O que é

Pagar para abrir a porta a quem vem de fora

O HORIZON-INFRA-2027-SERV-01-03 financia consórcios que se comprometem a oferecer acesso transnacional ou virtual a serviços de infraestruturas de investigação europeias, com foco no alargamento da base de utilizadores. A lógica do tópico é simples. As infraestruturas de investigação europeias estão geograficamente concentradas e o acesso por investigadores de países sem essas infraestruturas é frequentemente bloqueado por custos, complexidade ou desconhecimento. Este grant paga, em parte, esse acesso.

A diferença em relação aos outros tópicos SERV é o âmbito mais distribuído: 4 grants de 3M EUR cada, em vez de 1 ou 3 grants de dezenas de milhões. Esta dispersão sugere intenção de cobrir áreas científicas mais especializadas ou nichos onde a comunidade de utilizadores é menor mas estratégica.

A ação é Research and Innovation Action (RIA), o que aqui significa que parte do trabalho não é apenas operacional (dar acesso), mas também desenvolvimento de novos serviços, integração com EOSC e ações pro-activas de outreach a comunidades sub-representadas.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O tópico encaixa em duas necessidades distintas do quadro Open Capital, ambas aplicáveis em contexto de organização científica.

  • I&D e ciência: os utilizadores finais financiados são grupos de investigação de toda a Europa. O grant cobre o acesso destes grupos a tempo de máquina, a serviços de dados, ou a equipamentos científicos avançados que normalmente seriam inacessíveis. É infraestrutura de I&D em estado puro.
  • Internacionalização: a call valoriza explicitamente o alargamento da base de utilizadores a países sub-representados e a investigadores em fase inicial de carreira. Para Portugal, isto cria uma janela direta: investigadores portugueses passam a poder candidatar-se a tempo de uso em RIs europeias com financiamento direto da iniciativa.
Estrutura e dotação

4 grants, 3M EUR cada (fixo)

A dotação total é 12M EUR para 4 grants, com contribuição fixa de 3M EUR por grant. A fixação do valor é incomum no Horizon e é deliberada: garante que cada consórcio recebe o suficiente para uma operação de acesso credível, sem forçar o trade-off entre dimensão científica e capacidade financeira.

12MEUR
Dotação total
4
Grants esperados
3MEUR
Por grant (fixo)
100KEUR
Máximo FSTP por terceiro

A modalidade financeira é mista. Os custos de acesso transnacional e virtual seguem unit costs, definidos pela Decision authorising the use of unit costs do MGA. O resto do orçamento (atividades de outreach, networking, integração de dados, gestão) segue o modelo standard de actual costs. É uma combinação que recompensa consórcios com track record operacional em access provision: quem já gere acesso a uma RI sabe quanto custa um access unit.

O que a proposta tem de cobrir

Três aspetos obrigatórios

A call exige que a proposta aborde os três aspetos seguintes em conjunto. Não basta oferecer acesso, é preciso oferecer acesso com integração e outreach.

  • Portfolio amplo de serviços de RI, incluindo infraestruturas financiadas pelo Cohesion Policy quando relevantes para o domínio científico e cobrindo data services. Toda a oferta deve estar focada em integrar uma comunidade alargada no ecossistema europeu de RI.
  • Bidirectional exchanges entre investigadores e grupos de toda a European Research Area, incluindo networking, programas curtos de troca e interação direta presencial sempre que possível.
  • Outreach pró-ativo para aumentar consciência sobre os serviços disponíveis, com atividades específicas para investigadores em fase inicial de carreira em países-alvo.
FSTP até 100K EUR por terceiro
A call permite financial support to third parties até 100K EUR por entidade. Este montante é deliberadamente baixo, justificado pelos custos operacionais elevados de RI estado-da-arte. As FSTP podem ser combinadas com as calls de acesso transnacional, criando um processo único onde o user group e a infraestrutura terceira que oferece o acesso se candidatam em conjunto.
Quem pode ser beneficiário

Mínimo de duas ESFRI Landmarks ou ERICs

As propostas devem incluir, como beneficiários, pelo menos duas ESFRI Landmarks ou dois ERICs. Esta dupla âncora é mais exigente do que noutros tópicos da call. A racional é que o acesso transnacional credível exige uma rede operacional com escala mínima: uma só infraestrutura raramente cobre o domínio científico todo.

Para um ESFRI Landmark que não seja ERIC nem organização internacional europeia, o beneficiário deve ser a entidade jurídica que aloja a infraestrutura no país lead. Para um ERIC distribuído, o beneficiário tem de ser o ERIC, não os nós nacionais individualmente.

