O que é

Consolidar, não construir

O HORIZON-INFRA-2027-DEV-01-03 é o veículo de consolidação de infraestruturas de investigação pan-europeias já existentes. Ao contrário do DEV-01-01, que prepara novas infraestruturas, este tópico apoia ESFRI Landmarks e ERICs (European Research Infrastructure Consortia) já em operação que precisam de evoluir, garantir sustentabilidade a longo prazo, ou responder a necessidades emergentes.

A lógica é simples. Uma infraestrutura ESFRI custa centenas de milhões de EUR e pode operar durante décadas. Os primeiros anos são de construção e arranque. Depois disso, mantê-la relevante exige investimentos cíclicos: alargar a base de países membros, atualizar o modelo de governance, integrar novos serviços, responder a recomendações de avaliações periódicas, ou reorientar o âmbito quando a comunidade científica ou as prioridades europeias mudam. Este tópico financia precisamente esse trabalho de meio-de-vida.

A taxa de financiamento é 80% das despesas elegíveis, em modalidade lump sum. A ação é Research and Innovation Action (RIA), o que aqui significa que parte do trabalho é técnico-científico (desenho de novos serviços, integração de dados FAIR, evolução tecnológica), não puramente coordenação institucional como nas CSA.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

A finalidade do tópico é institucional e científica em partes iguais. Não é um grant para financiar a operação corrente da infraestrutura, é um grant para o trabalho específico que muda a sua trajetória de longo prazo.

  • I&D e ciência: a RIA financia o desenho e implementação de novos serviços científicos, a integração de novos resources e facilities, gestão FAIR de dados e adaptação tecnológica que permite à infraestrutura responder a desafios científicos novos.
  • Internacionalização: uma das atividades centrais é o alargamento da base de países membros, com foco explícito em widening countries e candidate countries. Isto cria uma porta de entrada para Portugal e outros países que ainda não fazem parte de uma ERIC específica mas têm comunidade científica relevante.
Estrutura e dotação

8 projetos, 3M a 4,5M EUR cada

A dotação total é 29,5M EUR para 8 grants esperados, com contribuição entre 3M e 4,5M EUR por projeto. É a dotação mais distribuída da call INFRA-2027-01: cada infraestrutura individual recebe um grant proporcionalmente modesto, em linha com a natureza incremental do trabalho de consolidação.

29,5MEUR
Dotação total
8
Grants esperados
3-4,5MEUR
Per projeto
80%
Taxa de financiamento

A taxa de 80% é uma exceção dentro do Horizon Europe, onde o standard das RIA é 100%. A redução é deliberada: os co-beneficiários da infraestrutura, que são também os hosts e os países membros, devem providenciar os restantes 20%. Esta exigência é uma forma indireta de garantir que existe compromisso nacional sustentado e que a infraestrutura não vive apenas de grants Horizon.

Atividades elegíveis

As nove possibilidades de trabalho

A call lista nove atividades possíveis. A proposta deve focar-se nas que são críticas para a sustentabilidade ou evolução específica da infraestrutura candidata. Não tem de cobrir todas.

  • Alargamento da base de países membros, particularmente widening countries e candidate countries.
  • Resposta a aspetos críticos levantados em avaliações ou exercícios de monitorização ESFRI.
  • Reforço da cooperação internacional com infraestruturas equivalentes fora da Europa.
  • Revisão do plano de negócio e financiamento.
  • Desenvolvimento de competências técnicas e de gestão da equipa que opera a infraestrutura.
  • Estruturação dos nós nacionais ou temáticos (relevante para ERICs distribuídas).
  • Extensão de remote ou virtual access.
  • Gestão de dados FAIR.
  • Reorientação ou evolução do âmbito da infraestrutura, quando há mudanças na ciência alvo ou em comunidades de utilizadores.
Reorientação significa preencher lacunas, não duplicar
Quando uma proposta envolve reorientação ou evolução do âmbito, a call exige que essa mudança preencha lacunas no panorama europeu de infraestruturas, através de análise da ESFRI Landscape Analysis e articulação com outras ESFRI/ERICs relevantes. Não pode duplicar capacidades já existentes noutra infraestrutura.
Quem pode ser beneficiário

Apenas ESFRI Landmarks e ERICs

A elegibilidade é mais restritiva do que noutros tópicos do Horizon. As propostas devem incluir, como beneficiário, pelo menos um ESFRI Landmark ou um ERIC. Isto exclui a esmagadora maioria dos centros de investigação portugueses como beneficiário principal. O instrumento foi desenhado para ser um veículo de consolidação institucional ao nível da própria infraestrutura pan-europeia, não para projetos colaborativos com universidades nacionais como líder.

