O que é

Três grandes pilots para integrar o acesso a RIs

O HORIZON-INFRA-2027-SERV-01-01 é o veículo mais ambicioso da call INFRA-2027-01 em termos de escala por projeto. Cada um dos 3 grants previstos vale 35M EUR, dotação que coloca este tópico no topo da hierarquia INFRA. O propósito é testar um esquema integrado de acesso transnacional, on-site, remoto ou virtual a um conjunto largo de infraestruturas de investigação europeias, organizado em três grandes domínios.

A racionalidade é clara. Existem dezenas de ESFRI Landmarks e ERICs em operação na Europa, cada uma com regras próprias de acesso, catálogos próprios e portais de submissão distintos. Para um investigador, navegar este ecossistema é um custo significativo. A Comissão quer pilots que demonstrem que é possível operar acesso convergente: portal único, catálogos interoperáveis, condições de acesso harmonizadas, programa de acesso sustentável a longo prazo. Cada pilot é um experimento de governance e operação à escala continental.

As ações combinam HORIZON-RIA, HORIZON-CSA e HORIZON-COFUND. A flexibilidade no tipo de ação reflete o facto de cada pilot precisar de coordenar atividades de R&I (RIA), coordenação institucional (CSA) e potencial cofinanciamento nacional (COFUND).

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Este tópico tem ambição de longo prazo: alterar a forma como a comunidade europeia acede a infraestruturas de investigação. Para o utilizador final, a necessidade resolvida é o acesso a equipamento, dados e serviços que de outra forma estariam fora de alcance. Para o sistema científico europeu, o objetivo é integração e governance.

  • I&D e ciência: os pilots oferecem acesso a serviços de RI top-tier para investigação fundamental e aplicada. As infraestruturas envolvidas asseguram quer acesso (instrumentos, facilities, dados) quer treino científico e técnico para os utilizadores.
  • Internacionalização: os pilots são, por definição, transnacionais. Outreach explícito a widening countries, candidate countries e SMEs é requisito de admissibilidade. Para a comunidade portuguesa, o pilot é um veículo direto para utilizar facilities estrangeiras com financiamento europeu.
Os três domínios

Cada pilot cobre um domínio inteiro

Diferente do SERV-01-02 (que aborda áreas temáticas específicas), o SERV-01-01 organiza-se por grandes domínios científicos. Cada proposta tem de declarar explicitamente em qual área se posiciona. A avaliação garante cobertura equilibrada do portfólio, com bolsa para o melhor candidato em cada domínio que cumpra thresholds.

ÁreaDomíniosTipologia de RI
1. PSE / Data & ComputingPhysical Sciences and Engineering; Data, Computing and Digital Research InfrastructuresSincrotrões, lasers, supercomputação, e-infraestruturas, espaço, fusão
2. Health & Food / SSHHealth & Food; Social Sciences and HumanitiesBiobancos, infraestruturas clínicas, ciências sociais europeias, agroalimentar
3. Environment & EnergyEnvironment; EnergyEstações ambientais, observatórios, climate, marine, renováveis, redes elétricas
Single-entry portal por pilot
Cada pilot deve construir um portal único que ofereça informação básica sobre o catálogo de serviços disponíveis. Os três pilots terão de articular-se para construir uma front page comum que destaque os objetivos do acesso. Esta articulação entre pilots é requisito de admissibilidade da call e cria uma camada de governance acima dos consórcios individuais.
Estrutura e dotação

3 grants × 35M EUR

105MEUR
Dotação total 2027
3
Grants esperados
35MEUR
Per projeto
100%
Taxa de financiamento

A dimensão por projeto (35M EUR) coloca o SERV-01-01 entre os maiores grants individuais do Horizon Europe. As propostas não precisam de incluir planos de exploração ou disseminação (a finalidade é provisão de serviço). Limite de páginas: 100. Custos elegíveis podem incluir unit costs para acesso transnacional e virtual, conforme decisão sobre unit costs para ações de research infrastructures.

O FSTP máximo por terceiro é de 300.000 EUR, valor mais baixo do que outros tópicos INFRA. A justificação é que o FSTP nestes pilots financia tipicamente acesso de curta duração de utilizadores individuais, não desenvolvimento tecnológico de fundo. A engenharia de procedimentos one-stage que combina seleção de utilizadores e calls FSTP é elemento operacional crítico.

