Este instrumento encontra-se encerrado. As candidaturas já não estão abertas.
Enquadramento

O que é este aviso

O Programa Sustentável 2030 abriu o aviso FA0285/2025 com uma dotação de 743 mil euros para a reabilitação da aerogare do aeródromo de São Jorge, nos Açores. A operação está enquadrada na prioridade de mobilidade e conectividade do programa, com candidaturas até 31 de agosto de 2026. O destinatário previsto é a entidade gestora regional das infraestruturas aeroportuárias açorianas, a SATA Gestão de Aeródromos, na qualidade de operadora dos aeródromos regionais que asseguram a ligação entre as nove ilhas.

A aerogare é a infraestrutura central de qualquer aeródromo. É onde passageiros são processados, bagagens são tratadas, há equipamentos de segurança e onde se concentra a interface entre a operação aeronáutica e o serviço público de transporte aéreo. Em São Jorge, a aerogare existente apresenta sinais de envelhecimento que justificam intervenção integrada para manter a qualidade do serviço aos cerca de 9 mil habitantes da ilha e aos visitantes que dela dependem.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

A operação responde a duas necessidades estratégicas: reforçar a conectividade interilhas e garantir investimento de capital em infraestruturas de mobilidade pública num território onde o transporte aéreo é a alternativa única quando o mar não permite a deslocação. Para uma ilha pequena, a aerogare não é uma instalação acessória, é a porta de entrada efetiva no sistema nacional e europeu de transportes.

  • Investimento produtivo público: a reabilitação implica obras estruturais, modernização técnica e atualização de sistemas com vida útil longa. Trata-se de capital fixo público com lógica de serviço, claramente alinhado com a definição de investimento produtivo do FEDER.
  • Sustentabilidade, energia e clima: intervenções de modernização permitem incorporar soluções de eficiência energética (iluminação LED, climatização eficiente, painéis solares fotovoltaicos, melhor isolamento térmico) que reduzem a pegada operacional da infraestrutura ao longo dos próximos 20 a 30 anos. Em RUP, esta dimensão é particularmente valorizada.
Tipologias Elegíveis

O que pode ser financiado

A operação cobre o conjunto de intervenções típicas de uma reabilitação aeroportuária de média dimensão, com foco em melhoria do edifício existente e respetiva integração funcional:

  • Reabilitação estrutural e funcional: obras nas componentes construtivas do edifício, reorganização funcional dos espaços de receção, salas de embarque, áreas técnicas e sanitárias, segundo padrões atuais de serviço.
  • Modernização de sistemas técnicos: climatização, iluminação, sistemas de informação ao passageiro, controlo de bagagens, equipamentos de segurança, em conformidade com requisitos europeus aplicáveis.
  • Eficiência energética: intervenções de envolvente (isolamentos, vãos, sombreamentos), integração de energias renováveis, sistemas de gestão técnica do edifício, contadores inteligentes.
  • Acessibilidades: adaptação da aerogare aos requisitos de acessibilidade universal (pessoas com mobilidade reduzida, deficientes sensoriais), incluindo sinalética e equipamentos auxiliares.
  • Equipamentos e mobiliário: renovação de mobiliário de espera, balcões, equipamentos de check-in, sistemas de pesagem e processamento de bagagens.
743K
EUR de dotação
9mil
Habitantes de São Jorge
31/08
Prazo (2026)
Elegibilidade

Quem se pode candidatar

O aviso é dirigido à entidade pública gestora do aeródromo de São Jorge. Nos Açores, os aeródromos regionais (Pico, São Jorge, Graciosa, Corvo) são geridos pela SATA Gestão de Aeródromos, sociedade pública do Governo Regional. O aviso prevê, portanto, um beneficiário tipicamente único: a entidade com competência institucional sobre a infraestrutura, ainda que possa subcontratar empreiteiros, consultores de projeto e fornecedores especializados na execução da obra.

Esta lógica de beneficiário único é frequente em avisos infraestruturais regionais, onde existe um operador público específico com mandato legal sobre o ativo. A candidatura deve demonstrar capacidade técnica e financeira para executar a operação no prazo do programa, alinhamento com o plano de investimento do operador e enquadramento nos objetivos de mobilidade regional definidos pelo Sustentável 2030.

O contexto Sustentável 2030
O Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (Sustentável 2030) é um programa temático nacional que financia ambiente, sustentabilidade e mobilidade. Não é um programa regional, mas operações localizadas em RUP (Açores, Madeira) podem aceder a este programa quando a sua natureza é nacional ou complementar dos programas regionais. A aerogare de São Jorge enquadra-se nesta lógica: é mobilidade pública nacional executada em território RUP.
Dimensão Estratégica

Porque a aerogare de São Jorge importa

São Jorge é uma das nove ilhas dos Açores, parte do grupo central juntamente com Faial, Pico, Graciosa e Terceira. Tem cerca de 9 mil habitantes e uma economia tradicionalmente assente em agricultura, pecuária leiteira e, mais recentemente, turismo de natureza. A acessibilidade aérea é determinante para todas estas atividades: para os residentes que precisam de saúde, educação ou serviços não disponíveis na ilha, e para os visitantes que constituem cada vez mais uma fatia relevante da economia local.

Aerogares em ilhas pequenas têm padrões de utilização particulares: picos de ocupação concentrados em poucas horas por dia, sensibilidade extrema a condições meteorológicas, exigência de funcionamento permanente de equipamentos de segurança e meteorologia. Modernizar a aerogare não é só estética, é assegurar fiabilidade operacional e melhorar a resiliência da ligação interilhas a eventos climáticos cada vez mais frequentes.

A componente de eficiência energética numa aerogare RUP tem dimensão estratégica adicional. Os Açores dependem maioritariamente de geradores térmicos para a sua produção elétrica, com custos por kWh significativamente superiores aos do continente. Reduzir o consumo do edifício e integrar produção fotovoltaica não é apenas ambientalmente positivo, é economicamente racional, libertando recursos operacionais para outras prioridades regionais.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Para a entidade gestora dos aeródromos açorianos e para a estrutura técnica regional que apoia a candidatura, este é um aviso onde a preparação técnica é determinante. A dotação de 743 mil euros sugere uma obra de média dimensão. O risco de derrapagens em obra é real e o programa não tem flexibilidade para suportar custos não elegíveis significativos. Daí a importância de orçamentar com margem realista e de antecipar potenciais imprevistos arqueológicos, geotécnicos ou de logística insular.

A componente de sustentabilidade ambiental e energética deve ser estruturante, não acessória. Uma reabilitação que se limite a renovar componentes existentes sem incorporar lógica de descarbonização perde uma oportunidade material e arrisca penalização na avaliação. Recomendamos um plano explícito de eficiência energética com estimativas de poupança em consumo elétrico anual, integração fotovoltaica dimensionada e estratégia de gestão técnica do edifício.

Por último, a articulação com outras intervenções no aeródromo (pista, plataforma, equipamentos de navegação aérea, segurança operacional) deve ser explicitada na candidatura. Uma aerogare modernizada num aeródromo com outras infraestruturas envelhecidas tem benefícios limitados. Demonstrar visão integrada do conjunto do ativo, mesmo que outras intervenções venham a ser financiadas por outros instrumentos, reforça a coerência estratégica da operação.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]