O que é o Prémio Excelência BIM
O Prémio Excelência BIM é uma distinção anual promovida pela CT 197 (BIM), a comissão técnica de normalização dedicada ao Building Information Modeling, em parceria com o BUILT CoLAB e a PTPC (Plataforma Tecnológica Portuguesa da Construção / Cluster AEC). Distingue organizações e projetos que estão a contribuir de forma ativa para a transformação digital do setor da Arquitetura, Engenharia e Construção em Portugal.
Mais do que celebrar casos isolados, o prémio funciona como referencial de maturidade digital. Cada edição valoriza a adoção da metodologia BIM, a gestão estruturada da informação ao longo do ciclo de vida do edifício e a interoperabilidade entre intervenientes. Ao distinguir boas práticas alinhadas com normas existentes, ajuda a fixar um padrão comum num setor historicamente fragmentado na forma como produz e partilha informação.
A edição de 2026 acompanha a evolução da própria indústria. À medida que a digitalização deixa de ser exceção e passa a expectativa, o painel desloca o foco para temas mais exigentes: interoperabilidade aberta, inovação tecnológica associada ao BIM e o modo como a informação é gerida em obra e na fase de operação.
Necessidades que este instrumento resolve
O Prémio Excelência BIM cruza duas lógicas distintas: é simultaneamente um marco no percurso de digitalização de uma organização e uma alavanca de reputação no ecossistema da construção. Para uma empresa do setor AEC, candidatar-se obriga a documentar e estruturar a sua prática BIM, o que tem valor mesmo antes de qualquer resultado.
- Digitalização e IA: o prémio premeia precisamente a adoção de BIM, a interoperabilidade openBIM e a gestão digital da informação ao longo do projeto e da construção. Preparar a candidatura força a organização a consolidar processos, modelos e fluxos de dados que de outro modo permaneceriam dispersos.
- Prémios e visibilidade: uma distinção avaliada por um painel de 14 especialistas nacionais e internacionais confere credibilidade junto de donos de obra, parceiros e mercado. Para empresas que concorrem a contratos onde a maturidade digital é cada vez mais critério, esse reconhecimento é um ativo comercial concreto.
As seis categorias da edição 2026
A edição 2026 está organizada em seis categorias, desenhadas para cobrir toda a cadeia de valor da construção, desde a contratação até à gestão do edifício já construído. Esta segmentação permite que intervenientes muito diferentes, de donos de obra a equipas de projeto e de construção, concorram em condições adequadas ao seu papel.
- Donos de Obra: Contratação e Gestão. Como a procura define requisitos BIM e gere a informação dos seus ativos.
- Coordenação e Projeto. A produção e coordenação de modelos nas fases de conceção.
- Planeamento e Construção. A passagem do modelo à obra e o uso do BIM em estaleiro.
- Gestão do Ambiente Construído. A informação ao serviço da operação e manutenção do edificado.
- Interoperabilidade: openBIM. O uso de formatos e fluxos abertos entre sistemas e disciplinas.
- Inovação Tecnológica em BIM. Soluções e abordagens que empurram a fronteira técnica do setor.
Um júri com peso académico e internacional
A avaliação fica a cargo de um painel de 14 especialistas de instituições nacionais e internacionais. Integram o júri o LNEC, centros académicos como o IST, a FEUP, a Universidade do Minho e o ISEP, ordens profissionais, representantes da buildingSMART e universidades de Espanha, Brasil e Reino Unido.
Esta composição importa por duas razões. A presença de normalizadores e de centros de investigação significa que a avaliação privilegia rigor metodológico e alinhamento com referenciais, não apenas o efeito visual de um modelo. E a dimensão internacional do painel coloca as práticas portuguesas em comparação com o que se faz lá fora, o que eleva a exigência do que é considerado excelente.
Quem se deve candidatar
O prémio está aberto a organizações e projetos que implementam a metodologia BIM no setor AEC. Abrange desde donos de obra públicos e privados que estruturam a contratação em torno de requisitos digitais, até gabinetes de projeto, empresas de construção e equipas de gestão de ativos. A elegibilidade específica de cada candidatura é definida por categoria no regulamento oficial.
Importa um esclarecimento sobre a natureza do prémio. Nas fontes consultadas não consta atribuição de valor pecuniário: trata-se de uma distinção de reconhecimento setorial, não de um apoio financeiro. O retorno é reputacional e estratégico, materializa-se em posicionamento, diferenciação e visibilidade junto de quem contrata.
O que recomendamos
Para uma empresa do setor da construção, a decisão de concorrer ao Prémio Excelência BIM não se resume à hipótese de ganhar. O exercício de preparar a candidatura é, por si só, um diagnóstico útil da maturidade digital interna, porque obriga a sistematizar processos, modelos e fluxos de informação que raramente estão documentados de forma coerente.
O erro mais comum é tratar a candidatura como uma peça de comunicação. Dado o peso de normalizadores e centros de investigação no júri, o que pesa é a robustez metodológica: como a informação é estruturada, como circula entre disciplinas e como sustenta decisões. Escolher a categoria certa, alinhada com o papel real da organização no projeto, é igualmente determinante, candidatar a melhor caso na categoria errada desperdiça um bom trabalho.
Recomendamos olhar para esta distinção como parte de uma estratégia mais ampla de digitalização, articulada com instrumentos que financiam efetivamente o investimento em tecnologia e I&D. O reconhecimento abre portas; são os incentivos à digitalização e à inovação que pagam a transformação que o sustenta.
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