O que são as ERA Research Managers
A gestão de ciência tornou-se uma competência própria. Captar financiamento competitivo, cumprir as regras de elegibilidade de despesa, negociar acordos de consórcio, proteger propriedade intelectual e reportar a financiadores exige equipas especializadas que muitas instituições portuguesas ainda não têm ou têm subdimensionadas. O tópico HORIZON-WIDERA-2027-02-WIDENING-02 existe para resolver esse défice nos países Widening, onde Portugal se inclui.
O modelo copia a arquitetura das ERA Chairs com uma diferença decisiva: a pessoa a atrair não é um cientista, é um gestor de investigação sénior. Uma instituição identifica um profissional com experiência internacional, que ainda não tenha vínculo contratual consigo. Depois candidata-se para que ele lidere a criação ou o reforço de uma equipa de gestão de investigação integrada na instituição. O concurso abre a 6 de abril de 2027 e fecha a 14 de setembro de 2027, numa só fase.
A contribuição europeia situa-se entre 1,5 e 2,5 milhões de euros por projeto, para ações com duração prevista de cinco anos. Com cerca de 30 subvenções para todos os países Widening, a concorrência será mais apertada do que nas ERA Chairs, que preveem 80.
Necessidades que este instrumento resolve
O instrumento financia capacidade institucional. O resultado esperado não é um artigo científico nem um protótipo, é uma instituição que passa a ganhar mais projetos, a geri-los melhor e a valorizar mais o conhecimento que produz.
- Contratação e recursos humanos: a subvenção cobre os salários dos novos membros da equipa de gestão de investigação, os custos de recrutamento, deslocações e equipamento. O recrutamento é conduzido por um painel internacional presidido pelo ERA Research Manager, por concurso aberto e por mérito.
- Formação e qualificação: a proposta parte de uma autoavaliação das capacidades de gestão de investigação da instituição e define uma estratégia de implementação com ações e formações dirigidas, que pode ser ajustada ao longo dos cinco anos.
- I&D e ciência: o impacto mede-se no desempenho científico da instituição, em indicadores como publicações, proteção de propriedade intelectual, valorização de conhecimento e sucesso em financiamento competitivo.
Quem pode candidatar-se
A candidatura é mono-beneficiária. Uma única entidade jurídica estabelecida num país Widening submete e executa o projeto: universidades, organizações de investigação e infraestruturas de investigação. Como o ERA Research Manager e a sua equipa operam ao nível da instituição inteira, só é admitida uma proposta por entidade jurídica. Uma universidade com várias faculdades tem de escolher uma candidatura única.
A proposta tem de incluir duas cartas assinadas:
- Carta do futuro ERA Research Manager: compromisso com pelo menos 50% de equivalente a tempo inteiro, com presença física, pelo menos até à nomeação de um líder permanente da gestão de investigação até ao mês 36, a par da aceitação das condições contratuais acordadas, incluindo salário.
- Carta do dirigente máximo da instituição: compromisso com a proposta e garantia de que o ERA Research Manager terá o apoio necessário para supervisionar reformas institucionais, simplificar processos administrativos e facilitar colaborações.
O perfil pedido corresponde aos níveis avançado ou especialista do quadro europeu de competências para gestores de investigação (RM Comp). O CV, em formato Europass, segue como anexo e deve detalhar os contributos de gestão e técnicos que o candidato traz à instituição.
O que a candidatura tem de demonstrar
| Elemento | O que o programa de trabalho pede |
|---|---|
| Diagnóstico | Autoavaliação das capacidades existentes e das necessidades em gestão e administração de investigação |
| Estratégia | Plano de implementação realista, com ações dirigidas e formação, que introduza alterações institucionais dentro da duração do projeto |
| Investimentos complementares | Outros investimentos da instituição em capacitação, pessoal ou instalações de gestão de investigação |
| Equipa | Composição, níveis, salários e calendário de recrutamento, estruturados para continuar depois do financiamento europeu |
| Líder permanente | Nomeação, nos primeiros três anos, de um líder permanente da gestão de investigação, por concurso acompanhado pela Comissão Europeia |
| Reformas | Condições de trabalho, carreiras, políticas de recursos humanos, governação, gestão de projetos, transferência de conhecimento e simplificação de procedimentos como os de propriedade intelectual |
| Impacto | Indicadores quantificados de alterações institucionais, produção científica e melhoria da gestão de investigação |
As prioridades do Espaço Europeu de Investigação atravessam o tópico: ética, ciência aberta e dados abertos, igualdade de género. Uma proposta que trate a gestão de investigação apenas como apoio administrativo, sem ligar a equipa a estas agendas, fica aquém do que o programa de trabalho descreve.
Desempate e Selo de Excelência
Aplicam-se os critérios gerais das ações de coordenação e apoio do Horizonte Europa. Em caso de empate, ganham prioridade as propostas de países Widening ainda não representados como coordenadores mais acima na lista. As propostas que ultrapassem todos os limiares sem financiamento disponível recebem o Selo de Excelência, que abre a porta a fontes nacionais ou regionais.
O que recomendamos
Este tópico é dos poucos instrumentos europeus que pagam diretamente a profissionalização da gestão de ciência. Para uma instituição portuguesa de média dimensão, cujo gabinete de projetos vive de contratos precários e de pessoas acumuladas em várias funções, pode ser a forma de dar um salto estrutural que o orçamento próprio não permite.
A regra de uma proposta por entidade jurídica obriga a uma decisão ao nível da reitoria ou da direção. Recomendamos que essa decisão se tome cedo, antes de várias faculdades ou institutos avançarem em paralelo e descobrirem tarde que só um pode submeter.
A qualidade da autoavaliação inicial pesa muito. Uma instituição que se descreve sem fragilidades dá ao painel pouca razão para financiar a mudança. O diagnóstico deve ser honesto quanto à taxa de sucesso atual em concursos competitivos, à rotação da equipa de apoio e às falhas em auditorias ou reporte, porque é contra esse ponto de partida que o impacto vai ser medido.
Por último, o compromisso de sustentabilidade é real. A equipa tem de continuar depois de o financiamento europeu terminar. O líder permanente tem de ser nomeado até ao terceiro ano. Antes de submeter, convém validar com a direção financeira que os lugares criados cabem no orçamento da instituição a prazo.
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