhados, qualquer ambiguidade na entrega corta o pagamento total do WP.

Para empresas portuguesas de agritech ou de IA aplicada, esta e uma das poucas chamadas Horizon do dominio agrícola onde a componente digital e estruturalmente importante. Entrar como parceiro tecnologico responsavel pelos modulos de IA e desenvolvimento de mobile apps e perfeitamente realista e o orcamento por parceiro num projeto de 9 milhoes permite financiar 18 a 30 meses de equipa I&D especializada.

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