Topico do Cluster 5 com duas areas técnicas distintas
O HORIZON-CL5-2027-03-D5-03 e um topico de Innovation Action do programa Horizon Europe que se posiciona na intersecao entre a transição para o veiculo eletrico e a economia circular. O topico esta integrado na parceria europeia 2ZERO (Towards Zero Emission Road Transport), parceria co-programada que tem como missao acelerar a descarbonização do transporte rodoviario.
A originalidade deste topico esta na combinacao de duas linhas de trabalho que tipicamente sao tratadas em separado. A area A foca-se em desenho fisico para circularidade de componentes do drivetrain (motores, conversores de potencia, gear assemblies, exceto celulas de bateria) e da infraestrutura de carregamento. A area B trabalha a camada digital, isto e, gestão de dados ao longo do ciclo de vida via digital twins, product passports e track and trace, em interoperabilidade com o passaporte de bateria definido na ESPR (Eco-design for Sustainable Products Regulation).
O orcamento total e de 24 milhoes de euros para 2027, distribuidos por quatro grants. A indicacao orcamental por area e de 7 milhoes para projetos de area A e 5 milhoes para projetos de area B, embora a Comissão Europeia mantenha flexibilidade para aceitar montantes diferentes. Trata-se de uma Innovation Action em modalidade lump sum, o que significa pagamento ligado ao cumprimento dos pacotes de trabalho declarados na candidatura, sem auditoria de custos reais.
Necessidades que este instrumento resolve
A logica deste topico cruza duas tags do filtro de necessidades. Por um lado e investimento produtivo em sentido lato, na medida em que financia desenvolvimento e demonstracao de processos, equipamentos e capacidade industrial para circularidade efetiva de VE. Por outro e claramente um instrumento de sustentabilidade e energia, alinhado com a estrategia europeia de descarbonização do transporte rodoviario e a ESPR.
- Investimento produtivo: o topico financia processos de design para desmontagem automatizada, monitorizacao de saúde de componentes, refurbishment e demonstracao de cadeias de processos industriais para tracking and tracing de componentes EV ate TRL 6-7. Nao e ciencia fundamental e capacitacao industrial.
- Sustentabilidade, energia e clima: o objetivo central e reduzir o impacto ambiental cradle-to-cradle dos drivetrains EV e da infraestrutura de carregamento, incluindo redução de criticos raw materials (CRM), extensão de vida util e estrategias de second-life. Tudo alinhado com o Green Deal e a parceria 2ZERO.
Duas areas com perfis de consorcio distintos
Compreender a divisao em duas areas e essencial para construir uma candidatura competitiva. Cada area tem requisitos tecnologicos e perfis de parceiros muito diferentes e os melhores consorcios nao tentam cobrir as duas, mas focam-se numa.
| Dimensao | Area A: Circularidade fisica | Area B: Gestão data-driven |
|---|---|---|
| Foco | Drivetrain (sem celulas de bateria) e infraestrutura de carregamento | Digital twin, product passport e track and trace ao nível do veiculo |
| Componentes alvo | Motores eletricos, rotores, estatores, conversores de potencia, gear assemblies, EVCI | Componentes representativos com identificacao digital persistente |
| Dotacao indicativa | ~7M EUR por grant | ~5M EUR por grant |
| Atividades chave | Design para desmontagem, predicao de RUL, refurbishment, redução de CRM | Track and trace, FAIR data management, APIs abertas, integração com ESPR |
| Builds upon | HORIZON-CL5-2021-D5-01-04, 2022-D5-01-09, 2025-04-D5-04 | Battery passport, IDIS, IMDS, Catena-X, common European Green Deal data space |
A area A e uma evolucao de linhas temáticas anteriores e exige consorcios com OEMs e Tier-1 com track-record em propulsao eletrica. A area B e mais recente, com forte componente de governance de dados, GDPR, harmonizacao com a Catena-X e implementação técnica do digital product passport. Os consorcios vencedores em B tendem a juntar plataformas de software industrial, peritos em data spaces e fabricantes que querem influenciar a definição do passport pela via técnica.
Mecanica do financiamento e expectativas de orcamento
A modalidade lump sum determina que o orcamento de 5 a 7 milhoes por projeto e definido na fase de candidatura e fixado no contrato. O pagamento esta indexado ao cumprimento de pacotes de trabalho previamente declarados, com tabela de orcamento detalhada em formato HE Lump Sum. A taxa de cofinanciamento e de 100% para participantes em IA, sem distincao entre grandes empresas e PME quando integrados na parceria 2ZERO.
