O que e o topic DRS-04 do Cluster 3
O HORIZON-CL3-2026-01-DRS-04 e um open topic da Destination "Disaster-Resilient Society" do Cluster 3 do Horizonte Europa em 2026. Atribui 6 milhoes de euros a dois consorcios europeus, com 3 milhoes cada, para acelerar a adocao operacional de solucoes ja maduras de gestão de risco de desastres por organizações públicas e privadas.
A logica do topic e clara e relativamente rara nos topics de I&D: nao se trata de criar tecnologia nova, mas de fazer chegar ao terreno solucoes que ja existem em TRL elevado e que estao subutilizadas devido a barreiras de implementação (regulatorias, financeiras, de governance, de aceitacao social). O topic e um instrumento de demand-pull em vez de technology-push.
O modelo e Innovation Action com Lump Sum, com TRL alvo de 8 ao final do projeto. Esta e uma diferenca material face a outros topics CL3 (que apontam para TRL 5-6 ou 6-8): aqui exige-se quase produto pronto e escalado, com pilotos de larga escala em ambiente operacional. E o terreno de empresas tecnologicas em fase de market readiness, em coordenacao com first responders e autoridades de gestão de risco.
Necessidades que este instrumento resolve
O DRS-04 e atipico no portfolio CL3 por se aproximar mais de um instrumento de scale-up tecnologico do que de I&D. Resolve tres necessidades em conjunto.
- Digitalização e IA: as solucoes a escalar sao tipicamente plataformas digitais de monitorizacao em tempo real, sistemas de alerta precoce, modelos preditivos com IA, gemeos digitais para simulacao de cenarios e ferramentas de comunicação com cidadaos em emergencia.
- Sustentabilidade, energia e clima: a maioria dos riscos cobertos pelo DRS sao climaticos ou agravados por alteracoes climáticas (cheias, incendios, ondas de calor, secas, tempestades). O topic alinha com a agenda europeia de adaptação climática.
- Investimento produtivo: os pilotos de larga escala envolvem aquisicao e instalação de infraestrutura tecnologica em municipios, regioes e empresas. Embora financiado por grant europeu, o efeito de demonstracao tem natureza de investimento produtivo, por catalisar follow-on procurement público.
O que a Comissão Europeia espera
A descricao oficial identifica seis resultados esperados, pedindo aos consorcios que abordem alguns ou todos:
- Adocao acelerada: integração real de solucoes de alto TRL em diferentes setores públicos e privados, ultrapassando barreiras tipicas a adopcao.
- Integração em frameworks existentes: ligacao das tecnologias inovadoras a sistemas, normas e procedimentos ja em uso por first responders e autoridades de gestão de risco.
- Colaboracao reforcada: envolvimento de stakeholders multiplos para escalar solucoes, incluindo intermediarios como standardisation bodies, agencias públicas e associacoes setoriais.
- Remocao de barreiras: identificacao e mitigacao explicita de obstaculos técnicos, regulatorios, financeiros e sociais, com análise quantificada do gap entre TRL alto e adopcao real.
- Tomada de decisao baseada em evidencia: demonstracao em pilotos de larga escala que produzam dados utilizaveis em policy-making.
- Visibilidade europeia: uplift do valor social das solucoes europeias de seguranca civil, com contributo para a soberania tecnologica.
Como esta estruturada a dotacao
Tres milhoes por projeto e um valor relativamente conservador para Innovation Actions com TRL 8, o que reflete a logica do topic: financiar a integração operacional, nao o desenvolvimento tecnologico de raiz. O consorcio tem de chegar com tecnologia ja madura e usar a verba para escalar.
A duracao tipica de IA com TRL 8 e de 24 a 36 meses, com componente significativa de piloto operacional. As work packages mais comuns sao: integração técnica, demonstracao em multipas regioes, plano de business model, comunicação a stakeholders e standardisation e análise de barreiras.
Requisitos de elegibilidade especificos
Como e tipico em DRS, o requisito de practitioners e operacional e nao policial.
First responders inclui bombeiros, proteção civil, INEM, foras de seguranca em modo de gestão de emergencia e operadores de infraestrutura critica. Autoridades de gestão de risco incluem autoridades nacionais e regionais com mandato sobre planos de emergencia, monitorizacao de risco e adaptação climática.
Em Portugal, a Autoridade Nacional de Emergencia e Proteção Civil (ANEPC), regimentos de bombeiros, o INEM e municipios com servicos municipais de proteção civil sao perfis naturais. Adicionalmente, autoridades como APA, IPMA, ICNF e municipios com smart city programmes podem entrar como practitioners ou pilot sites.
