O que é o tópico REGEN-01
O tópico HORIZON-NEB-2027-01-REGEN-01 financia o desenvolvimento de soluções construtivas híbridas que combinam materiais, produtos e técnicas convencionais com alternativas inovadoras. Integra o concurso do Novo Bauhaus Europeu de 2027, abre a 5 de maio de 2027 e encerra a 1 de dezembro do mesmo ano. A dotação de 12 milhões de euros reparte-se por três projetos de cerca de 4 milhões cada.
O ponto de partida é uma observação sobre o próprio setor. A transição para um ambiente construído mais sustentável gerou uma vaga de materiais e técnicas inovadoras, dos materiais de base biológica e circulares aos elementos impressos em três dimensões, passando pela recuperação de técnicas vernaculares e tradicionais. Essas soluções foram quase sempre concebidas como alternativas ao betão, ao aço e à construção em obra. Raramente se investiu em combiná-las com eles.
É essa lacuna que o tópico ataca. A tese subjacente é que a solução híbrida pode superar tanto a convencional como a inovadora isolada, melhorando desempenho, durabilidade, sustentabilidade e qualidade arquitetónica, incluindo a dimensão de beleza que o Novo Bauhaus coloca no mesmo plano dos critérios técnicos.
Necessidades que este instrumento resolve
Este é o tópico mais industrial do concurso do Novo Bauhaus para 2027 e o mais próximo do quotidiano de fabricantes de materiais e de empresas de construção. Duas necessidades sustentam o instrumento.
- I&D e ciência: o projeto desenvolve pelo menos uma solução construtiva híbrida replicável e escalável, valida-a com indicadores relevantes e, quando aplicável, estuda a compatibilidade e a interação de longo prazo entre materiais diferentes, incluindo gestão de humidade, aderência e degradação.
- Sustentabilidade, energia e clima: a solução tem de incorporar princípios de circularidade e demonstrar contributo para a sustentabilidade, o desempenho, a durabilidade e a resiliência do edificado, num setor que continua a ser dos mais intensivos em carbono e em recursos.
O que a solução tem obrigatoriamente de cumprir
O tópico define condições cumulativas para a solução a desenvolver, algumas das quais têm consequências diretas no desenho técnico do projeto.
- Aplicável a novo e a reabilitação: a solução tem de servir tanto projetos de construção nova como de renovação, o que exclui propostas centradas exclusivamente num dos dois mercados.
- Otimizar o processo: tem de oferecer potencial de otimização do processo de construção ou renovação em tempo, custo ou recursos utilizados.
- Cumprir a regulação aplicável: tem de respeitar requisitos regulamentares relevantes, designadamente de segurança estrutural e de segurança contra incêndio, bem como as normas aplicáveis.
- Incorporar circularidade: os princípios de economia circular têm de estar integrados na própria solução, não acrescentados como avaliação posterior.
- Validar com indicadores: avaliar em que medida a solução suporta ou melhora sustentabilidade, desempenho, durabilidade, resiliência e qualidade arquitetónica, incluindo beleza, recorrendo a indicadores pertinentes.
- Estudar a interação entre materiais: quando relevante, explorar a compatibilidade e a interação dos diferentes tipos de material ou produto no seu desempenho de longo prazo.
Quanto vale e em que termos
Com 4 milhões de euros por projeto, este é o tópico de investigação mais bem dotado por projeto de toda a chamada. É uma Research and Innovation Action, com custos elegíveis sob a forma de montante fixo e taxa de financiamento de 100% dos custos elegíveis.
| Parâmetro | Condição |
|---|---|
| Tipo de ação | HORIZON-RIA, Research and Innovation Action |
| Contribuição UE | 12.000.000 EUR no total |
| Por projeto | 4.000.000 EUR indicativos |
| Projetos esperados | 3 |
| Taxa de financiamento | 100% dos custos elegíveis |
| Maturidade tecnológica | TRL 4 a 5 no final do projeto |
| Modelo de custos | Montante fixo (lump sum) |
| Modelo de avaliação | Fase única, prazo em 01/12/2027 |
A combinação de taxa de 100% com ausência de obra real torna este tópico financeiramente mais confortável do que aparenta para empresas industriais. Ao contrário das Innovation Actions da mesma chamada, financiadas a 70% para entidades com fins lucrativos, aqui uma empresa recupera a totalidade dos custos elegíveis do seu trabalho de investigação.
