Este instrumento encontra-se encerrado. As candidaturas já não estão abertas.
Enquadramento

A peça que falta na economia circular madeirense

O aviso M2030-2026-15 do Programa Regional da Madeira 2021-2027 mobiliza 2,95 milhões de euros do FEDER para intervenções nos sistemas de gestão de resíduos urbanos em "baixa", ou seja, na recolha. É o complemento operacional aos investimentos em "alta" (tratamento, valorização, aterro) e responde a um problema estrutural: sem recolha seletiva robusta, os investimentos em tratamento e valorização perdem eficácia.

O aviso enquadra-se no Objetivo Específico RSO2.6 do Madeira 2030, "Promover a transição para uma economia circular e eficiente na utilização dos recursos", e está alinhado com o Decreto-Lei n.º 102-D/2020, a Agenda Regional para a Economia Circular e a Estratégia de Resíduos da Madeira. A janela de candidatura é curta: 30 dias entre 14/05/2026 e 12/06/2026 às 17h00.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O M2030-2026-15 é estritamente um instrumento de transição para a economia circular, dirigido a entidades públicas com responsabilidade direta sobre a recolha de resíduos.

  • Sustentabilidade, energia e clima: o aviso aposta na valorização de resíduos, redução da deposição em aterro, aumento da recolha seletiva e da reciclagem, e circularidade dos recursos. As candidaturas têm de evidenciar contributo mensurável para a melhoria da recolha seletiva no território servido pelo beneficiário.
Dotação e condições financeiras

Quanto e em que termos

2,95M€
Dotação total FEDER
85%
Taxa máxima FEDER
200K€
Custo mínimo por operação

A taxa de cofinanciamento FEDER é de 85% do custo elegível. A contribuição pública nacional de 15% é assegurada pelo beneficiário. Não serão aprovadas operações com custo total inferior ou igual a 200.000 euros, o que filtra microintervenções e força candidaturas com escala mínima. A classificação final tem de atingir pelo menos 3,00 pontos nos critérios de seleção definidos no aviso.

Os apoios são concedidos sob a forma de subvenção a custos reais. Não há regime de auxílios de Estado aplicável, dado o caráter estritamente público da política de gestão de resíduos.

Elegibilidade

Quem se pode candidatar

São elegíveis duas categorias de entidades:

  • Administração Pública Regional com responsabilidade dos sistemas em baixa de recolha de resíduos.
  • Administração Pública Local (municípios e freguesias), com uma exclusão importante: municípios abrangidos pelos Instrumentos Territoriais Integrados (ITI) não podem candidatar-se a este aviso. Estes municípios têm acesso a verba dedicada nos respetivos ITI e o aviso evita a sobreposição.

Geograficamente, o aviso restringe-se à NUTS II Região Autónoma da Madeira. Não são elegíveis intervenções fora do território da RAM.

Ações elegíveis

O que o FEDER paga

  • Recolha seletiva multimaterial: expansão, modernização e otimização da rede e equipamentos, incluindo construção de ecocentros e eco-ilhas.
  • Compostagem comunitária: implementação de centros de compostagem ao nível da comunidade local.
  • Sistemas PAYT, SAYT e RAYT: pay as you throw, save as you throw e receive as you throw, modelos tarifários que ligam o custo da gestão de resíduos ao comportamento individual de cada produtor.
  • Embalagens reutilizáveis: sistemas de uso e devolução de embalagens, alternativa às descartáveis em circuitos locais.
  • Otimização tecnológica da recolha: sistemas de monitorização e interfaces digitais com utilizadores para recolha de biorresíduos e materiais recicláveis.
  • Recolha de biorresíduos: implementação de novos circuitos, equipamento e logística para fluxo orgânico.
  • Frota de recolha seletiva: ampliação e renovação. Atenção: não pode ser a principal ação da candidatura. O aviso recusa candidaturas que sejam essencialmente compra de viaturas.
Filtro contra "candidatura de viaturas"
A frota de recolha não pode dominar o investimento. Esta restrição obriga a candidaturas integradas onde os veículos servem um sistema maior: ecocentros, contentorização inteligente, novo circuito PAYT ou de biorresíduos. Substituir frota antiga sem reformular o modelo de recolha não passa.
Maturidade exigida

O que tem de estar pronto à data da candidatura

  • Procedimento de contratação pública publicado para a componente de maior expressão financeira, ou alternativamente apresentação das peças do procedimento aprovadas.
  • Início de execução em 90 dias após a aprovação da candidatura, comprovado por pedido de pagamento com despesa executada.
  • Orçamentos detalhados por atividade, incluindo evidência da consulta preliminar dos procedimentos de contratação.

A duração máxima das operações é de 24 meses contados da data de assinatura do termo de aceitação. O aviso impõe um ritmo apertado: 30 dias para submeter, 90 dias após aprovação para começar a executar, 24 meses para concluir.

Calendário

Janela curta, 30 dias

MarcoData
Abertura14/05/2026
Termo12/06/2026 às 17h00
Início de execução obrigatórioAté 90 dias após aprovação
Duração máxima da operação24 meses
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O M2030-2026-15 é um aviso bem dimensionado para um problema regional concreto. A dotação de 2,95 milhões de euros distribuída em operações com custo mínimo de 200 mil euros permite financiar entre 6 e 15 projetos estruturantes em todo o território da RAM. Para municípios e entidades regionais com responsabilidade direta sobre recolha, a oportunidade é clara: este é o momento de avançar com investimentos que já estavam em estudo.

Dois pontos críticos. Primeiro, a maturidade exigida à data da submissão filtra candidaturas oportunistas. Quem não tem o procedimento de contratação pública lançado, ou pelo menos as peças aprovadas, dificilmente entra com nota suficiente para garantir financiamento. Segundo, a restrição contra "candidatura de viaturas" obriga a estruturar uma intervenção integrada. Os melhores dossiers cruzam três a cinco ações elegíveis e demonstram como cada uma reforça a recolha seletiva no território servido.

A componente de sistemas PAYT, SAYT ou RAYT é a mais transformadora do ponto de vista comportamental, mas também a que envolve mais risco político local. Implica nova tarifa, comunicação intensa com munícipes e tecnologia de identificação de produtores. Vale a pena pesar o trade-off entre o impacto a médio prazo e a complexidade de implementação. A Open Capital pode apoiar na estruturação de candidaturas e na conceção do modelo operacional pós-projeto.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]