O que é a ação F.1.1.2
O Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC) tem na Região Autónoma da Madeira uma componente própria de desenvolvimento rural, o Eixo F, gerida pela Autoridade de Gestão do PEPAC R.A. Madeira. A intervenção F.1.1, Investimento nas Explorações Agrícolas, apoia ativos que melhorem o desempenho e a viabilidade das explorações, aumentem a produção, criem valor, melhorem a qualidade dos produtos, introduzam métodos inovadores e garantam a sustentabilidade ambiental.
A ação F.1.1.2 é o escalão intermédio: investimentos propostos acima de 20.000 euros e até 100.000 euros, inclusive. É a dimensão típica da exploração familiar madeirense que quer renovar uma estufa, plantar, mecanizar ou converter a rega. O regime está na Portaria n.º 582/2025, de 22 de outubro. O aviso remete para a Orientação Técnica Específica OTE/2026/n.º 4, que detalha a elegibilidade das despesas e o preenchimento do formulário. A dotação é de 1,8 milhões de euros de despesa pública.
Necessidades que este instrumento resolve
A grelha de seleção deixa claro o que a Autoridade de Gestão quer financiar: modernização produtiva com ganhos de eficiência. As duas necessidades cruzam-se em quase todos os projetos bem pontuados.
- Investimento produtivo: construções, máquinas, plantações e equipamentos produtivos. Quando estes ativos representam metade ou mais do investimento elegível, a candidatura recebe 4 pontos, um dos três critérios com maior peso.
- Sustentabilidade, energia e clima: painéis solares, soluções de preservação ambiental e rega eficiente pontuam diretamente. Converter rega por gravidade ou aspersão clássica em gota-a-gota ou microaspersão vale 2 pontos, numa região onde a água de levada é um recurso disputado.
Dotação e taxas de apoio
A taxa de apoio não reembolsável é de 60%, dez pontos acima da ação de grande dimensão. Sobe 5 pontos quando se verifica pelo menos um destes fatores:
- O beneficiário é um agrupamento de agricultores, uma organização de produtores (OP) ou membro de uma OP.
- O investimento visa a conversão para o modo de produção biológico ou de produção integrada, ou a melhoria das condições de produção de explorações que já os praticam.
- O projeto foi reconhecido como projeto estratégico, nos termos da portaria.
As majorações não se acumulam, pelo que o teto é 65%. Na prática, uma exploração em modo de produção integrada que invista 80.000 euros pode receber até 52.000 euros. No limite superior do escalão, 100.000 euros de investimento, o apoio chega a 65.000 euros.
| Ação | Investimento proposto | Taxa base | Taxa máxima |
|---|---|---|---|
| F.1.1.2 (este aviso) | Acima de 20.000 € e até 100.000 € | 60% | 65% |
| F.1.1.3 (aviso 06/2026) | Acima de 100.000 € | 50% | 55% |
Quem pode candidatar-se
Podem candidatar-se agricultores, organizações de produtores e agrupamentos de agricultores, com investimento na Região Autónoma da Madeira. O aviso destaca três condições de elegibilidade, sem prejuízo das restantes previstas nos artigos 5.º e 6.º da portaria:
- Exploração registada: inscrita no Sistema de Identificação Parcelar (SIP), com área mínima de 0,05 hectares, contígua ou não. O limiar é baixo de propósito, adequado ao minifúndio da ilha.
- Dimensão do investimento: superior a 20.000 euros e até 100.000 euros, inclusive.
- Viabilidade: demonstrada pelo valor atualizado líquido (VAL), descontado à taxa de refinanciamento do BCE em vigor no início das candidaturas, 2,4%.
É admitida uma candidatura por beneficiário durante a vigência do aviso. O aviso lembra a cláusula de evasão da PAC: não é concedido apoio a quem tenha criado artificialmente as condições para o obter. Partir um projeto de 150.000 euros em dois para caber neste escalão e beneficiar da taxa de 60% é precisamente o tipo de prática que a cláusula visa.
Como se pontua a candidatura
As candidaturas são ordenadas pela Valia Global da Operação (VGO), numa escala de 0 a 20, com um mínimo de 10 pontos. São selecionadas até esgotar a dotação. A fórmula é VGO = A1 + B1 + (C1 ou C2) + C3 + C4 + D1 + E1.
| Critério | Pontuação máxima | Como se obtém |
|---|---|---|
| A1. Energia renovável | 2 | A candidatura inclui investimento em energias renováveis. |
| B1. Soluções digitais | 2 | A candidatura inclui investimento em soluções digitais na agricultura. |
| C1. Preservação ambiental ou C2. Poupança de água | 2 | C1: 30% ou mais do investimento em preservação ambiental (1 ponto entre 10% e 30%). C2: conversão para gota-a-gota ou microaspersão (1 ponto de gravidade para aspersão clássica). Cada candidatura só pontua num dos dois. |
| C3. Tipo de investimento | 4 | Construções, máquinas, plantações e equipamentos produtivos com 50% ou mais do investimento elegível (2 pontos entre 25% e 50%). |
| C4. Criação de valor | 4 | VAB gerado pela operação igual ou superior a metade do investimento elegível (2 pontos entre 0,25 e 0,5). |
| D1. Emprego | 2 | Criação líquida de mais de 1 UTA (1 ponto até 1 UTA). |
| E1. Localização | 4 | Porto Santo e costa norte da Madeira. Costa sul fora do centro urbano do Funchal (Santa Luzia, Sé e São Pedro) vale 2 pontos. |
Um exemplo realista: uma exploração na costa norte (4), com investimento maioritariamente em plantação e equipamento (4) e uma componente de rega gota-a-gota (2), chega aos 10 pontos sem depender do critério de criação de valor. Na costa sul, o mesmo projeto precisa de mais 2 pontos, que podem vir de um pequeno sistema fotovoltaico ou de um sensor de rega.
Despesas e pagamentos
As despesas elegíveis e não elegíveis constam do Anexo I da Portaria n.º 582/2025, clarificadas no ponto 12 da OTE/2026/n.º 4. O apoio é pago por reembolso de custos efetivamente incorridos, com até dez pedidos de pagamento. Mesmo num investimento de 50.000 euros, a exploração adianta a despesa e só depois é reembolsada, o que exige planear a tesouraria antes de encomendar.
A lista final de decisões é publicada no portal do PEPAC R.A. Madeira. Os esclarecimentos são dados pela Linha de Atendimento do PEPAC R.A. Madeira.
O que recomendamos
Com o fecho a 13 de outubro, só vale a pena avançar com orçamentos já pedidos e parcelas atualizadas no SIP. Quem não chegar a tempo deve preparar o projeto com calma para o próximo aviso da F.1.1, porque uma candidatura feita à pressa costuma falhar no VAL ou no cálculo do VAB.
Antes de fechar o orçamento, vale a pena simular a VGO. Os critérios A1, B1 e C2 premeiam componentes de custo moderado (fotovoltaico, sensores, rega localizada) que, num investimento de 60.000 ou 80.000 euros, podem ser a diferença entre ficar acima ou abaixo do limiar de seleção. Com 1,8 milhões de euros e uma taxa de 60%, a dotação chega para cerca de 30 projetos no teto do escalão (ou várias dezenas de projetos mais pequenos). A competição tende a concentrar-se nos melhor pontuados.
Para investimentos perto dos 100.000 euros, a escolha entre esta ação e a F.1.1.3 é relevante: aqui a taxa é mais alta e a localização pesa mais. Ser membro de uma organização de produtores ou estar em produção integrada vale 5 pontos de taxa, um benefício que muitos agricultores elegíveis não reclamam por desconhecimento.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]