A duracao tipica destes projetos e de 36 a 48 meses. O TRL 6-7 ao fim do projeto significa que se exige demonstracao em ambiente operacional ou condições representativas, nao apenas prova de conceito. Para a area A isto traduz-se em pilotos com OEMs reais; para a area B exige integração com sistemas existentes (IDIS, IMDS, Catena-X) e demonstracao em casos de uso reais de fim de vida.
Janela de submissão
| Marco | Data |
|---|---|
| Abertura prevista | 15 de dezembro de 2026 |
| Deadline submissão | 14 de abril de 2027 |
| Modelo | Single-stage |
| TRL fim | 6 a 7 |
A janela de 17 semanas e curta para um topico com este nível de complexidade técnica. Na prática, o trabalho de mobilização de consorcio comeca seis a doze meses antes da abertura formal. Para entidades portuguesas que ainda nao tenham relacao estabelecida com OEMs europeus ou com plataformas como Catena-X, este e o momento de construir essa ponte, nao quando a call abrir.
Quem se enquadra
O perfil dos consorcios vencedores difere entre as duas areas. Para a area A e necessario reunir um OEM ou Tier-1 com produção em escala, fabricantes de eletronica de potencia, especialistas em metalurgia e processos de desmontagem automatizada. Para a area B, o consorcio tem um centro de gravidade diferente, com plataformas de software industrial, peritos em digital twins e em data spaces europeus.
- Para a area A, OEMs e Tier-1 europeus com produção de drivetrains eletricos. A entrada portuguesa realista e como fornecedor especializado em eletronica de potencia, em sistemas de gestão termica ou em diagnostico de saúde de componentes.
- Centros de I&D com competencia em automacao, processos aditivos, metalurgia avancada e materiais. INEGI, ISQ, IST, FEUP e CEiiA tem track-record relevante em projetos europeus de mobilidade.
- Para a area B, plataformas de software industrial com produto em digital twins, MES, PLM ou data management para indústria 4.0. Empresas portuguesas como Critical Software, Glintt ou ISQ Tech tem porta de entrada via integração técnica.
- Especialistas em data governance e privacy com experiencia em GDPR, FAIR data principles e governance de plataformas multi-stakeholder. Esta competencia e diferenciadora na area B e tipicamente vem de consultoras especializadas em compliance e cybersecurity.
- Operadores de fim de vida e refurbishers com capacidade demonstrada em desmontagem de VE. O ecossistema portugues nesta area e ainda incipiente, mas Auto Sueco, Ribfo Group ou empresas do cluster ACAP podem oferecer-se como utilizadores piloto.
- Operadores de infraestrutura de carregamento com investimento em redes EVCI públicas ou privadas. Galp, EDP e MOBI.E sao candidatos naturais para componentes de demonstracao na area A.
O que recomendamos
Este topico tem uma caracteristica que vale a pena explorar com clareza: a regra do portfolio balanceado garante que pelo menos dois projetos de area B serao financiados, mesmo que projetos de area A dominem o ranking geral. Para entidades portuguesas, esta e uma excelente noticia. A competicao em area A esta fortemente influenciada por consorcios liderados por OEMs alemaes, italianos e suecos, com posicoes ja consolidadas. A area B, sendo mais recente e tecnologicamente mais aberta, tem espaco para liderancas emergentes em paises menos representados.
A nossa recomendacao para entidades portuguesas e dupla. Para players com produto em eletronica de potencia, gestão termica ou processos de desmontagem automatizada, a entrada em area A faz-se pela via do fornecedor diferenciado dentro de consorcio liderado por OEM europeu. Importante negociar a participacao com seis a oito meses de antecedencia, idealmente atraves de um centro de I&D portugues que ja tenha relacao consolidada com a 2ZERO (CEiiA e INEGI sao porta de entrada natural).
Para empresas de software industrial e plataformas de digital twin, area B e a oportunidade mais acessivel. Aqui a recomendacao e construir uma proposta técnica que demonstre integração real com pelo menos uma plataforma estabelecida (Catena-X, IDIS, IMDS) e que envolva um caso de uso de fim de vida com um OEM real ou com um operador de refurbishment. Liderar uma candidatura de area B com 5 milhoes de orcamento e ambicioso mas plausivel para uma scale-up portuguesa com produto maduro e relacao europeia consolidada. Para empresas que ainda nao reunem este perfil, a entrada como parceiro de software ou de governance de dados continua a ser uma janela atrativa.
Por fim, um alerta. Este topico nao financia desenvolvimento de baterias nem celulas, que estao cobertas por outros topicos da parceria Batt4EU. Confundir o scope com bateria pode invalidar a candidatura na fase de admissibilidade. O foco esta nos drivetrains, na infraestrutura de carregamento e na camada de gestão de dados, nao na quimica das celulas.
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