O que é o Co-Creation Accelerator
O Co-Creation Accelerator 2026-2027 é um convite aberto do 28DIGITAL, a comunidade de conhecimento e inovação do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia dedicada ao digital, anteriormente designada EIT Digital. O programa junta startups de deep tech a parceiros industriais para co-desenvolverem soluções para desafios reais, com foco na validação da tecnologia nuclear, no reforço do encaixe entre problema e solução, na redução de incerteza técnica e de mercado e na definição de um caminho claro para escala.
A dotação indicativa do programa é de 3,2 milhões de euros para 8 a 13 projetos, com um máximo de 250 mil euros de financiamento anual por projeto. O convite tem duas fases de corte. A primeira fecha a 8 de setembro de 2026 às 17:00 CET, com 1,5 milhões de euros disponíveis e arranque das atividades selecionadas a 16 de novembro de 2026. A segunda fase de corte ainda não tem datas nem orçamento definidos.
Há um elemento que distingue este programa da generalidade dos apoios europeus a startups e que condiciona toda a decisão de candidatar: o financiamento cobre 100% dos custos elegíveis sem exigir contrapartida financeira, mas exige uma transferência de capital social para o 28DIGITAL, entre 3,5% e 7% da empresa.
Necessidades que este instrumento resolve
O programa foi desenhado para a fase em que a tecnologia funciona em ambiente experimental mas ainda não provou que resolve o problema de um cliente industrial concreto. É esse vazio que financia, com dinheiro e com acesso a um parceiro que valida.
- Arranque e validação: o objeto financiado é a validação da tecnologia nuclear a partir de TRL 4-5, a redução de incerteza técnica e de mercado e o reforço do encaixe entre problema e solução, sempre em co-desenvolvimento com um parceiro industrial que define o desafio. O programa exclui explicitamente equipas em fase de ideia sem protótipo.
- Capitalização e crescimento: além dos 250 mil euros, o pacote inclui apoio à captação de investimento, formação intensiva através dos programas 28DIGITAL Speed Master e MentorMe, além de visibilidade junto de centenas de parceiros do ecossistema europeu do 28DIGITAL, entre empresas, setor público, investidores e academia. A contrapartida em capital social transforma o 28DIGITAL em acionista com interesse na valorização futura.
Quem se pode candidatar
As condições de elegibilidade são cumulativas e verificadas antes da avaliação de mérito. Uma falha em qualquer delas elimina a proposta sem análise de conteúdo.
| Condição | Requisito |
|---|---|
| Dimensão | Microempresa ou pequena empresa, menos de 50 trabalhadores, segundo a definição da UE |
| Sede | Constituída e a operar num Estado-Membro da UE, região ultraperiférica, PTU ou país associado ao Horizonte Europa |
| Antiguidade | Constituída entre 1 de janeiro de 2021 e a data de submissão, no máximo cinco anos |
| Maturidade tecnológica | TRL 4-5 no mínimo, com protótipo funcional ou prova de conceito validada em ambiente experimental |
| Equipa | Mínimo de 2 equivalentes a tempo inteiro |
| Propriedade intelectual | Detenção plena da larga maioria da PI do produto a que a proposta se aplica |
| Estrutura societária | Não pode ser subsidiária nem controlada por outra empresa, salvo holding não operacional criada apenas para alocação de participações de fundadores |
| Oferta de capital | Proposta de 3,5% a 7% de capital social ao 28DIGITAL |
A candidatura tem de ser submetida em inglês, através do sistema do 28DIGITAL, com número PIC válido obtido no Portal de Financiamento e Concursos da UE. Inclui ainda um vídeo de pitch de até 90 segundos. Respeitar o limite de páginas é condição de admissibilidade, porque as páginas em excesso não são consideradas pelos avaliadores.
As duas vias de candidatura
O programa é orientado por desafios. A forma como o desafio chega à candidatura define a via.
- Industry Challenge Track: a startup candidata-se a desafios pré-definidos, desenvolvidos com parceiros corporativos do 28DIGITAL, que refletem necessidades e casos de uso industriais concretos. Os desafios são publicados em contínuo ao longo do convite.
- Open Challenge Track: a startup candidata-se com o seu próprio parceiro corporativo e define conjuntamente com ele o desafio a resolver, dentro dos domínios estratégicos do 28DIGITAL. Exige descrição detalhada do desafio e prova documental do compromisso do parceiro, tipicamente uma carta de intenções assinada.
Como o financiamento funciona
O apoio assume a forma de reembolso de custos reais declarados no orçamento da proposta, com uma taxa de cobertura de 100% dos custos elegíveis. Não é exigido cofinanciamento pelo beneficiário. O pagamento faz-se em duas prestações: um pré-financiamento de 60% no arranque da atividade, sujeito ao cumprimento de todos os requisitos contratuais, seguido do saldo de 40% após submissão e aprovação do relatório final.
