O que é

Acesso a infraestruturas de topo para investigação puxada pela indústria

O tópico HORIZON-BRIDGING-2027-03-06 integra a chamada Bridging actions 2027 do programa de trabalho 2026-2027 do Horizonte Europa, no anexo das atividades horizontais. Financia consórcios de infraestruturas de investigação de interesse europeu que ofereçam acesso transnacional (presencial ou remoto) e acesso virtual a serviços integrados e adaptados às necessidades da indústria.

A dotação do tópico é de 15 milhões de euros e a Comissão estima cerca de 5 milhões por projeto, o que aponta para três projetos financiados. É uma Research and Innovation Action, que nas regras gerais do Horizonte Europa cobre até 100% dos custos elegíveis. A chamada abre a 9 de março de 2027 e fecha a 15 de junho de 2027, numa única fase.

O objetivo principal é a prestação de acesso a serviços que já existem. O desenvolvimento ou a adaptação de serviços também é apoiado, mas só se os novos serviços forem abertos e oferecidos durante o próprio projeto e se as infraestruturas participantes garantirem a sua continuidade depois do financiamento.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Para as infraestruturas, o tópico paga a abertura de instalações e equipas a um público que raramente as usa. Para as empresas, é a forma de chegar a equipamentos e competências que nenhuma PME conseguiria comprar.

  • I&D e ciência: o financiamento cobre unidades de acesso transnacional e virtual, apoio científico e técnico a utilizadores não especialistas e formação ad hoc, para que empresas (sobretudo PME, startups e scaleups) e equipas académicas em colaboração com a indústria realizem investigação e inovação com instrumentos de nível europeu.
Áreas

Seis áreas, um projeto por área

Cada proposta escolhe uma das áreas abaixo e identifica-a claramente. Para garantir uma carteira equilibrada, a Comissão não segue apenas o ranking: financia também a proposta mais bem classificada de cada área, desde que passe todos os limiares e haja orçamento.

ÁreaTema
1Tecnologias biomédicas ou alimentares
2Energia limpa e/ou mobilidade limpa
3Materiais avançados para economia circular e/ou bioeconomia
4Aceleradores e ímanes supercondutores
5Microeletrónica
6Tecnologias avançadas de sensorização para observação do oceano

Na área biomédica, o texto sugere a inclusão do Laboratório de Referência da UE para alternativas à experimentação animal (EURL ECVAM) e do Laboratório de Nanobiotecnologia do Centro Comum de Investigação, com quem a colaboração se estabelece já depois da aprovação.

Quem pode aceder

Consórcios com pelo menos um ESFRI Landmark ou ERIC

Aplicam-se as regras gerais de elegibilidade do Horizonte Europa para consórcios. A condição específica é que a proposta inclua, como beneficiário, pelo menos um ESFRI Landmark ou um Consórcio Europeu de Infraestruturas de Investigação (ERIC). No caso de um ERIC distribuído, pode participar em alternativa a entidade jurídica que acolhe instalações, recursos ou serviços desse ERIC, com uma declaração assinada pelo seu representante legal.

Esta via é a mais relevante para Portugal: nós nacionais de infraestruturas distribuídas podem entrar como beneficiários sem que o ERIC seja parte direta. O Centro Comum de Investigação pode participar sem financiamento ou como parceiro associado. As empresas entram, em regra, como utilizadoras dos serviços e não como membros do consórcio.

  • Atividades de acesso obrigatórias: a proposta tem de incluir prestação de acesso e seguir a secção Specific features for Research Infrastructures do programa de trabalho, cujo cumprimento é avaliado.
  • Lista de instalações: serviços abertos ao acesso transnacional ou virtual e quantidade de unidades de acesso disponibilizadas aos utilizadores.
  • Plano de divulgação: anunciar ativamente os serviços à indústria, com atenção aos países do alargamento (widening). Considerar também intermediários que façam a ponte entre infraestruturas e empresas.
  • Cartas europeias de acesso: respeitar a Carta Europeia de Acesso a Infraestruturas de Investigação e os princípios da carta de acesso de utilizadores industriais.
  • Dados FAIR: gestão de dados segundo os princípios FAIR e ligação dos serviços digitais à European Open Science Cloud e aos Espaços Comuns Europeus de Dados, quando relevante.
Avaliação

O critério de excelência mede a qualidade do acesso

Os critérios são os gerais (excelência, impacto, implementação), com dois aspetos adicionais na excelência: a medida em que o acesso oferece infraestruturas de ponta e serviços de alta qualidade que permitem investigação ou inovação excelente; o contributo do projeto para facilitar e integrar os procedimentos de acesso, melhorar os serviços e desenvolver a oferta online. A proposta tem um limite de 100 páginas.

Os resultados esperados vão no mesmo sentido: infraestruturas mais atrativas para a indústria e com base de utilizadores sustentável, um portal de entrada único com catálogos interoperáveis e condições de acesso convergentes, menor tempo até ao acesso para utilizadores industriais e uma nova geração de investigadores e inovadores formada para usar estas ferramentas.

Condições contratuais a ler antes
Os beneficiários concedem acesso livre de royalties à propriedade intelectual sobre ferramentas, normas, especificações e outros resultados diretamente relevantes para anunciar os serviços e gerir as chamadas de acesso. O acesso vale para as instituições da UE e para outros projetos financiados pela UE, durante o projeto e até dois anos depois. Os custos de acesso podem ser declarados como custos unitários por unidade de acesso, nos termos do anexo 2a do modelo de convenção de subvenção.

O projeto tem ainda de colaborar de forma contínua com a ação preparatória transversal sobre acesso (HORIZON-INFRA-2025-01-DEV-05), com os pilotos do tópico HORIZON-INFRA-2026-01-DEV-02 e com as ações do tópico HORIZON-INFRA-2027-01-SERV-01.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este tópico não é para empresas se candidatarem, é para infraestruturas que querem empresas como clientes. A competição real é dentro de cada área: com seis áreas e cerca de três projetos, a regra de financiar o melhor de cada área favorece propostas fortes em áreas menos disputadas. Escolher a área com base na concorrência provável é uma decisão estratégica tão importante como a qualidade técnica.

Para centros portugueses que são nós de ERIC distribuídos, a porta de entrada mais realista é negociar cedo a declaração do ERIC e posicionar-se com serviços já maduros. O tópico paga acesso a serviços existentes; propostas que são sobretudo desenvolvimento de novas capacidades tendem a pontuar mal.

Para PME portuguesas em microeletrónica, materiais, energia ou tecnologias marinhas, a oportunidade chega depois: quando estes projetos abrirem as suas chamadas de acesso, avaliadas por pares. Vale a pena acompanhar os resultados de 2027 e preparar desde já um problema técnico bem definido para submeter.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]