O que pode ser objeto de demonstracao
Sendo um open topic, nao prescreve tipologias de desastre, mas o ecossistema DRS do Cluster 3 cobre tipicamente os seguintes:
- Riscos climaticos: cheias urbanas e fluviais, incendios florestais, ondas de calor, tempestades extremas, deslizamentos de terra, secas.
- Riscos tecnologicos: acidentes industriais, incidentes em infraestrutura critica (energia, água, transportes), riscos cibernoticos.
- Riscos sismicos e tsunami: particularmente relevantes em Portugal, especialmente Lisboa e Algarve.
- Eventos compostos: cascade events onde uma cheia pode causar incidente industrial, ou seca prolongada origina risco de incendio.
- Pandemicos e biologicos: em complementaridade com programas EU4Health.
O contexto portugues, com elevada exposicao a incendios florestais e cheias, oferece pilot sites concretos com elevada relevancia europeia.
Quem em Portugal pode liderar ou participar
- Empresas tecnologicas: fornecedores de plataformas SaaS para gestão de emergencia, sistemas de alerta precoce, IoT em monitorizacao ambiental, gemeos digitais, IA para risco.
- First responders: ANEPC, INEM, bombeiros profissionais e voluntarios, foras de seguranca em qualidade operacional.
- Autoridades de gestão de risco: APA, IPMA, ICNF, municipios e CIM com servicos de proteção civil, autoridades regionais de planeamento.
- Operadores de infraestrutura critica: EDP, REN, Aguas de Portugal, Infraestruturas de Portugal, em demonstracoes de gestão de risco em redes essenciais.
- Centros de I&D: LNEC, IST, FCT NOVA, INESC TEC, com perfil de validacao técnica e análise de barreiras.
Como nos outros topics CL3, se houver uso de dados de observacao terrestre, posicionamento ou navegacao via satelite e obrigatorio o uso de Copernicus, Galileo ou EGNOS, conforme conditions do topic.
Posicionamento na call CL3 2026
A Destination DRS na call CL3-2026-01 inclui cinco topics. O DRS-04 e o open topic, distinguindo-se por focar na adocao em vez do desenvolvimento. Os outros topics da Destination cobrem temas mais especificos:
| Topic | Foco | Tipo / Por projeto |
|---|---|---|
| DRS-01 | Risco multissetorial e cascade events | RIA / 3,0M |
| DRS-02 | Resiliencia em sistemas urbanos | IA / 4,0M |
| DRS-03 | Comunicação em risco e literacia | IA / 4,0M |
| DRS-04 | Adocao de solucoes maduras (open) | IA / 3,0M |
| DRS-05 | Resposta a incidentes CBRN | IA / 4,5M |
O DRS-04 e tambem complementar com a iniciativa Mission Adaptation to Climate Change e com o Civil Protection Mechanism da UE, que no quadro plurianual 2021-2027 inclui financiamento direto a estados-membros para preparacao a desastres.
O que recomendamos
O DRS-04 e provavelmente o topic da call CL3 mais acessivel a empresas tecnologicas portuguesas com produto maduro. Ao exigir TRL 8, exclui propostas exploratorias e foca-se em quem tem solucao quase pronta para mercado. Esta caracteristica abre uma janela concreta para empresas portuguesas de cleantech, sensorizacao IoT, plataformas SaaS para gestão de emergencia e análise de risco com IA.
Recomendamos quatro alavancas. Primeira, partir de produto comprovado em pelo menos um pais europeu. Tipicamente, propostas vencedoras DRS-04 chegam com tecnologia ja vendida ou implementada em piloto e usam o grant para replicar em mais regioes e formalizar o uptake.
Segunda, incluir municipios e first responders portugueses como pilot sites desde a concepcao. Portugal tem casos exemplares relevantes para a Europa: gestão de incendios florestais, monitorizacao costeira, alerta sismico, ondas de calor urbanas. Estes contextos sao argumentos fortes em Impact.
Terceira, dedicar work packages explicitas a barreiras de adocao. A leitura habitual da Comissão penaliza propostas que assumem que basta demonstrar para escalar. As propostas vencedoras analisam regulacao, financiamento público, contratos-quadro de procurement, formacao e propoem accoes especificas para cada barreira.
Quarta, procurar consorcio com presenca em pelo menos um pais nordico ou alemao, dado o peso desses paises em DRS. Em alternativa, propor liderança italiana, espanhola ou portuguesa explicitamente associada a riscos mediterranicos (incendios, secas) onde o TRL europeu medio e mais baixo e o impacto incremental mais alto.
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