O que é

Parceria plurianual para ONG de saúde pública europeia

O EU4H-2024-OG-FPA é uma chamada para Acordos de Parceria Quadro (Framework Partnership Agreements) destinada a organizações não governamentais ativas no domínio da saúde pública ao nível europeu. O FPA cobre dois anos (2025-2026) e constitui a base para receber subvenções de funcionamento anuais (Specific Grant Agreements) durante esse período.

As subvenções de funcionamento ao abrigo do EU4Health financiam o orçamento operacional das ONG — não projetos específicos — permitindo que estas mantenham atividades contínuas de literacia em saúde, capacitação, advocacy junto de instituições europeias e ligação com doentes e comunidades vulneráveis.

A chamada foi lançada em março de 2024 com prazo de submissão em junho de 2024. O ciclo está encerrado. As organizações com FPA assinado estão a executar as suas atividades para 2025-2026.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O EU4Health FPA responde a duas necessidades complementares no ecossistema das ONG de saúde pública europeia:

  • Impacto social e inclusão: as ONG de saúde financiadas pelo EU4Health trabalham com grupos vulneráveis — doentes com doenças raras, populações com doenças crónicas, grupos expostos a fatores de risco como tabaco, álcool e má nutrição. As subvenções de funcionamento permitem que estas organizações mantenham capacidade de resposta independente de ciclos de projeto, o que é essencial quando se trata de comunidades com necessidades permanentes.
  • I&D e ciência: parte significativa das atividades financiáveis inclui a produção de investigação, análise de políticas e conexão entre ciência aplicada e decisão política. Para think tanks de saúde e associações de investigadores clínicos, o EU4Health FPA é um mecanismo central de sustentabilidade.
Contexto: o papel das ONG na saúde pública europeia
A Comissão Europeia reconhece que as ONG de saúde desempenham um papel insubstituível no apoio direto a doentes e na ponte entre investigação, políticas e cidadãos. Durante a pandemia de COVID-19, muitas foram a primeira linha de resposta para grupos vulneráveis. A continuidade do seu financiamento operacional é uma prioridade estratégica do programa EU4Health.
Elegibilidade

Quem pode candidatar-se ao EU4Health FPA

Os requisitos de elegibilidade são cumulativos e exigentes. A organização candidata deve demonstrar, no momento da candidatura:

Critério Requisito
Natureza jurídica Organização sem fins lucrativos; receitas que excedam despesas comprometidas com o propósito da organização
Independência do setor privado Não mais de 30% do financiamento de fontes privadas (ou, se entre 30-50%, demonstrar que não há influência dos doadores privados na governação)
Atividade em saúde pública Ativa no domínio da saúde pública, com pelo menos um objetivo específico do Regulamento EU4Health
Dimensão europeia Ativa ao nível europeu em pelo menos metade dos Estados-Membros, com cobertura geográfica equilibrada
Papel efetivo Demonstrar papel efetivo ao nível da UE: influência em políticas, conexão com instituições, membros em vários EM
Ausência de conflito de interesses Independência da indústria e ausência de conflito de interesses na gestão e órgãos de decisão

As candidaturas são individuais (mono-beneficiário). Não são admitidos consórcios neste instrumento.

Atividades financiáveis

O que o FPA pode cobrir

As subvenções de funcionamento EU4Health cobrem as atividades operacionais das ONG diretamente relacionadas com os objetivos do programa. As áreas prioritárias definidas para este ciclo incluem:

  • Literacia em saúde e promoção da saúde: materiais didáticos, webpages, ferramentas para escolas e comunidades
  • Capacitação e formação: atividades de redução do impacto de fatores de risco para doenças não transmissíveis (tabaco, álcool, obesidade, inatividade física)
  • Comunicação e disseminação: produção de conteúdos, publicações, materiais para profissionais de saúde
  • Doenças raras e grupos vulneráveis: acesso a diagnóstico, cuidados especializados e medicamentos; representação de doentes em plataformas europeias
  • Saúde mental: promoção de ações que abordem o impacto colateral de crises de saúde em populações vulneráveis
  • Colaboração com organismos internacionais: OMS e outras organizações com mandato de saúde global
Atenção: orçamento indicativo não disponível
O regulamento é explícito: o orçamento indicativo para 2025 e 2026 não estava disponível no momento do lançamento da chamada. O montante das subvenções SGA anuais é determinado com base nos planos de trabalho aprovados de cada organização, dentro dos limites definidos pela HaDEA em cada ciclo anual.
Critérios de avaliação

Como são avaliadas as candidaturas

A avaliação segue três critérios com ponderações distintas:

  • Relevância (30 pontos): clareza e coerência dos objetivos com as prioridades do tópico; dimensão europeia e potencial de replicabilidade nos países elegíveis; contribuição para o contexto legislativo e estratégico da UE em saúde.
  • Qualidade (60 pontos combinados): design do projeto e metodologia de implementação (30 pontos); qualidade da equipa e dos procedimentos de cooperação interna (30 pontos).
  • Impacto (10 pontos): ambição e impacto esperado a longo prazo nos grupos-alvo; estratégia de disseminação e sustentabilidade após o financiamento.

O limiar global de aprovação é 70/100, com limiares individuais de 21/30 em cada critério de qualidade e relevância, e 7/10 em impacto. Propostas abaixo de qualquer limiar individual são rejeitadas mesmo que a pontuação global seja suficiente.

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O que recomendamos

O EU4Health FPA é um dos instrumentos europeus de financiamento mais estáveis para ONG de saúde com dimensão europeia genuína. O critério de independência financeira do setor privado é um filtro real: organizações fortemente dependentes de financiamento da indústria farmacêutica ou de dispositivos médicos têm dificuldade em cumprir os limiares exigidos.

Para organizações portuguesas de saúde, o caminho de acesso passa quase sempre pela participação em redes europeias com FPA (como a ECPC, EPF, CPME ou equivalentes) antes de uma candidatura própria. A dimensão europeia exigida — presença ativa em pelo menos metade dos Estados-Membros — é uma barreira real para organizações de base nacional sem redes consolidadas.

Quem está a ponderar uma candidatura ao próximo ciclo deve começar já a construir as evidências de impacto europeu: relatórios de atividades, listagem de membros por país, registos de participação em fóruns europeus e colaborações com a Comissão. Esses documentos são obrigatórios e a sua qualidade distingue candidaturas sólidas de propostas formalmente elegíveis mas fracas na avaliação.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]