O pagamento final está condicionado à conclusão satisfatória da atividade, incluindo o cumprimento dos objetivos acordados, dos indicadores de desempenho e da qualidade dos entregáveis. Execução incompleta, indicadores não atingidos ou entregáveis insuficientes podem reduzir o saldo.
Do lado dos custos, aplicam-se as categorias do modelo de convenção de subvenção do Horizonte Europa: pessoal, subcontratação, aquisições, outras categorias e custos indiretos, estes últimos a uma taxa fixa de 25% sobre os custos diretos elegíveis, com as exclusões habituais. O apoio financeiro a terceiros não é permitido neste convite. A subcontratação tem de estar explicitamente definida na proposta e respeitar as regras de relação qualidade-preço e de prevenção de conflitos de interesse. Recomenda-se um compromisso mínimo de 0,2 equivalentes a tempo inteiro por parceiro e por líder ou contribuidor de tarefa.
Três portas de avaliação e uma entrevista
O processo é mais exigente do que a média dos convites do EIT. Após verificação de admissibilidade e elegibilidade, cada proposta atravessa três portas de avaliação sequenciais, seguidas de entrevistas de due diligence obrigatórias e de uma reunião final de consenso que estabelece a classificação definitiva.
| Porta | Quem avalia | Pontuação e limiar |
|---|---|---|
| Review Gate | Pelo menos três avaliadores externos independentes | Excelência, impacto e qualidade da execução, 20 pontos cada. Limiar de 42 em 60. |
| Challenge Gate | Peritos temáticos do 28DIGITAL | Encaixe no desafio, 20 pontos. Limiar de 14 em 20. |
| Management Committee Gate | Comité de Gestão do 28DIGITAL | Encaixe estratégico no portefólio, 30 pontos. Limiar combinado de 77 em 110. |
Os cinco critérios têm peso igual de 20% cada. O critério de encaixe estratégico avalia se a empresa tem potencial para gerar valor para a sustentabilidade financeira do 28DIGITAL, se a transferência de capital proposta está alinhada com a maturidade da empresa, se a empresa encaixa no portefólio de participações, se há alinhamento com os domínios estratégicos (deep tech, tecnologia estratégica para a Europa e tecnologia verde) e se a solução assenta em tecnologia digital avançada.
O calendário da primeira fase de corte prevê comunicação de propostas não elegíveis a 9 de setembro, convite para entrevistas de due diligence a 8 de outubro, entrevistas a 12 e 13 de outubro, resposta final a 15 de outubro e um período de standstill até 15 de novembro, com arranque das atividades no dia seguinte.
O que recomendamos
A primeira decisão é aritmética. Antes de escrever uma linha da proposta, a empresa deve calcular a avaliação implícita que a oferta de capital representa e compará-la com o que obteria numa ronda pré-seed ou seed no mercado. Quando a avaliação implícita é superior ao que o mercado paga hoje, o instrumento é competitivo. Quando é inferior, os 250 mil euros custam mais caro do que capital privado. A decisão passa então a depender do valor não financeiro do programa: o acesso ao parceiro industrial, a validação reputacional e a rede europeia.
O segundo ponto é o parceiro de desafio. Na Open Challenge Track, o compromisso documentado do parceiro industrial é condição de submissão. O critério de excelência avalia se o papel e o nível de envolvimento desse parceiro estão claramente definidos e são credíveis ao longo do projeto. Uma carta de intenções genérica não sustenta esse critério. Recomendamos negociar com o parceiro um âmbito de validação concreto, com pessoas identificadas e acesso a dados ou instalações, antes de submeter.
O terceiro é a estrutura societária. A exigência de detenção plena da larga maioria da propriedade intelectual do produto e a proibição de a empresa ser controlada por outra sociedade excluem estruturas comuns em spin-offs académicas, onde a universidade mantém posição relevante na PI ou no capital. Empresas nessa situação devem clarificar a titularidade antes de investir tempo na candidatura, porque a correção posterior é lenta e envolve terceiros.
Por fim, uma nota sobre o encaixe estratégico. O critério que pesa mais em pontos absolutos, 30 em 110, avalia o interesse do 28DIGITAL como acionista, não a qualidade intrínseca do projeto. Propostas tecnicamente excelentes em domínios pouco alinhados com deep tech, tecnologia estratégica europeia ou tecnologia verde passam as duas primeiras portas e caem na terceira. Vale a pena testar esse alinhamento com a equipa do 28DIGITAL antes de comprometer recursos com a candidatura.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]