O Joint Research Centre (JRC) pode participar como beneficiário com zero financiamento, ou como associated partner. O JRC não participa na preparação ou submissão da proposta e a colaboração formaliza-se após aprovação. Para propostas onde o JRC ofereça access valuable, isto é uma porta interessante.

Critério de avaliação reforçado

Excellence pesa também no acesso, não só na ciência

No critério Excellence, para além dos sub-critérios standard, a avaliação considera explicitamente em que medida o acesso (transnacional ou virtual) oferece infraestruturas estado-da-arte de interesse europeu, com serviços de elevada qualidade e habilita os utilizadores a fazer investigação excelente.

Em prática, isto significa que o consórcio tem de provar duas coisas: que as infraestruturas oferecidas são estado-da-arte no seu domínio e que os processos de seleção de utilizadores garantem que o acesso vai para grupos de investigação de qualidade. Propostas com infraestruturas relevantes mas processos de seleção opacos perdem pontos.

Posição na call INFRA-2027-01

Onde encaixa neste programa

A família SERV da call INFRA-2027-01 tem três tópicos com perfis distintos. Vale a pena situá-los para escolher o veículo certo.

TópicoFocoDotaçãoPer projeto
SERV-01-01Acesso a RI estado-da-arte (larga escala)105M EUR / 3 grants35M EUR (fixo)
SERV-01-02Acesso a RI especializadas (média escala)35M EUR / 6 grants6M EUR (fixo)
SERV-01-03 (este)Acesso e wider community (pequena escala)12M EUR / 4 grants3M EUR (fixo)

Os três tópicos têm modalidade idêntica (RIA, unit costs para acesso) mas escalas diferentes. O SERV-01-01 dirige-se a infraestruturas com utilização massiva e custos por unidade altos (sincrotrões, fontes de neutrões, supercomputação). O SERV-01-02 dirige-se a infraestruturas distribuídas com utilização média. O SERV-01-03 (este) é o veículo para domínios científicos mais especializados ou para iniciativas focadas explicitamente no alargamento da comunidade de utilizadores. Para uma proposta portuguesa que entra como participante (nunca como líder único), o SERV-01-03 é o tópico onde a dimensão e o foco em widening countries criam mais espaço.

Calendário

Janela única em junho de 2027

MarcoDataNota
Abertura previstajaneiro de 2027Single-stage
Deadline de submissão15 de junho de 2027Page limit 100 páginas
Avaliação e Grant AgreementFinal de 2027 / 2028Padrão Horizon
Duração típica4 a 5 anosInclui ciclos de calls de acesso

A duração longa é necessária porque a operação de access provision não acontece de uma vez. Há tipicamente 2 a 3 ciclos de calls de acesso ao longo do projeto, espaçados de 12 a 18 meses, com user groups selecionados em cada ciclo. Esta cadência também explica a exigência de FSTP combinada com calls de acesso: simplifica a gestão administrativa de dezenas de user groups por ciclo.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A oportunidade portuguesa neste tópico tem dois ângulos distintos que vale a pena separar com clareza. Para infraestruturas de investigação portuguesas que operam serviços de RI estado-da-arte (e há algumas, particularmente em ciências marinhas, biotecnologia, astrofísica e computação), o tópico abre a possibilidade de entrar como co-beneficiária num consórcio europeu, com mínimo de duas ESFRI Landmarks ou ERICs como âncora. A entrada da infraestrutura portuguesa pode ser via FSTP a 100K EUR por ciclo de acesso, mas idealmente é como beneficiária plena se já estiver formalmente incluída numa ESFRI ou ERIC ativa.

Para investigadores e grupos portugueses sem infraestrutura própria, a oportunidade é diferente: aproveitar as calls de acesso que estes consórcios irão organizar a partir do ano 2 do projeto. Submeter user proposals para uso de tempo de máquina, dados, ou serviços avançados em RIs europeias, com cobertura de custos pela infraestrutura europeia. Isto é particularmente valioso para investigadores em fase inicial de carreira ou para grupos que querem aceder a equipamento que Portugal não tem.

A armadilha clássica nestes tópicos é considerar a candidatura como liderança portuguesa. Não é. A infraestrutura de coordenação fica em consórcios já estabelecidos (CERN, ESO, EMBL e nós nacionais associados, ou ERICs como CESSDA, ECRIN, ESS). A entrada portuguesa é como participante com massa crítica suficiente para ser parte do core scientific. Quem tenta liderar do zero perde tempo. A recomendação operacional é monitorizar os tópicos da call INFRA-2027-01 quando abrir e contactar os pontos focais nacionais cedo (FCT, NCP Horizon Infrastructures) para perceber em que consórcios em preparação Portugal pode entrar como participante credível.

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