O que e

Da investigação a operação: testar resiliencia em escala europeia

O HORIZON-CL3-2026-01-INFRA-01 e um topico do Cluster 3 do Horizonte Europa (Civil Security for Society 2026) que financia dois projetos Innovation Action em regime Lump Sum, com cerca de 4.835 milhoes de euros cada e envelope total proximo dos 9.67 milhoes. Diferente dos topicos RIA, IA tem TRL alvo 6-7, ou seja, demonstracao em ambiente operacional. A Comissão quer ferramentas que entrem em uso, nao prototipos.

A premissa: as infraestruturas criticas europeias (energia, água, transportes, telecomunicacoes, financas) tornaram-se sistemas profundamente interconectados, vulneraveis a ciberataques, ataques fisicos, falhas técnicas, fatores humanos e desastres naturais. Em paralelo, a CER Directive impoe a operadores designados a obrigacao de planos de resiliencia testados. Existe uma lacuna entre o que se exige e os instrumentos praticos disponiveis para fazer stress test de uma rede eletrica, de um aeroporto ou de um operador de telecomunicacoes em multiplos cenarios e em multiplas regioes.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O INFRA-01 e um instrumento de I&D aplicada com forte componente de digitalização, voltado a entrega de produtos para utilizadores institucionais.

  • I&D e ciencia: apesar do regime Innovation Action, a Comissão pede investigação aplicada em metodologias de stress testing, modelos de risco multi-perigo e análise de fatores humanos. Equipas com publicacoes em resilience engineering ou ciencia de risco tem vantagem.
  • Digitalização e IA: simulacao, modelacao, geo-spatial, gemeos digitais, analitica avancada e deteccao de anomalias sao explicitamente mencionados como tecnologias-base. Sem maturidade real em pelo menos uma destas competencias, a proposta nao chega ao TRL 6-7 esperado.
  • Investimento produtivo: a TRL 6-7 obriga a um plano de path-to-market e a infraestrutura demonstradora. Operadores de infraestrutura critica como practitioners convertem o produto em algo deployable e nao apenas um relatorio.
Quem pode candidatar-se

Consorcios europeus, com restricoes adicionais

Para alem das regras gerais de Horizonte Europa (3+ entidades de 3+ paises), este topico tem condições especificas:

  • Pelo menos tres practitioners dos Estados-Membros ou paises associados: operadores de infraestrutura critica, autoridades responsaveis pela resiliencia de CI, autoridades de proteção civil ou empresas de seguranca privada que prestem servico a CI. Sem este nucleo, a proposta nao e admissivel.
  • Restricoes de controlo: entidades estabelecidas em paises elegiveis mas direta ou indiretamente controladas pela China nao sao elegiveis, em linha com a proteccao de tecnologias criticas em Innovation Actions sensiveis. Verificar ownership cuidadosamente em consorcios mistos.
  • Sujeito a restricoes de proteccao de redes europeias de comunicação: em projetos que envolvam telco critica, classificacao EUCI/SEN e regras adicionais aplicam-se.
Nota técnica
O JRC (Joint Research Centre) pode participar como beneficiario com financiamento zero ou como associated partner e os projetos sao incentivados a articular-se com o JRC para complementaridade real-scale com Reaction Wall e HopLab do European Laboratory for Structural Assessment (ELSA).
Números chave

Dimensao do envelope financeiro

4.835M EUR
Por projeto
2
Projetos a financiar
9.67M EUR
Envelope total

Os dois projetos vencedores terao de coordenar-se ativamente com projetos previamente financiados sob HORIZON-CL3-2025-01-INFRA-01 (preparacao, resposta e recuperacao de disrupcoes em larga escala) e HORIZON-CL3-2025-01-INFRA-02 (papel do fator humano na resiliencia). A duplicacao e penalizada. As propostas devem identificar pontos de complementaridade explicitos.

Escopo técnico

O que tem de ser entregue

A Comissão espera contribuicao para cinco resultados:

  • Ferramentas adaptaveis e fiaveis: permitir stress tests virtuais e fisicos de ativos e operações de operadores e autoridades de CI.
  • Compreensao mais profunda: ajudar entidades criticas a mapear vulnerabilidades técnicas e operacionais e capacidades adaptativas perante stress.
  • Sistemas de notificacao e colaboracao: infraestrutura de comunicação em condições de stress, partilha segura de informacao critica.
  • Investigação pos-incidente: recolha, análise, gestão e partilha segura de dados de incidente para learning loops.
  • Procedimentos operacionais e curriculos: materiais de formacao e gestão de incidentes diretamente operacionalizaveis pelas entidades criticas.
Para que tipo de organização

Perfis com vantagem competitiva

Pelo perfil IA com TRL 6-7, vencem consorcios mistos onde o lider tipicamente e uma empresa tecnologica com produto em desenvolvimento, apoiada por:

  • Centros de I&D em resilience engineering, modelacao de sistemas complexos ou ciberseguranca de OT (operational technology).
  • Operadores de CI: TSO/DSO eletricos, gestores de aeroportos, operadores ferroviarios, operadores de água, hospitais centrais, operadores de telecomunicacoes designados.
  • Autoridades reguladoras nacionais ou agencias de proteção civil capazes de validar protocolos.
  • Empresas de cybersecurity OT/IT, fornecedores de gemeos digitais, especialistas em geo-spatial intelligence.

Em Portugal, REN, EDP Distribuicao, ANA Aeroportos, IP Telecom, MEO/NOS/Vodafone (telco critica), Aguas de Portugal e SUCH (saúde) sao os candidatos naturais para o papel de practitioner. Mobilização precisa de comecar cedo: estes operadores tem ciclos internos de aprovacao longos.

Calendario

Janela de candidatura

MarcoData
Abertura do call CL3-2026-0106 maio 2026
Deadline INFRA-01 (single-stage)05 novembro 2026
Resultados de avaliaçãoEstimado Q1 2027
Inicio dos projetosEstimado Q3 2027
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O INFRA-01 e um topico onde a fronteira entre I&D academica e produto comercial e fina. Tres avisos.

Primeiro, o filtro do TRL alvo (6-7) e real. Equipas que apresentem propostas tipicamente RIA (modelos teoricos, prototipos de laboratorio) sao avaliadas como nao adequadas ao instrumento. Quem nao tenha um produto ja em piloto avancado deveria considerar o INFRA-02 ou outro topico RIA em vez deste.

Segundo, a obrigacao de coordenacao com projetos INFRA-01 e INFRA-02 de 2025 nao e formal. As propostas sao avaliadas com base na demonstracao concreta de complementaridade. Recomendamos ler resumos públicos dos projetos de 2025 e citar pontos especificos de articulacao no work plan.

Terceiro, a restricao sobre controlo chines e a sensibilidade EUCI/SEN limitam parcerias. Verificar a propriedade ultima de todos os parceiros, incluindo subsidiarias de grupos com acionistas asiaticos, evita rejeicao tardia. Em casos de duvida, contactar o NCP nacional antes da submissão.

Comentarios, correcoes ou contrapontos sao bem-vindos: [email protected]