O instrumento

O que é o SPIN: Rise

O SPIN: Rise é um programa híbrido de pré-incubação e criação de empresas promovido pela comunidade 28DIGITAL, uma das Comunidades de Conhecimento e Inovação do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia. Dirige-se a investigadores de deep tech que querem perceber como o seu trabalho científico pode gerar impacto fora da academia. As candidaturas da edição de 2026 encerram a 5 de setembro.

O programa combina formação online, coaching personalizado e um bootcamp presencial imersivo num polo europeu de inovação. Ao longo do percurso, os participantes exploram caminhos de valorização de propriedade intelectual e de tecnologia, do licenciamento à colaboração com a indústria e à criação de empresa, enquanto desenvolvem competências empreendedoras para traduzir investigação em aplicação real.

A participação é gratuita para os selecionados, incluindo acesso a todas as atividades e alojamento durante o bootcamp presencial. As despesas de deslocação ficam a cargo de cada participante. O programa não atribui subvenção nem capital, o que o coloca na categoria de apoio técnico e não na de financiamento direto.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O SPIN: Rise situa-se no momento anterior à decisão de criar empresa, quando ainda está por decidir se a tecnologia se valoriza por licenciamento, por parceria industrial ou por spin-off. É esse trabalho de arbitragem que o programa estrutura.

  • Arranque e validação: o programa trabalha a identificação do potencial comercial da investigação, o desenho de modelos de negócio viáveis e a preparação dos primeiros passos de comercialização, incluindo a compreensão dos caminhos de financiamento disponíveis e a preparação para a entrada no mercado. Os participantes podem candidatar-se individualmente ou em equipa.
  • I&D e ciência: o objeto de trabalho é investigação de fronteira já em curso numa universidade ou organização de investigação. O foco recai sobre valorização de propriedade intelectual, licenciamento e estratégias de envolvimento com a indústria, aplicadas ao ativo científico que o investigador já detém.
Elegibilidade

Quem se pode candidatar

O programa está aberto a investigadores de deep tech cujo trabalho tenha potencial de impacto comercial. O foco declarado recai sobre investigadores em início de carreira, nomeadamente doutorandos e bolseiros de pós-doutoramento.

  • Afiliação obrigatória: os participantes têm de estar afiliados a uma universidade ou organização de investigação na União Europeia ou em país associado ao Horizonte Europa. As instituições portuguesas cumprem esta condição.
  • Candidatura individual ou em equipa: ambas as modalidades são admitidas.
  • Instituições parceiras e não parceiras: são bem-vindas candidaturas de instituições parceiras da 28DIGITAL e de quaisquer outras organizações elegíveis.
  • Lugares reservados EIC: no âmbito da colaboração entre a 28DIGITAL e o Conselho Europeu de Inovação, até cinco lugares por percurso temático estão reservados a beneficiários do EIC Pathfinder e do EIC Transition.

A avaliação das candidaturas elegíveis assenta em três elementos: o potencial do projeto, a motivação e o compromisso demonstrados, além do alinhamento da candidatura com os percursos temáticos do programa.

Percursos

Os quatro percursos temáticos de 2026

A edição de 2026 organiza-se em quatro percursos distintos, cada um centrado num domínio de inovação orientado pela indústria e conduzido por um parceiro da 28DIGITAL com competência específica nessa área. O bootcamp presencial decorre na cidade do parceiro anfitrião.

PercursoAnfitriãoBootcamp
Climate Innovation BridgeIE UniversityMadrid, Espanha
Tecnologias Emergentes e Críticas para Aeroespacial e RobóticaFondazione LINKS e FEAT VenturesTurim, Itália
Health PioneersEurasantéLille, França
Tecnologias de Duplo Uso de Nova GeraçãoPlug and Play ItalyTurim, Itália
A escolha do percurso condiciona tudo
O alinhamento com o percurso temático é um dos critérios de avaliação. Cada percurso tem anfitrião, rede de contactos e localização próprios. Uma investigação em materiais avançados para aplicações espaciais tem leitura muito diferente no percurso aeroespacial e no percurso de duplo uso, apesar de ambos decorrerem em Turim. Convém escolher pela rede a que se quer aceder.
Estrutura

O que os participantes recebem

O SPIN: Rise combina formação conduzida por especialistas, mentoria individual e aprendizagem entre pares, culminando num bootcamp presencial onde os participantes aplicam as competências adquiridas, contactam investidores e refinam os seus planos para os passos seguintes.

  • Identificação e desenvolvimento do potencial comercial da investigação, incluindo valorização de propriedade intelectual, oportunidades de licenciamento e estratégias de envolvimento com a indústria.
  • Desenho de modelos de negócio viáveis e comunicação da inovação a investidores e potenciais parceiros.
  • Navegação dos primeiros passos da comercialização da investigação, da compreensão dos caminhos de financiamento à preparação para a entrada no mercado.
  • Integração numa comunidade europeia de investigadores que trabalham a transformação de descobertas científicas em impacto real.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este é um instrumento de preparação, com valor que se mede no que vem a seguir. Para um doutorando ou pós-doutorado português com resultados de investigação com potencial comercial, o retorno mais concreto do SPIN: Rise é a clarificação da via de valorização antes de comprometer tempo e capital numa spin-off que pode não ser o melhor veículo. Licenciar a tecnologia a um parceiro industrial é frequentemente a decisão mais racional. Chegar a essa conclusão com apoio estruturado poupa anos.

O segundo retorno é a preparação para instrumentos de financiamento subsequentes. Investigadores que saem deste tipo de programa com modelo de negócio articulado e narrativa de mercado testada ficam materialmente melhor posicionados para candidaturas ao EIC Transition, a programas nacionais de valorização de conhecimento ou a rondas pré-seed. A reserva de lugares para beneficiários EIC Pathfinder e EIC Transition confirma que esse é o corredor pretendido.

Duas notas práticas. A primeira é orçamental: a participação é gratuita e o alojamento está incluído, mas a deslocação ao bootcamp fica por conta do participante. Vale a pena confirmar com a instituição de acolhimento se essa despesa é comportável por verba de projeto ou de formação, porque tende a ser esquecida na decisão de candidatar. A segunda é de calendário: com prazo a 5 de setembro de 2026, a preparação da candidatura deve começar pela leitura dos quatro percursos e pela escolha fundamentada de um deles.

Para instituições de ensino superior e centros de interface portugueses, o programa funciona como complemento gratuito às estruturas internas de transferência de tecnologia. Sinalizar o convite a doutorandos com resultados patenteáveis é uma ação de baixo custo e retorno assimétrico.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]