Quem pode ser beneficiário

Pelo menos duas ESFRI Landmarks ou ERICs

A elegibilidade exige a inclusão de pelo menos duas infraestruturas (ESFRI Landmarks ou ERICs) como beneficiárias. É um patamar mais alto do que os 1 do SERV-01-02 ou DEV-01-03, refletindo a expectativa de que cada pilot agregue capacidade de várias RIs num só esquema. Países terceiros (Austrália, Brasil, Canadá, Chile, Índia, Japão, México, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Singapura, EUA) podem participar quando o seu envolvimento abre acesso adicional a investigadores europeus.

O Joint Research Centre opera 18 facilities abertas a 650+ utilizadores europeus desde 2017 e pode ser incluído como beneficiário zero-funded ou parceiro associado. Para Portugal, a dimensão da participação do JRC é relevante porque cria um canal alternativo de financiamento de acesso quando as RIs nacionais não cobrem o mesmo âmbito.

A oportunidade portuguesa concreta passa por três frentes. A primeira é a participação como beneficiária através de centros nacionais que sejam membros formais de uma ERIC: nesse caso, o centro recebe parte do envelope para operar acesso aos serviços que aloja. A segunda é o acesso de investigadores portugueses aos serviços abertos pelo pilot, com prioridade explícita por widening status. A terceira é o envolvimento de empresas portuguesas com competência em desenvolvimento de portais, integração de catálogos e e-infraestruturas, áreas onde o trabalho operacional será intensivo.

Posição na call INFRA-2027-01

Onde encaixa neste programa

A call HORIZON-INFRA-2027-01 reúne tópicos com perfis distintos. Os três SERV cobrem acesso, mas em escalas e orientações diferentes.

Tópico SERVFocoDotaçãoPer projeto
SERV-01-01Large-scale pilots cross-domain (este)105M EUR / 3 grants35M EUR
SERV-01-02Acesso por área temática (cancro, agro, polar...)35M EUR / 6 grants~6M EUR
SERV-01-03Acesso a serviços específicos12M EUR / 4 grants3M EUR

O SERV-01-01 destina-se a consórcios de larga escala que pretendem reformar a infraestrutura de acesso em todo um domínio. O SERV-01-02 é para projetos focados em prioridades estratégicas concretas. O SERV-01-03 é o de menor escala, para serviços específicos ligados a uma RI individual. A escolha do tópico depende da ambição de governance, não apenas da dimensão científica.

Calendário

Janela em maio de 2027

MarcoDataNota
Abertura prevista5 de fevereiro de 2027Single-stage
Deadline de submissão20 de maio de 2027Janela de cerca de 3,5 meses
Avaliação e Grant AgreementFinal de 2027 / 2028Padrão Horizon Europe
Duração típica4 a 5 anosComum em projetos de acesso

Para um pilot de 35M EUR a janela é apertada. A construção do consórcio (mínimo de duas ESFRI/ERICs) e o desenho do portal de acesso, da governance e do plano de outreach exigem trabalho preparatório longo. Equipas que pretendem candidatar-se devem começar 12 a 18 meses antes da abertura.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este é o instrumento INFRA mais transformador da call. Não financia ciência incremental, financia infraestrutura de acesso à escala continental. Para Portugal, o valor imediato divide-se em duas leituras: a comunidade científica nacional não lidera tipicamente este tipo de pilot, mas tem janelas concretas de envolvimento ativo e benefícios significativos como utilizador.

Como parceira: centros portugueses associados a uma ERIC podem entrar no pilot com mandato de operar acesso aos serviços que alojam. Particularmente em áreas como e-infraestruturas (FCT|FCCN), bioinformática (INESC TEC, IGC), biobancos (INSA), observatórios marinhos (IPMA, CIIMAR), ou ambiente (LIST, IPMA). Como utilizadora: a comunidade investigadora portuguesa beneficia diretamente quando o pilot abre slots prioritários para widening countries, mecanismo que financia mobilidade e acesso a equipamento que não existe em Portugal.

O domínio digital (área 1) merece atenção particular. Portugal tem capacidade reconhecida em e-infrastructures e supercomputação, mediada por instituições como FCT|FCCN, INCD e o BSC-equivalente nacional. Um pilot da área 1 pode integrar nós portugueses em federações pan-europeias de cloud científica, RDA, EOSC e congéneres, com financiamento operacional plurianual.

A armadilha clássica é submeter proposta sem alinhamento com os outros dois pilots. A call exige articulação explícita entre os 3 projetos para garantir uma front page comum e princípios de governance partilhados. Propostas isoladas falham no critério de impacto. Recomenda-se trabalhar com a coordenação das ERICs envolvidas com pelo menos 12 meses de antecedência, estruturar o consórcio em torno de duas ou três ESFRI/ERICs líderes e identificar antecipadamente os outros dois pilots para coordenar timeline e governance.

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