Infraestruturas de dados críticas que não podem falhar
O tópico HORIZON-BRIDGING-2027-03-04 integra a chamada Bridging actions 2027 (HORIZON-BRIDGING-2027-03), no anexo das atividades horizontais do programa de trabalho 2026-2027 do Horizonte Europa. Financia um único projeto, de cerca de 8 milhões de euros, para aumentar a resiliência e a soberania europeia dos repositórios de dados e conhecimento e dos serviços científicos usados nas ciências da vida, em especial nas disciplinas biomédicas e biomoleculares.
A Europa acolhe alguns dos repositórios mais importantes do mundo nesta área, mas muitos vivem de fontes de financiamento precárias, dependem de um número reduzido de especialistas ou organizações para operar componentes técnicos e não têm redes de segurança contra pontos únicos de falha. Uma interrupção num destes serviços afeta milhares de equipas de investigação de uma só vez.
A resposta passa pela European Open Science Cloud (EOSC), o espaço comum europeu de dados para a investigação. O projeto deve integrar os repositórios e serviços escolhidos na Federação EOSC e noutros quadros de colaboração europeus ou globais. Deve também alargar a comunidade de operadores que os sustentam. É uma Research and Innovation Action com custos sob a forma de montante fixo (lump sum). A chamada abre a 9 de março de 2027 e fecha a 15 de junho de 2027, numa única fase.
Necessidades que este instrumento resolve
O tópico financia investigação aplicada à própria infraestrutura de investigação: o objeto do projeto são os dados, os serviços digitais e os modelos que os mantêm vivos.
- I&D e ciência: o projeto tem de demonstrar, com casos de uso científicos concretos, o valor da Federação EOSC para investigadores das ciências da vida e para investigação interdisciplinar. Tem ainda de justificar a importância dos repositórios escolhidos com indicadores de desempenho.
- Digitalização e IA: as atividades incluem adotar as capacidades de federação da EOSC, interligar dados e serviços entre vários nós, reforçar a fiabilidade técnica e a cibersegurança e criar mecanismos de acesso confiável que reduzam o risco de interrupção.
Cinco frentes de trabalho obrigatórias
As propostas têm de cobrir todas as atividades abaixo, identificando os repositórios e serviços digitais concretos em que se focam e os riscos específicos que vão mitigar:
| Frente | O que se pede |
|---|---|
| Integração na EOSC | Contribuição plenamente operacional para as capacidades de federação, interligação de dados e serviços e casos de uso que provem economias de escala entre vários nós EOSC |
| Sustentação técnica | Soluções, colaborações e acordos que permitam à comunidade alargada sustentar e enriquecer os serviços, com mais fiabilidade, cibersegurança e acesso confiável |
| Modelos de negócio e financiamento | Diversificar fontes de receita, federar componentes por várias organizações competentes e alargar a base de utilizadores para além dos investigadores |
| Colaboração global | Participação em iniciativas como a Global Biodata Coalition, que repartem compromissos de financiamento e de carga entre vários países |
| Formação | Programas de formação e requalificação de pessoal técnico e científico, para evitar a perda de competências críticas |
Os resultados esperados são três: repositórios e serviços mais resilientes e soberanos, maior integração de dados FAIR (encontráveis, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis) e de infraestruturas na Federação EOSC e uma liderança europeia mais forte nos quadros internacionais de infraestruturas de dados.
Consórcios amplos, com operadores de infraestruturas no centro
Aplicam-se as regras gerais do Horizonte Europa: em regra, um consórcio de pelo menos três entidades independentes de três Estados-Membros ou países associados. O texto do tópico pede expressamente uma participação ampla de organizações dos Estados-Membros e países associados, o que favorece consórcios com boa cobertura geográfica.
- Alvo: infraestruturas críticas de investigação, dados e conhecimento nas ciências da vida, bem como outras instalações que sirvam investigadores desta área.
- Complementaridade obrigatória: com os projetos dos tópicos HORIZON-INFRA-2026-DEV-01-07 (gestão de risco e contingência de infraestruturas ESFRI e ERIC) e HORIZON-INFRA-2026-01-EOSC-02 (quadros de confiança para partilha de dados na EOSC).
- Dados de satélite: se o projeto usar observação da Terra ou posicionamento por satélite, tem de recorrer ao Copernicus e/ou ao Galileo/EGNOS.
- Redes de comunicação: aplicam-se as restrições de proteção das redes de comunicação europeias.
O que recomendamos
Com um único projeto financiado, este é um tópico para um consórcio que já existe de facto: os operadores dos grandes repositórios europeus de dados biológicos e as infraestruturas que os rodeiam. Para entidades portuguesas, a porta de entrada realista é através do nó nacional de uma infraestrutura distribuída ou de um nó EOSC, contribuindo com casos de uso científicos e com competências técnicas em federação e cibersegurança.
A frente dos modelos de negócio merece mais atenção do que costuma receber. A Comissão pede soluções que reduzam a dependência de financiamento precário e alarguem a base de utilizadores para lá da academia, o que abre espaço a parceiros com experiência em serviços de dados para a indústria farmacêutica, biotecnologia e saúde digital.
Para empresas tecnológicas portuguesas, o interesse está sobretudo em subcontratação e parcerias técnicas (infraestrutura cloud, segurança, interoperabilidade), dado que o modelo de montante fixo exige um plano de trabalho rigoroso desde a proposta. Recomendamos aproximação cedo aos coordenadores prováveis, antes da abertura em março de 2027.
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