Contexto e Enquadramento

O que é o tópico HORIZON-MISS-2027-03-OCEAN-04

O turismo costeiro e de águas interiores é, ao mesmo tempo, uma fonte de rendimento essencial para muitas comunidades europeias e uma pressão sobre ecossistemas frágeis. Praias, estuários, rios e lagos sustentam economias locais e, na mesma medida, sofrem com a poluição, a massificação e a perda de biodiversidade. O desafio é construir modelos de turismo em que a atividade económica e a proteção do ambiente deixem de competir entre si.

O tópico HORIZON-MISS-2027-03-OCEAN-04 inscreve-se na Missão Restaurar o Oceano e as Águas até 2030 e financia o desenvolvimento de modelos de negócio comunitários para turismo costeiro, ribeirinho e lacustre sustentável. É uma ação de inovação, centrada no envolvimento direto das comunidades costeiras e ribeirinhas na construção de iniciativas locais que gerem rendimento e protejam habitats marinhos e de água doce. A abordagem é deliberadamente bottom-up: são as comunidades locais a liderar a criação de valor.

Cada proposta deve dirigir-se a apenas uma bacia ou farol da Missão, declarada explicitamente: Atlântico e Ártico, Mediterrâneo, Báltico e Mar do Norte ou bacia do Danúbio com Mar Negro. A demonstração tem de ocorrer em pelo menos três áreas costeiras e de água doce europeias, situadas em diferentes Estados-Membros ou países associados.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O tópico junta criação de negócio, sustentabilidade ambiental e coesão social numa mesma lógica de turismo comunitário, o que define três necessidades centrais.

  • Arranque e validação: o foco está em testar a viabilidade e a sustentabilidade socioeconómica de iniciativas de negócio específicas de cada local, com modelos de negócio comunitários, escaláveis e replicáveis, com exploração de instrumentos financeiros como o reinvestimento de lucros, o crowdfunding ou fontes filantrópicas.
  • Sustentabilidade, energia e clima: as iniciativas têm de minimizar as pressões negativas do turismo sobre os ambientes marinhos e de água doce, promovendo práticas sustentáveis, redução de resíduos e proteção de habitats e biodiversidade, com benefícios simultâneos para o ambiente e para as comunidades.
  • Impacto social e inclusão: o tópico exige atenção às necessidades de grupos em situação vulnerável e à interseção com pobreza e exclusão social, com foco em igualdade de género e não discriminação, criação de emprego e desenvolvimento de competências locais.
Âmbito Técnico

O que se espera dos projetos financiados

As propostas devem abordar todos os aspetos definidos no tópico, demonstrando modelos de negócio comunitários em pelo menos três áreas costeiras e de água doce, em diferentes países. O envolvimento de turistas e utilizadores do mar é parte do desenho, através de iniciativas de ciência cidadã, ações de limpeza, práticas regenerativas ou cogestão de áreas protegidas.

  • Demonstração comunitária: implementar modelos de turismo conduzidos pela comunidade em pelo menos três áreas, com iniciativas diversas que envolvam turistas e utilizadores do mar na conservação ativa dos ecossistemas.
  • Práticas sustentáveis: minimizar pressões do turismo sobre os ambientes marinhos e de água doce, com produtos ecológicos, redução de resíduos e proteção de habitats e biodiversidade.
  • Capacitação inclusiva: formação e desenvolvimento de competências dirigidas tanto às comunidades locais, para reforçar o empreendedorismo, como aos turistas, para promover mudança de comportamento.
  • Governança e sustentabilidade financeira: estruturas de governança que assegurem o envolvimento efetivo de todas as partes interessadas e a sustentabilidade financeira de longo prazo das iniciativas, com exploração de instrumentos como reinvestimento de lucros, crowdfunding ou fontes filantrópicas.
Portfólio equilibrado por bacia
Tal como nos restantes tópicos da Missão Oceano, as subvenções não são atribuídas apenas por ordem de classificação. É financiada também, pelo menos, a proposta mais bem classificada em cada uma das quatro bacias da Missão, desde que atinja todos os limiares. As propostas são ainda incentivadas a explorar sinergias com a iniciativa Nova Bauhaus Europeia no desenho das atividades.
Estrutura do Financiamento

Modelo de subvenção e parâmetros

À data de publicação do tópico, a dotação específica e o número de projetos a financiar são definidos no aviso formal da Comissão Europeia, em alinhamento com o Work Programme 2026-2027 das Missões. Aplicam-se as condições gerais dos Anexos do Work Programme do Horizonte Europa, incluindo a obrigação de ciência aberta: dados in situ e observações marinhas recolhidos têm de ser disponibilizados através da rede EMODnet, segundo os princípios FAIR.

Parâmetro Valor
ProgramaHorizonte Europa - Pilar II - Missões
MissãoRestaurar o Oceano e as Águas até 2030
CallHORIZON-MISS-2027-03
Tipo de açãoInovação (IA), subvenção baseada em orçamento
DemonstraçãoMínimo 3 áreas, em diferentes países, numa só bacia
FocoModelos de negócio comunitários, inclusão e conservação
Deadline indicativo21 de setembro de 2027
Posicionamento Português

Oportunidade para comunidades e território nacional

Portugal é um caso quase paradigmático para este tópico. O país tem uma extensa frente costeira atlântica, comunidades piscatórias com identidade forte, zonas ribeirinhas e lacustres no interior e um setor de turismo de natureza em crescimento. As autarquias costeiras, as associações de desenvolvimento local, as comunidades piscatórias e os operadores de turismo de natureza são exatamente os atores que o tópico procura mobilizar.

A janela é particularmente clara na bacia Atlântico e Ártico, onde Portugal tem presença natural. O ângulo competitivo para entidades portuguesas passa por uma iniciativa enraizada numa comunidade costeira ou ribeirinha concreta, com governança local credível e um modelo de negócio que reinveste valor no território e na conservação. A articulação entre autarquias, associações locais, comunidades piscatórias e centros de competência em turismo sustentável é o tipo de consórcio que o tópico valoriza.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A natureza community-driven do tópico é exigente e específica. Não basta um operador de turismo apresentar um produto sustentável. A Comissão avalia o grau real de protagonismo da comunidade na conceção e na governança da iniciativa, bem como a capacidade de gerar benefício partilhado e de proteger o ecossistema. As propostas vencedoras demonstram que a comunidade é o sujeito, não o cenário, do modelo de negócio.

A fragilidade mais comum é a sustentabilidade financeira pós-projeto. Iniciativas de turismo comunitário tendem a depender do financiamento inicial e a esvaziar-se quando ele termina. O tópico pede explicitamente uma estrutura de governança e um modelo financeiro de longo prazo, com instrumentos como reinvestimento de lucros ou crowdfunding. Para autarquias, associações de desenvolvimento local e operadores de turismo de natureza portugueses interessados, sugerimos uma conversa preliminar focada em três pontos: identificação de uma comunidade costeira ou ribeirinha âncora com governança capaz, desenho de um modelo de negócio que reinvista valor no território e mapeamento de parceiros nas restantes áreas europeias para compor o consórcio.

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