O que é

Apoio à produção de obras para televisão e streaming

O concurso CREA-MEDIA-2027-TVONLINE é a linha da vertente MEDIA do programa Europa Criativa que financia a produção de obras destinadas a difusão linear e não linear: canais de televisão, serviços a pedido e plataformas digitais. É gerido pela EACEA e divide-se em três tópicos com o mesmo documento de concurso, as mesmas regras e os mesmos prazos, que esta ficha trata em conjunto.

O objetivo é reforçar a capacidade dos produtores independentes face a difusores e plataformas, estimular coproduções entre países com capacidades audiovisuais diferentes e pôr em circulação obras com potencial europeu e internacional. Há atenção especial a projetos com aspetos inovadores no conteúdo e no modelo de financiamento, ligados de forma clara à estratégia de distribuição.

O orçamento é de 23,3 milhões de euros, repartido indicativamente em 40% para o primeiro corte (10 de fevereiro de 2027) e 60% para o segundo (15 de setembro de 2027). O concurso abriu a 30 de setembro de 2026 e depende da aprovação final do orçamento da UE para 2027.

Os três tópicos

Animação, documentário e ficção

TópicoFormatoDuração mínimaOrçamento
TVONLINE-1Animação, obra única ou série24 minutos no total5 825 000 €
TVONLINE-2Documentário criativo, obra única ou série50 minutos no total1 864 000 €
TVONLINE-3Ficção (drama), obra única ou série90 minutos no total15 611 000 €

Pelo menos 25% do orçamento está reservado a animação e 8% a documentário. A Comissão reserva-se o direito de redistribuir verbas entre tópicos em função das candidaturas recebidas. Uma série pensada com distribuição e marketing conjuntos tem de ser candidatada como série: os episódios não podem ser divididos em candidaturas separadas.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O apoio entra no plano de financiamento de uma produção que já tem difusores e cofinanciadores comprometidos. Fecha a estrutura financeira e premeia quem a construiu com parceiros de vários países.

  • Capitalização e crescimento: o montante fixo, que pode chegar a 2 milhões de euros, reforça a produtora face a difusores e plataformas e ajuda-a a reter direitos que de outra forma teria de ceder.
  • Internacionalização: a dimensão europeia do financiamento, a coprodução entre países e o potencial de audiência internacional valem em conjunto mais de metade da pontuação.
Quem pode aceder

Produtoras independentes com a obra já financiada em parte

Só são elegíveis produtoras audiovisuais europeias independentes, estabelecidas num país que participe plenamente na vertente MEDIA e detidas maioritariamente por nacionais desses países. Independente significa não ser controlada por um prestador de serviços de comunicação social: o controlo existe quando um único difusor detém mais de 25% do capital, ou mais de 50% quando são vários. A candidatura pode ser individual ou em consórcio.

As condições de elegibilidade do projeto são exigentes e eliminam muitas candidaturas antes da avaliação:

  • Momento da candidatura: até ao primeiro dia de rodagem principal (ou de início da animação).
  • Dois difusores: participação de pelo menos dois difusores ou serviços a pedido de dois países MEDIA, com contrato ou carta de compromisso vinculativa que indique preço e período de licença. Cartas de interesse não contam.
  • Reversão de direitos: os direitos licenciados aos difusores revertem para o produtor ao fim de 7 anos em pré-venda ou 10 anos em coprodução.
  • 40% de terceiros: pelo menos 40% do orçamento de produção assegurado por fontes externas (difusores, distribuidores, fundos, investidores). O investimento próprio e o apoio MEDIA não contam.
  • Participação europeia: mais de 50% dos pontos de uma grelha de funções criativas e locais de produção atribuídos a profissionais de países MEDIA.
Projetos excluídos
Não são elegíveis gravações ao vivo, concursos, talk shows, programas de culinária, magazines, reality shows, programas educativos, documentários de promoção turística, making-of, reportagens, programas de informação, docu-soaps, videoclips, obras promocionais ou institucionais e obras pensadas para cinema. Também ficam de fora projetos já financiados pelo Eurimages, com exceção do programa-piloto de coprodução de séries do Conselho da Europa.
Quanto vale

O montante é fixado pelo orçamento de produção

Ao contrário de outros concursos MEDIA, aqui o produtor não escolhe o valor a pedir. O montante fixo é determinado pelo escalão do orçamento total de produção:

Orçamento total de produçãoMontante fixo
Até 500 000 €70 000 €
500 000 a 800 000 €100 000 €
800 000 a 1 000 000 €150 000 €
1 a 1,5 M€220 000 €
1,5 a 2 M€300 000 €
2 a 3 M€400 000 €
3 a 10 M€500 000 €
10 a 20 M€1 000 000 €
Mais de 20 M€2 000 000 €

Após a assinatura, a produtora recebe normalmente um pré-financiamento de 70% e o saldo no fim, sem pagamentos intercalares. Os projetos não devem exceder 36 meses.

Como é avaliado

Financiamento europeu e distribuição pesam tanto como a obra

30
Relevância
35
Qualidade
5
Gestão
30
Disseminação

A relevância avalia sobretudo a dimensão europeia do financiamento (15 pontos): cooperação entre operadores de vários países, percentagem de financiamento não nacional, originalidade da estrutura financeira e diversidade geográfica e linguística dos parceiros. A qualidade junta o valor artístico (15) ao potencial de audiência europeia e internacional (15), incluindo públicos jovens. A disseminação mede o envolvimento do distribuidor (incluindo o mínimo garantido que arrisca) e a coerência da estratégia de vendas. O limiar é de 70 pontos em 100 e a Parte B tem um máximo de 70 páginas.

Portugal é país de baixa capacidade
No critério de coprodução europeia, a cooperação entre países de dimensões de mercado diferentes é valorizada, em particular com um parceiro de um país de baixa capacidade audiovisual. Portugal integra o Grupo A desses países, ao lado da Croácia, Chéquia, Estónia, Grécia, Polónia e Roménia. Uma produtora portuguesa é, por isso, um coprodutor procurado por projetos de mercados maiores.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este concurso serve o fecho do plano de financiamento. Uma produtora portuguesa que ainda não tem dois difusores comprometidos por escrito, com preço e período de licença, nem 40% do orçamento assegurado por terceiros, não está pronta para candidatar. O trabalho a fazer antes é a negociação de pré-vendas e coproduções, idealmente com um difusor nacional e outro de um mercado diferente.

A escolha do corte também é estratégica. O primeiro, a 10 de fevereiro de 2027, tem 40% do orçamento e exige que a rodagem ainda não tenha começado. Para projetos com rodagem prevista para a primavera ou o verão de 2027, é o único que serve. O segundo, a 15 de setembro, tem mais verba mas dá menos margem a quem precisa de filmar antes.

Para a animação e o documentário, as quotas mínimas (25% e 8% do orçamento) reduzem a concorrência com a ficção. A animação portuguesa tem reconhecimento internacional e cabe bem no tópico 1, onde a localização dos estúdios de animação na Europa é avaliada. Nas coproduções, o estatuto de país de baixa capacidade dá às produtoras portuguesas margem para negociar uma parte justa do apoio MEDIA.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]