As condições de elegibilidade de países seguem o Anexo Geral B, sem restrições adicionais neste tópico. Aplicam-se as regras gerais de consórcio do Horizonte Europa, ou seja, pelo menos três entidades independentes de três Estados-Membros ou países associados, com pelo menos uma estabelecida num Estado-Membro.
Para que tipo de empresa faz sentido
O consórcio natural deste tópico tem espinha dorsal industrial e laboratorial. É dos poucos tópicos do Novo Bauhaus onde uma PME industrial portuguesa pode ocupar posição central e não apenas de apoio.
- Fabricantes de materiais e produtos de construção: cimenteiras, pré-fabricação em betão, fileira da madeira e derivados, cerâmica e sistemas de fachada, com interesse em hibridizar a sua gama em vez de a substituir.
- Produtores de materiais de base biológica e circulares: parceiro complementar obrigatório, que traz a componente inovadora a combinar com a convencional.
- Laboratórios e institutos de engenharia civil: asseguram os ensaios de desempenho, de segurança estrutural e ao fogo e o estudo de durabilidade e de interação entre materiais.
- Ateliês de arquitetura e empresas de construção: garantem a aplicabilidade real e a avaliação de qualidade arquitetónica, incluindo a componente de beleza exigida.
Portugal tem aqui uma posição competitiva concreta. A fileira da cortiça, a produção de cerâmica de construção, a indústria de pré-fabricados de betão e a tradição construtiva em taipa, alvenaria de pedra e cal têm todas expressão nacional relevante. A combinação de técnica vernacular com material inovador é precisamente uma das vias que o tópico enumera, uma via em que o conhecimento português é real e não retórico.
O que recomendamos
A exigência que separa propostas fortes de propostas medianas é a conformidade regulamentar. O tópico obriga a solução a cumprir requisitos de segurança estrutural e ao fogo e as normas aplicáveis. Soluções híbridas colidem frequentemente com um sistema normativo construído para materiais isolados. Uma proposta que não demonstre desde o início como tenciona validar a solução perante esse quadro, seja por ensaio normalizado, seja por via de avaliação técnica europeia, expõe uma fragilidade que os avaliadores identificam com facilidade.
O nível de maturidade tecnológica pedido merece leitura atenta por parte de empresas industriais. Terminar em TRL 4 a 5 significa que no fim do projeto existe um protótipo validado em ambiente relevante, não um produto no mercado. Empresas que entrem à espera de industrialização financiada ficarão desiludidas. O valor real está no acesso a ensaio, a conhecimento de compatibilidade entre materiais e a uma posição de partida para financiamento posterior de escala, seja europeu, seja através dos incentivos nacionais à inovação produtiva.
A exigência de cocriação com o ecossistema da construção é outro ponto que costuma ser subestimado. Não basta incluir um parceiro construtor. O tópico pede envolvimento de partes interessadas públicas e privadas na conceção da solução, o que na prática significa prever, com orçamento próprio, sessões de trabalho com empreiteiros, projetistas, donos de obra e entidades licenciadoras ao longo do projeto e não apenas na fase de disseminação.
Para empresas portuguesas do setor, a recomendação é entrar cedo em contacto com centros tecnológicos e laboratórios nacionais com histórico em ensaio de materiais de construção. A capacidade laboratorial é o fator limitante deste tipo de consórcio, tem agenda ocupada com meses de antecedência e não se improvisa nas semanas anteriores ao prazo de submissão.
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