Este instrumento encontra-se encerrado. As candidaturas já não estao abertas.
Enquadramento

O que é o Twinning

O Twinning é um instrumento do programa WIDERA (Widening Participation and Strengthening the European Research Area) do Horizonte Europa, desenhado para reduzir as assimetrias geográficas na produção científica europeia. A premissa é simples: ligar uma instituição de investigação de um país com participação mais baixa no Horizonte Europa a dois ou mais centros de excelência já estabelecidos, criando uma relação estruturada de transferência de conhecimento, competências e redes.

A edição 2026 corresponde ao tópico HORIZON-WIDERA-2026-02-WIDENING-01, inserido no Programa de Trabalho 2026-2027 do WIDERA. As regras de financiamento e estrutura seguem o modelo consolidado nas edições anteriores, com a mesma lógica de parceria entre a instituição beneficiária (coordenadora, num país Widening) e os parceiros de twinning (em países líderes do Horizonte Europa).

Elegibilidade

Para quem se destina

O Twinning dirige-se exclusivamente a instituições de investigação - universidades, laboratórios associados, centros de I&D, institutos públicos de investigação - localizadas em países Widening. Portugal qualifica como país Widening no âmbito do Horizonte Europa, o que significa que instituições portuguesas podem candidatar-se como coordenadoras do projeto.

A estrutura mínima de consórcio exige três entidades:

  • Coordenador: instituição de investigação de um país Widening (ex: universidade portuguesa, laboratório associado)
  • Parceiro de Twinning 1: instituição líder do Horizonte Europa, de reconhecida excelência na área científica do projeto
  • Parceiro de Twinning 2: segundo centro de excelência, preferencialmente com perfil complementar ao primeiro

O critério central de elegibilidade para o coordenador é pertencer a um país Widening com indicadores de participação no Horizonte Europa abaixo da média europeia. Não há restrição setorial: o instrumento cobre todas as áreas científicas e tecnológicas.

Estrutura do Instrumento

Como funciona o Twinning

O Twinning financia atividades concretas de transferência de conhecimento e desenvolvimento de capacidades, durante um período tipicamente de 36 meses. O menu de atividades elegíveis inclui:

  • Visitas de curta duração: investigadores do coordenador deslocam-se às instalações dos parceiros de twinning para estágios de trabalho conjunto
  • Workshops e seminários: eventos de partilha científica organizados em conjunto pelas três entidades
  • Missões de especialistas: investigadores seniores dos parceiros de twinning visitam o coordenador para transmissão de metodologias e boas práticas
  • Acesso a infraestruturas: utilização das instalações de investigação dos parceiros de excelência por parte do coordenador
  • Comunicação e disseminação: atividades de visibilidade do projeto e dos seus resultados

O financiamento segue o modelo Lump Sum, o que simplifica significativamente a gestão administrativa: os valores são pré-definidos por categoria de atividade, eliminando a necessidade de reportar custos reais individualmente.

Diferença face a outros instrumentos WIDERA
O Twinning não visa criar projetos de investigação conjuntos com resultados científicos imediatos. O objetivo é fortalecer a capacidade institucional do coordenador para participar em projetos mais competitivos no futuro. É um investimento em capital humano e redes científicas, não em produção de conhecimento imediato.
1,5M€
Máximo por projeto
100%
Taxa de cobertura
36m
Duração típica
3+
Entidades mínimas
Contexto Nacional

Portugal e o Twinning

Portugal tem uma posição distinta no Twinning: é simultaneamente um país Widening elegível como coordenador e um país com instituições de excelência reconhecida capazes de ser parceiras de twinning para coordenadores de outros países Widening. Essa dupla posição cria oportunidades simétricas.

Do lado da coordenação, centros de investigação portugueses em áreas como biotecnologia, ciências do mar, energia e tecnologias de informação têm conseguido atrair parceiros de twinning de países como Alemanha, Países Baixos e Suécia. Estas parcerias resultam tipicamente em candidaturas posteriores bem-sucedidas a instrumentos competitivos do Horizonte Europa.

O Twinning complementa outros instrumentos WIDERA abertos em 2026: o Hop-on Facility (WIDERA-2026-03) permite a investigadores de países Widening integrar projetos já aprovados, enquanto os ERA Chairs financiam a contratação de líderes científicos de topo. Juntos, estes instrumentos formam um ecossistema de capacitação institucional que Portugal deveria explorar de forma sistemática.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O Twinning é frequentemente subvalorizado por duas razões: a modéstia do orçamento por projeto face a instrumentos de investigação mais volumosos e a perceção de que "não produz resultados científicos". Ambas as razões são equivocadas.

A taxa de sucesso do Twinning é sistematicamente mais elevada do que a de instrumentos competitivos como o ERC ou os Clusters do Horizonte Europa. O critério de avaliação privilegia a qualidade da parceria e o plano de desenvolvimento institucional, não a fronteira do conhecimento científico. Para instituições que ainda não têm um historial robusto de candidaturas ao Horizonte Europa, o Twinning é o ponto de entrada com melhor relação esforço/probabilidade de sucesso.

A chave está na escolha dos parceiros de twinning. Uma parceria com um centro de excelência reconhecido na área específica do coordenador, com histórico de projetos Horizonte Europa de sucesso, sinaliza credibilidade à comissão avaliadora e abre portas concretas para futuras colaborações. A Open Capital apoia na identificação de parceiros adequados, na estruturação da proposta e na preparação do plano de desenvolvimento institucional.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]