Investigação sobre o lado obscuro da transição verde
O HORIZON-CL3-2026-01-INFRA-02 e um topico do Cluster 3 do Horizonte Europa (Civil Security for Society 2026) que financia um único projeto Research and Innovation Action em regime Lump Sum, com 4 milhoes de euros de contribuicao europeia. O foco e raro e necessario: estudar como a integração acelerada de tecnologias verdes em areas urbanas e peri-urbanas cria novos riscos fisicos e ciber para infraestruturas, autoridades e cidadaos.
A transição verde nao e neutra do ponto de vista da seguranca. Coberturas e fachadas verdes interativas com a rede, instalações solares descentralizadas, postos de carregamento de veiculos eletricos, sistemas de armazenamento de energia, sensores inteligentes, mobilidade verde e materiais de construcao sustentaveis ou reutilizados sao implantados a um ritmo que ultrapassa a capacidade dos operadores de infraestruturas criticas e das autoridades para mapear as suas interdependencias. Incendios em baterias, fugas toxicas, choques eletricos, falhas estruturais, residuos perigosos, vulnerabilidades de privacidade, manipulacao de software de gestão e tensoes sociais ao redor de novas instalações sao todos vetores que a Comissão Europeia identifica explicitamente como objeto de investigação deste topico.
Necessidades que este instrumento resolve
Este instrumento situa-se no cruzamento entre I&D científico aplicado e politica climática, com forte componente de seguranca civil. Cobre duas necessidades empresariais distintas que raramente convivem no mesmo aviso.
- I&D e ciencia: o projeto e uma RIA com TRL alvo de 5, ou seja, validacao de tecnologia em ambiente relevante. Financia a produção de conhecimento novo sobre interdependencias entre tecnologias verdes e infraestrutura legada, metodologias de avaliação de risco para autoridades e modelos de incidente que ainda nao existem na literatura.
- Sustentabilidade, energia e clima: diferente de outros topicos CL3, este programa exige enquadramento explicito na transição verde. Tecnologias solares, baterias, mobilidade eletrica, materiais nature-based e gestão de residuos sao centrais ao escopo. Quem trabalhe em descarbonização urbana sem perspetiva de seguranca esta fora do alvo e quem trabalhe em seguranca urbana sem foco verde tambem.
Consorcios europeus com pelo menos tres practitioners
A elegibilidade segue as regras gerais do Horizonte Europa: consorcios de pelo menos tres entidades juridicas independentes, oriundas de pelo menos tres Estados-Membros ou paises associados diferentes. Empresas (incluindo PME), centros de investigação, universidades, autoridades públicas, ONG e operadores de infraestrutura sao elegiveis como beneficiarios.
A condicao critica e a presenca obrigatoria de pelo menos tres practitioners de seguranca dos Estados-Membros ou paises associados, escolhidos entre operadores de infraestrutura critica, autoridades responsaveis pela resiliencia de infraestruturas criticas, autoridades de proteção civil ou first responders. Sem este nucleo operacional na proposta, ela nao e admissivel. A informacao sobre estes practitioners deve ser preenchida no formulario "Information about security practitioners" do sistema de submissão.
Dimensao do envelope financeiro
A escolha do envelope envia um sinal claro: a Comissão quer um projeto único, comprehensive, capaz de mapear o fenomeno em vez de varias provas de conceito fragmentadas. O regime Lump Sum significa que o orcamento e fixado a priori e o pagamento depende da demonstracao do trabalho concluido por work package, nao do reporte detalhado de despesa elegivel.
O que tem de ser demonstrado
A Comissão espera que o projeto produza, em maior ou menor grau, sete famílias de resultados:
- Identificacao e análise de novos riscos: mapear os riscos emergentes ligados as tecnologias verdes em ambiente urbano, com taxonomia clara que sirva autoridades.
- Ferramentas modernas de medicao: instrumentos para detetar e quantificar mudancas urbanas e peri-urbanas causadas pela transição verde, com angulo de seguranca e resiliencia.
- Verificacao de medidas de mitigacao: testar contramedidas a riscos e perigos identificados em areas que acolhem tecnologias verdes.
- Construcao de aceitacao social: contribuir para sensibilizar público e instituicoes sobre os trade-offs entre transição verde e novos riscos.
- Examinar impactos de incidentes: incluindo riscos ambientais e climaticos associados ao mau funcionamento das tecnologias.
- Cadeias de valor: analisar dependencias tecnologicas e de recursos da indústria verde europeia, alinhando com o principio da autonomia estratégica.
- Metodologias para autoridades: entregar a operadores e autoridades públicas instrumentos praticos para integrar tecnologias verdes de forma segura.
Perfis com vantagem competitiva
Pela natureza interdisciplinar do topico, consorcios vencedores tendem a combinar quatro tipos de competencia. Em Portugal, a equipa Open Capital tem visto interesse de:
- Centros de investigação em engenharia urbana, energia e sistemas eletricos com track record em projetos europeus de seguranca ou energia.
- Empresas tecnologicas que desenvolvam plataformas de monitorizacao, gemeos digitais urbanos, IoT industrial ou ciberseguranca de OT (operational technology).
- Municipios e empresas municipais com responsabilidade sobre redes verdes urbanas, mobilidade eletrica ou gestão de residuos, capazes de servir como practitioners.
- Empresas de seguranca privada e proteção civil com capacidade operacional para validar metodologias em ambiente real.
Janela de candidatura
| Marco | Data |
|---|---|
| Abertura do call CL3-2026-01 | 06 maio 2026 |
| Deadline INFRA-02 (single-stage) | 05 novembro 2026 |
| Resultados de avaliação | Estimado Q1 2027 |
| Inicio dos projetos | Estimado Q3 2027 |
Com seis meses de janela e um único projeto a financiar, a competicao e densa. Consorcios em formacao deveriam ter o nucleo de practitioners e a logica narrativa fechada antes do verao para deixar setembro e outubro dedicados a redacao da proposta e revisao de impacto.
O que recomendamos
Este topico tem um perfil que recompensa quem o escolhe deliberadamente. Tres avisos.
Primeiro, nao e um topico para quem tem um projeto generico de transição verde a procura de financiamento. A Comissão quer especificamente o angulo de seguranca e propostas que nao demonstrem expertise em risco e resiliencia falham na avaliação de excelencia mesmo com bons consorcios.
Segundo, a obrigatoriedade dos tres practitioners e o filtro real. Operadores de infraestrutura, autoridades de proteção civil e first responders sao parceiros dificeis de mobilizar com pouca antecedencia, especialmente em municipios com pouca exposicao a Horizonte Europa. Em Portugal, AMA, ANEPC, municipios maiores, EDP Distribuicao e operadores de mobilidade eletrica sao alvos logicos a contactar cedo.
Terceiro, o regime Lump Sum reduz risco financeiro mas exige work packages bem definidos a priori. Mudar o ambito a meio do projeto e mais penoso do que num grant tradicional. Vale a pena investir mais tempo no work plan inicial.
Comentarios, correcoes ou contrapontos sao bem-vindos: [email protected]