As infraestruturas europeias como argumento para escolher a Europa
O tópico HORIZON-BRIDGING-2027-03-07 faz parte da chamada Bridging actions 2027 (HORIZON-BRIDGING-2027-03) do programa de trabalho 2026-2027 do Horizonte Europa. Inscreve-se na iniciativa "Choose Europe" e na estratégia europeia para as infraestruturas de investigação e tecnologia: usar instalações de nível mundial para atrair cientistas de topo e posicionar a Europa como parceira preferencial de cooperação científica internacional.
A dotação é de 7,5 milhões de euros para cinco projetos de cerca de 1,5 milhões cada. É uma Coordination and Support Action, que financia atividades de ligação, formação, comunicação e redes, não investigação em si. Os custos são reembolsados sob a forma de montante fixo (lump sum). A chamada abre a 9 de março de 2027 e fecha a 15 de junho de 2027, numa única fase.
Necessidades que este instrumento resolve
Este tópico junta ciência e projeção internacional. O financiamento paga a construção de laços duradouros entre infraestruturas europeias e instituições científicas de países terceiros, com efeitos diretos na atração de investigadores.
- I&D e ciência: as parcerias servem para alinhar metodologias de investigação, protocolos de ensaio e partilha de dados na área escolhida. Servem também para desenhar ecossistemas de investigação distribuídos, incluindo plataformas de dados e cloud.
- Internacionalização: o tópico financia workshops conjuntos, escolas de verão, programas de formação e visitas científicas com instituições de países não associados, além de presença coordenada nos grandes fóruns internacionais de ciência e inovação.
Duas linhas de trabalho e nove áreas à escolha
Os projetos devem focar-se em duas linhas. A primeira é a parceria com instituições científicas e universidades de países terceiros não associados, promovendo nessas regiões as práticas testadas pelas infraestruturas pan-europeias para garantir comparabilidade de resultados. As atividades dirigem-se a estudantes, investigadores em início de carreira e pessoal científico e técnico especializado, com participação equilibrada em género.
A segunda é a divulgação dirigida, que junta infraestruturas, cientistas e inovadores para afirmar a Europa como polo mundial de ciência. Pode incluir materiais de comunicação comuns e reutilizáveis, presença coordenada em fóruns internacionais e reforço da ligação ao EURAXESS. Quando relevante, os projetos devem aproveitar os recursos criados no âmbito do HORIZON-WIDERA-2022-ERA-01-60.
| Área | Tema |
|---|---|
| 1 | Saúde e ciências biomédicas |
| 2 | Ciência alimentar e tecnologias agrícolas |
| 3 | Energia limpa e mobilidade limpa |
| 4 | Ciências e observação do ambiente e do clima |
| 5 | Física e astronomia |
| 6 | Materiais avançados |
| 7 | Ciências sociais e humanidades |
| 8 | Área transversal (várias áreas) |
| 9 | Outra área, a identificar |
Para garantir uma carteira equilibrada, a Comissão não financia só por ordem de ranking: dá também prioridade à proposta mais bem classificada em cada área, desde que passe todos os limiares e haja orçamento. Nas áreas 1 e 2, as propostas podem prever a colaboração com o Laboratório de Referência da UE para alternativas à experimentação animal (EURL ECVAM) e com o Laboratório de Nanobiotecnologia do Centro Comum de Investigação.
Obrigatório: um ESFRI Landmark ou um ERIC como beneficiário
Às regras gerais do Horizonte Europa juntam-se condições específicas que moldam a composição do consórcio:
- Infraestrutura no consórcio: pelo menos um ESFRI Landmark (do Roteiro ESFRI 2021) e/ou um Consórcio Europeu de Infraestruturas de Investigação (ERIC) tem de participar como beneficiário. Se o Landmark não for um ERIC nem uma organização internacional, o beneficiário é a entidade que acolhe a infraestrutura no país líder.
- Países terceiros: a título excecional, entidades de países terceiros não associados podem participar como beneficiárias ou entidades afiliadas, se forem elegíveis para financiamento.
- Centro Comum de Investigação: pode juntar-se ao consórcio selecionado como beneficiário sem financiamento ou como parceiro associado, mas não participa na preparação da proposta.
- Segurança da investigação: as propostas devem considerar a Recomendação do Conselho de 23 de maio de 2024 sobre segurança da investigação e os seus princípios de internacionalização responsável.
O que recomendamos
A escolha da área é a decisão estratégica mais importante. Com cinco projetos e nove áreas, a regra de financiar o melhor de cada área dá vantagem a propostas sólidas em áreas que atraem menos concorrência, como as ciências sociais e humanidades ou os materiais avançados. Uma proposta excelente numa área saturada como a saúde pode ficar de fora mesmo com nota alta.
Portugal participa em várias infraestruturas ESFRI e ERIC através de nós nacionais. Para universidades e centros de investigação portugueses, a via mais direta é entrar através da entidade que acolhe o nó nacional, trazendo parcerias já existentes com instituições do Brasil, de África lusófona ou da América Latina. A língua e a história comum são um argumento genuíno de valor acrescentado europeu num tópico centrado em cooperação com países terceiros.
Por ser uma ação de coordenação, o orçamento vai para eventos, formação, mobilidade e comunicação. Recomendamos um plano de trabalho com resultados mensuráveis (participantes formados, acordos bilaterais assinados, investigadores atraídos), porque o modelo de montante fixo paga por pacotes de trabalho concluídos.
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