Para um ESFRI Landmark que não é um ERIC nem uma organização internacional europeia de investigação, o beneficiário deve ser a entidade jurídica que aloja a infraestrutura no país lead (essa entidade é, na prática, requisito mínimo para se ser ESFRI Landmark). Para um ERIC distribuído, o beneficiário tem de ser o próprio ERIC, não os nós nacionais.

Universidades portuguesas, FCT, ou centros de investigação podem entrar como co-beneficiários ou parceiros num projeto liderado por uma ERIC ou Landmark, particularmente em propostas onde uma das atividades centrais é o widening de países menos representados.

Posição na call INFRA-2027-01

Onde encaixa neste programa

A call HORIZON-INFRA-2027-01 mobiliza várias centenas de milhões de EUR através de tópicos com perfis distintos. O DEV-01-03 (este) é o tópico de consolidação de infraestruturas existentes. Outros tópicos cobrem fases muito diferentes do ciclo de vida das infraestruturas.

TópicoFocoTipoDotação
DEV-01-01Fase preparatória de novas RICSA30M EUR / 9 grants
DEV-01-02Desenvolvimento de comunidades de utilizadoresRIA20M EUR / 4 grants
DEV-01-03Consolidação de RI existentes (este)RIA29,5M EUR / 8 grants
SERV-01-01/02/03Trans-national / virtual accessRIA105+35+12M EUR
TECH-01-01/02Tecnologias para RIRIA30+30M EUR
EOSC-01/02European Open Science CloudCOFUND/CSA40+8M EUR

Para uma ESFRI ou ERIC já em operação que precisa de evoluir, o tópico de eleição é este DEV-01-03. Para uma RI ainda em fase preparatória, o veículo é o DEV-01-01. Para serviços de acesso transnacional puro, são os SERV-01. Confundir os perfis compromete a admissibilidade.

Calendário

Janela única em junho de 2027

MarcoDataNota
Abertura previstajaneiro de 2027Single-stage
Deadline de submissão15 de junho de 2027Janela longa, planeamento exige tempo
Avaliação e Grant AgreementFinal de 2027 / 2028Padrão Horizon Europe (cerca de 8 a 10 meses)
Duração típica3 a 4 anosComum em projetos de consolidação ESFRI
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este é um instrumento institucional, não para empresas isoladas. A elegibilidade está estruturada de forma a colocar como beneficiário a infraestrutura ESFRI ou o ERIC e empresas e centros nacionais entram como co-beneficiários quando há um caso técnico claro. Para a comunidade portuguesa, a janela de oportunidade real está em três frentes.

A primeira é a participação como beneficiário através de FCT ou de centros de investigação que sejam membros formais de ERICs nas quais Portugal já participa. Para essas situações, o instrumento é o veículo natural para alargar a participação portuguesa em serviços novos da infraestrutura. A segunda é a entrada de empresas portuguesas com tecnologia crítica para o upgrade de uma ESFRI Landmark, particularmente no domínio de instrumentação científica, sensores, software ou sistemas de gestão de dados. A terceira é o widening: a call valoriza explicitamente projetos que alargam a base de membros para países como Portugal, o que cria uma janela política para entrada formal em ERICs onde a comunidade científica nacional já contribui informalmente.

A armadilha clássica nestes tópicos é o desencontro entre prioridades da infraestrutura e capacidade real de execução do consórcio. A modalidade lump sum exige que os deliverables sejam definidos com precisão na proposta. Reformulações posteriores não são pagas. Recomenda-se trabalhar com a coordenação da ERIC ou Landmark com pelo menos 9 meses de antecedência ao deadline, garantir a articulação com a ESFRI Landscape Analysis e mapear as sinergias com grants INFRADEV, INFRATECH ou EOSC anteriores que a infraestrutura já tenha recebido. Sem este alinhamento, mesmo propostas tecnicamente excelentes ficam abaixo do threshold de impacto.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]