Visão geral

O que financia este tópico

Este tópico do Horizonte Europa, dentro do cluster CL3 Segurança Civil para a Sociedade, aborda um risco que cresce em silêncio: o uso malicioso de inteligência de fontes abertas (OSINT) contra operadores de infraestruturas críticas. OSINT é a recolha de informação publicamente acessível, em redes sociais, fóruns, registos públicos, dados geoespaciais ou até arquivos em papel. Isoladamente cada peça parece inofensiva, mas a sua agregação, cruzada com processamento automatizado e inteligência artificial, pode revelar vulnerabilidades, localizações de sensores e câmaras ou indivíduos com acessos privilegiados.

É uma Innovation Action com dotação de 7,67 milhões de euros para 2027, distribuída por dois projetos de 3,835 milhões de euros cada. Os resultados devem atingir um nível de maturidade tecnológica elevado (TRL 8), ou seja, soluções praticamente prontas para uso operacional e não apenas conceitos de investigação.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O tópico cruza a fronteira entre investigação aplicada e tecnologia operacional. Não procura estudar o fenómeno em abstrato, procura entregar ferramentas usáveis por operadores e autoridades. Por isso responde a duas necessidades empresariais bem definidas.

  • I&D e ciência: o projeto exige analisar o tipo, a quantidade e a acessibilidade da informação pública e o seu valor para planear ações hostis, incluindo cenários de ameaça híbrida, lobos solitários e manipulação de informação.
  • Digitalização e IA: a entrega central é um conjunto de ferramentas (toolbox) para mapeamento de OSINT, análise e sinalização de risco, abordando explicitamente as implicações do processamento de dados com inteligência artificial.
Resultados esperados

O que os projetos devem entregar

Os resultados esperados são orientados para a capacidade real dos operadores e autoridades, não apenas para a produção de conhecimento.

  • Maior consciência, entre operadores e autoridades, do impacto do OSINT na segurança das suas operações.
  • Uma toolbox de mapeamento de OSINT, com análise reforçada e sinalização de risco, disponível para os interessados.
  • Melhores planos de resposta a incidentes, de emergência e de continuidade de negócio.
  • Mecanismos para remover do domínio público informação potencialmente perigosa, prevenindo a preparação de ataques.
  • Campanhas de sensibilização e currículos de formação para os colaboradores das entidades críticas.
Elegibilidade

Quem pode participar e em que condições

O tópico exige a participação, como beneficiários, de pelo menos três practitioners relevantes de Estados-Membros da UE ou países associados. Estes representam um ou vários dos seguintes perfis: operadores de infraestrutura crítica, autoridades responsáveis pela resiliência de infraestruturas críticas, ou forças de segurança e empresas privadas que prestam segurança a estas infraestruturas. Espera-se ainda articulação com o Europol Innovation Lab durante a vida do projeto, para facilitar a futura adoção das inovações pela comunidade de aplicação da lei.

Restrição a reter
Por se tratar de uma área tecnológica crítica, entidades estabelecidas num país elegível mas direta ou indiretamente controladas pela China, ou por uma entidade aí estabelecida, não podem participar. Aplicam-se também restrições para proteção das redes de comunicação europeias. Se forem usados dados de observação ou posicionamento por satélite, é obrigatório recorrer ao Copernicus e ao Galileo/EGNOS.
Condições financeiras

Estrutura da subvenção

€7,67M
Dotação 2027
2
Projetos financiados
8
TRL alvo

O financiamento assume a forma de montante fixo (lump sum), com contribuição de 3,835 milhões de euros por projeto. A abertura está prevista para 5 de maio de 2027 e o prazo de submissão para 4 de novembro de 2027, num modelo de fase única. Algumas atividades podem envolver informação classificada ou resultados sensíveis em matéria de segurança.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este é um tópico de nicho com um perfil de candidatura exigente. O TRL 8 sinaliza que a Comissão quer soluções quase operacionais, o que favorece consórcios que já tenham tecnologia madura em análise de dados, ciberinteligência ou proteção de infraestruturas. Para uma empresa portuguesa de cibersegurança ou análise de OSINT, o caminho realista é entrar num consórcio liderado por um parceiro experiente em Horizonte Europa, contribuindo com um módulo tecnológico específico.

A obrigatoriedade de três practitioners é o ponto crítico do desenho da candidatura. Sem operadores de infraestrutura crítica ou autoridades de segurança comprometidos desde o início, a proposta não é elegível. Recomendamos garantir essas cartas de compromisso antes de investir na escrita técnica e planear desde cedo a articulação com o Europol Innovation Lab, que é uma expectativa explícita do tópico.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]