Um portao lateral para Horizon Europe Pillar II
A Hop-On Facility e um mecanismo do Horizon Europe especificamente desenhado para corrigir um defeito do programa: as entidades dos chamados Widening countries (entre eles Portugal) participam menos em consorcios competitivos do Pillar II (Global Challenges and European Industrial Competitiveness) e do EIC Pathfinder. Esta chamada permite que uma instituicao portuguesa se junte a um projeto Horizon ja financiado e em curso, sem ter de competir numa chamada temática regular.
A logica e direta. Existe um consorcio que ja venceu uma chamada competitiva e tem o grant agreement assinado com a Comissão. Esse consorcio detecta que poderia beneficiar de uma competencia adicional e essa competencia esta numa entidade de um pais Widening. A entidade Widening e o coordenador do projeto submetem em conjunto uma proposta a Hop-On Facility e se for aprovada o consorcio integra o novo beneficiario via amendment ao grant agreement existente. A nova entidade entra com um Work Package próprio, com role distinto e visivel.
Para 2026, a dotacao total e de 30 milhoes de euros, distribuidos por aproximadamente 60 bolsas, com financiamento entre 200 mil e 600 mil euros por proposta. Pelo menos 90% do montante tem de ir para a entidade Widening; no máximo 10% pode ser alocado ao coordenador como compensacao pelo trabalho administrativo de integração.
Necessidades que este instrumento resolve
A Hop-On Facility e simultaneamente um instrumento de I&D e um instrumento de internacionalização científica. O resultado para a entidade portuguesa nao e apenas dinheiro e entrada num consorcio europeu maduro com toda a rede de relacoes e visibilidade que isso traz.
- I&D e ciencia: a entidade Widening tem de contribuir com um Work Package real, alinhado com o projeto-mae mas com role identificavel. Nao e participacao decorativa e necessario justificar o valor científico ou tecnologico que a nova entidade traz e como complementa as competencias do consorcio existente.
- Internacionalização: entrar num consorcio Pillar II e abrir uma porta a longo prazo para todas as proximas chamadas em que esse consorcio se candidate. As redes Horizon sao persistentes, quem entra uma vez tipicamente continua a participar em iteracoes seguintes.
Números e regras
| Parametro | Detalhe |
|---|---|
| Tipo de acao | HORIZON-RIA (Research and Innovation Action) |
| Dotacao total 2026 | EUR 30.000.000 |
| Bolsas previstas | ~60 grants |
| Contribuicao mínima | EUR 200.000 |
| Contribuicao máxima | EUR 600.000 |
| Distribuicao | ≥90% para entidade Widening, ≤10% para coordenador |
| Procedimento | Single-stage, deadline único |
| Prazo de submissão | 24 de setembro de 2026 |
| Codigo da chamada | HORIZON-WIDERA-2026-03-WIDENING-01 |
Quem pode submeter
A proposta tem de incluir exatamente duas entidades e nao pode ter mais. Esta restricao bilateral e inusitada em Horizon e e o aspeto mais importante a perceber antes de qualquer trabalho:
- A entidade Widening nova: uma única entidade legal estabelecida num pais Widening (Portugal qualifica). Nao pode ja ser beneficiario, parceiro associado ou entidade afiliada do projeto-mae.
- O coordenador do projeto-mae: a proposta tem de ser submetida pelo coordenador do grant agreement que ja existe, nao por outro membro do consorcio.
O grant agreement-mae tem de cumprir quatro criterios cumulativos:
- Foi atribuido a uma acao Horizon Pillar II "main" Work Programme ou EIC Pathfinder colaborativa.
- A autoridade que concedeu a subvenção e a Comissão Europeia ou uma agencia executiva.
- Nenhuma entidade de um pais Widening ja e beneficiario, afiliado ou parceiro associado.
- O primeiro período de reporting do projeto esta em curso a data do prazo e o projeto tem entre 1 e 12 meses desde a data de inicio na altura da submissão.
Porque e que isto importa para entidades portuguesas
Portugal e classificado como Widening country no Horizon Europe e e elegivel a totalidade das medidas WIDERA. A Comissão introduziu este pacote em 2021 precisamente para corrigir o desequilibrio entre os "innovation leaders" (DE, NL, SE, DK) e os outros, que se traduz em taxas de participacao e de coordenacao muito desiguais. Para entidades portuguesas, esta e provavelmente a chamada Horizon mais acessivel em termos de competicao, ja que a entrada nao e contra todos os concorrentes europeus e contra os outros Widening countries que tambem candidatam.
Um aspecto pouco visivel mas relevante: na fase de avaliação, em situacoes de empate (ex-aequo), a Comissão prioriza propostas com beneficiarios Widening que ainda nao estao representados mais acima na lista de ranking. Isto cria um mecanismo de redistribuicao geografica explicito a favor dos paises com menor presenca. Universidades, laboratorios associados (LABEX), Centros de Interface Tecnologica e empresas com I&D estruturado podem ser candidatos credíveis.
O que recomendamos
A Hop-On Facility e uma das chamadas Horizon mais interessantes para Portugal e e tipicamente subexplorada. O obstaculo nao e técnico e relacional. Para candidatar e preciso conhecer e ter contacto direto com o coordenador de um projeto Horizon Pillar II ou EIC Pathfinder que tenha sido aprovado nos ultimos 12 meses, identificar onde a sua entidade pode acrescentar valor real e convencer o coordenador a investir tempo a co-submeter uma proposta. Sem essa porta de entrada relacional, o instrumento e inacessivel.
Tres recomendacoes práticas. Primeiro, comecar a prospecao agora, nao em junho ou julho. O CORDIS (publicacao dos projetos Horizon) e a base certa para identificar candidatos: filtrar por projetos do Pillar II com data de inicio entre setembro de 2025 e ate maio de 2026 e fazer cross-check da lista de beneficiarios para excluir aqueles que ja tem participantes de paises Widening. Segundo, o Work Package que se propoe tem de ser concreto, nao decorativo. A Comissão avalia o "R&I added value" e o "complementarity" como criterios duros. Propor "outreach" ou "communication" generico raramente passa. Terceiro, atencao a contratualizacao com o coordenador, no máximo so 10% pode ficar para ele e os 90% tem de ir para a entidade Widening, esta clausula e auditavel.
Para empresas com I&D estruturado, o Hop-On e tambem uma forma de entrar em redes europeias sem a barreira de uma proposta de raiz. Uma bolsa entre 200 mil e 600 mil euros, num projeto cujo grant agreement esta ja a executar, permite financiar de 12 a 24 meses de I&D aplicado num contexto colaborativo de alto nível.
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