Visão Geral

Uma call de coordenação, não de I&D

O HORIZON-CL4-2026-04-DIGITAL-EMERGING-15 é uma Coordination and Support Action (CSA) com €1 milhão destinada a um único projeto de cooperação entre regiões europeias intensivas em semicondutores. Ao contrário das Research and Innovation Actions (RIA) que financiam I&D, uma CSA financia atividades de mapeamento, coordenação estratégica, disseminação de boas práticas e criação de plataformas de colaboração.

A call insere-se na iniciativa Chips for Europe, o quadro europeu que mobiliza mais de €43 mil milhões para garantir que a Europa produz pelo menos 20% dos semicondutores mundiais até 2030. O foco desta CSA específica é fortalecer os ecossistemas regionais que suportam essa ambição - não fábricas ou laboratórios, mas as redes de cooperação entre regiões que partilham especializações na cadeia de valor dos chips.

€1M
Dotação total
1
Projeto financiado
2
Candidaturas recebidas
Atividades Financiadas

O que o projeto deve produzir

A Comissão Europeia define com precisão os entregáveis esperados do projeto vencedor. O foco é produzir conhecimento coletivo e criar estruturas de cooperação duradouras entre regiões:

  • Mapeamento dos ecossistemas regionais: Inventário de atores ao longo da cadeia de valor dos semicondutores por região, incluindo fab, design, equipment, materials, packaging e end-markets. Identificação de gaps e complementaridades entre regiões.
  • Estratégia conjunta de interligação: Plano de ação para ligar os ecossistemas regionais entre si e com os Centros de Competência do programa Chips for Europe, explorando sinergias e evitando duplicação de investimentos.
  • Plataforma de informação online: Portal sustentável que permita a investidores, novos entrantes e parceiros industriais aceder a informação sobre capacidades regionais, boas práticas e oportunidades de parceria.
  • Evidência sobre barreiras ao investimento: Diagnóstico das condições-quadro que dificultam o investimento em produção de semicondutores - nomeadamente licenciamento ambiental, regulação de uso de solo e burocracia de aprovações - com propostas de simplificação para autoridades regionais e nacionais.
CSA vs RIA: O que muda
Uma Coordination and Support Action não financia trabalho experimental nem desenvolvimento tecnológico. Financia análise, coordenação, disseminação e criação de redes. Os parceiros ideais são organismos públicos regionais (ARU, agências de desenvolvimento, associações industriais) e entidades com acesso a dados sobre o ecossistema industrial regional. Empresas de tecnologia sem função de coordenação ou representação regional não têm perfil adequado para liderar este tipo de projeto.
Semicondutores em Portugal

A posição portuguesa na cadeia de valor

Portugal não é um hub de produção de semicondutores, mas tem presença relevante em dois segmentos da cadeia de valor. Em design e EDA (Electronic Design Automation), o grupo Synopsys tem escritórios em Portugal e o ecossistema de startups de microeletrónica do Instituto Superior Técnico e da Universidade do Porto tem crescido nos últimos anos. Em materials e equipamento, a presença é mais limitada mas a Efacec e empresas de precision engineering têm competências adjacentes.

Mais relevante para esta call, a região do Porto e Norte de Portugal tem potencial de se posicionar como nó na rede europeia de design de semicondutores, com ligação ao Vale do Minho e à Galiza espanhola. O CENTRO Portugal também tem capacidade em eletrónica industrial. A existência de um Polo de Competências em Microeletrónica e Tecnologias Digitais no âmbito do PRR reforça este posicionamento.

Contexto Estratégico

Chips for Europe e a geopolítica dos semicondutores

O European Chips Act de 2023 estabeleceu uma agenda clara: duplicar a quota europeia de semicondutores globais até 2030, de 10% para 20%. Para isso, a Europa está a investir em infraestrutura de fabrico (Intel em Magdeburg, TSMC em Dresden, STMicroelectronics em Catânia), mas também em desenvolver o ecossistema regional que rodeia essas grandes infraestruturas.

Esta CSA é um instrumento de segundo nível: não financia fábricas, mas a coordenação das regiões que pretendem criar clusters de fornecedores, centros de design, laboratórios de packaging e ecossistemas académicos em torno dessas âncoras industriais. O Chips JU (Joint Undertaking), com um orçamento de €3,3 mil milhões até 2030, complementa esta iniciativa com financiamento direto a I&D avançada em semicondutores.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Esta call é pouco relevante para a maioria das empresas portuguesas de tecnologia ou inovação. Com apenas €1 milhão e foco em coordenação inter-regional, o beneficiário ideal é uma organização pública ou associação industrial com mandato regional explícito em eletrónica e semicondutores.

Para organizações portuguesas com interesse no setor, o instrumento mais relevante é o Chips JU - que financia investigação e inovação com tickets muito superiores - e as linhas de incentivo a investimento produtivo em microeletrónica no âmbito do Portugal 2030 e do PRR. Existe também a possibilidade de participar como parceiro numa candidatura a esta CSA liderada por uma região com cluster de semicondutores mais desenvolvido, como Dresde, Eindhoven, Leuven ou Grenoble.

Esta call fechou em abril de 2026 com apenas 2 candidaturas, o que reflete a especificidade do perfil de beneficiário. O vencedor deve ser conhecido em julho de 2026. O tema da cooperação regional em semicondutores deve manter-se presente nas calls de coordenação do Chips JU nos próximos ciclos.

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