O que e

Demonstracao em escala real de descarbonização maritima combinada

O HORIZON-CL5-2027-03-D5-14 e um topico de Innovation Action do programa Horizon Europe que se insere na parceria europeia ZEWT (Zero Emission Waterborne Transport), parceria co-programada que coordena a transição do transporte maritimo para emissoes liquidas zero. O topico tem uma caracteristica que o distingue de outros instrumentos da area maritima: o objetivo e demonstrar em escala real, com TRL 8 ao fim do projeto, a combinacao de multiplas tecnologias num so navio para reduzir em pelo menos 55% o consumo de combustivel face aos níveis de 2008.

A logica subjacente parte da constatacao de que existem ja varias tecnologias maduras de descarbonização maritima (propulsao eletrica e hibrida, propulsao assistida por vento, otimizacao de casco, lubrificacao por ar, sistemas de gestão energética), mas que a sua combinacao integrada num único navio gera ganhos sinergicos que ainda nao foram demonstrados de forma sistematica. Este topico financia precisamente essa demonstracao integrada.

O orcamento e de 6.5 milhoes de euros para 2027, num único grant de valor fixo. Trata-se de uma Innovation Action em modalidade lump sum, com taxa de cofinanciamento de 100% para participantes em IA. A presenca de apenas um grant torna este topico altamente competitivo: a Comissão escolhera o consorcio com melhor combinacao de credibilidade industrial, integração técnica e potencial de replicabilidade.

Alinhamento com FuelEU Maritime
O topico exige que o trabalho contribua para a implementação da regulacao FuelEU Maritime, atraves do desenvolvimento de um framework standardizado de verificacao das poupancas energeticas e de certificação de solucoes de energia renovavel. Esta dimensao regulatoria adiciona valor para armadores que planeiam cumprir requisitos a partir de 2030.
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Este topico cruza dois eixos principais do filtro de necessidades. Ao financiar demonstracao TRL 8 em ambiente operacional real (navio em servico) e investimento produtivo de capacidade industrial. Em simultaneo, o objetivo central e descarbonização do setor maritimo, em alinhamento com os Sustainable Development Goals e com a estrategia europeia de transição verde.

  • Investimento produtivo: o topico financia retrofits ou newbuilds em casos de demonstracao reais. Para os armadores e estaleiros parceiros, isto representa investimento em capacidade demonstrada de integrar tecnologias avancadas, alem de validar processos de class certification e de seguranca operacional.
  • Sustentabilidade, energia e clima: a meta de 55% de redução de consumo combustivel face a 2008 e ambiciosa e alinhada com os Greenhouse Gas Strategy targets da OMI e com FuelEU Maritime. O topico habilita uma trajetoria credivel de descarbonização, abordando simultaneamente NOx, Black Carbon e dispersao de amonia, evitando trade-offs ambientais negativos.
O que tem de demonstrar

Os sete pilares obrigatorios da proposta

A descricao do topico lista de forma clara as dimensoes que a proposta tem de abordar. Para um consorcio que prepare candidatura, a leitura literal destes pontos e essencial.

  • Demonstracao em escala real de 55% de redução de combustivel: definir baseline com clareza (newbuild vs retrofit) e perfil operacional do navio.
  • Metodologia de calculo de poupancas individuais e agregadas: calcular o impacto de cada tecnologia separadamente e o efeito combinado em diferentes cenarios operacionais.
  • Otimizacao de design para diferentes tipos de navio: dar enfase a casos de retrofit e a replicabilidade.
  • Capitalização em solucoes digitais: smart control, energy management, integração com automacao do navio e processos de class certification, com atencao a cibersecurity.
  • Avaliação ambiental e custo-eficiencia integrada: incluir poluicao do ar, água e ruido subaquatico, com análise de ciclo de vida.
  • Seguranca e operação: abordar desafios técnicos e operacionais da combinacao de solucoes, com planos de cooperação entre tripulacao, portos e servicos de emergencia em terra.
  • Valor estratégico EU: explicar o contributo para a autonomia estratégica europeia ao longo da cadeia de valor, com preferencia por estaleiros e fabricantes localizados na UE/EEE.
Condições financeiras

Mecanica do único grant

6.5M EUR
Por projeto fixo
1
Grant previsto
55%
Redução alvo combustivel
8TRL
Demonstracao operacional

Com apenas um grant disponivel, a competicao e particularmente exigente. O orcamento e fixo: nao ha negociacao de valor por proposta. A modalidade lump sum determina que o pagamento e feito por entregaveis declarados na candidatura, com tabela detalhada em formato HE Lump Sum. A duracao tipica deste tipo de projeto e de 36 a 48 meses, ainda que projetos de retrofit possam ser concluidos em prazos mais apertados.

O TRL 8 ao fim do projeto significa demonstracao do sistema completo em ambiente operacional, com class certification em curso ou concluida. Nao se trata de prototipo: e um navio real em servico comercial ou em operação representativa, com medicao continua de consumo e validacao em condições reais de mar.

Calendario

Janela de submissão

MarcoData
Abertura prevista15 de dezembro de 2026
Deadline submissão14 de abril de 2027
ModeloSingle-stage
TRL fim8 (demonstracao operacional)

A janela de 17 semanas entre abertura e deadline e curta para um topico que exige reunir um armador disposto a alocar um navio para demonstracao, um estaleiro com capacidade de integrar multiplas tecnologias, fornecedores de cada tecnologia individual e uma class society para certificação. A mobilização deste tipo de consorcio comeca tipicamente um ano antes da abertura e os candidatos competitivos ja estao posicionados no inicio de 2026.

Para que tipo de empresa

Quem se enquadra

A natureza desta candidatura exige um consorcio com perfil industrial muito definido. As entidades portuguesas com hipotese real de participacao sao limitadas mas existem e os papeis especificos sao determinantes para o sucesso da candidatura.

  • Armadores europeus dispostos a alocar um navio: e o componente critico. Em Portugal, ETE Group (Empresa de Tracao Eletrica), Operadora Maritima (Naviera Madeirense), Sotinco e operadores de cabotagem regional podem oferecer-se como vessel owner. A presenca de um armador portugues facilita a integração da componente nacional.
  • Estaleiros com capacidade de integração: Lisnave Estaleiros Navais e Navalrocha tem competencia em retrofit. Para newbuild, a participacao de estaleiros como Damen ou Meyer Werft com Lisnave como subcontractor e plausivel.
  • Fornecedores de tecnologias individuais: empresas com produto em propulsao eletrica naval, sistemas hibridos, propulsao assistida por vento (Norsepower e referencia, mas ha alternativas), lubrificacao por ar, otimizacao de casco. Em Portugal, Critical Software e Damotec tem competencia em sistemas de monitorizacao naval.
  • Centros de I&D em engenharia naval e oceano: IST, FEUP, ISEL, Universidade de Aveiro e o NavAceleradora podem oferecer pacotes de trabalho em modelacao energética, gestão termica e análise de ciclo de vida.
  • Class societies: Lloyd's Register, DNV, Bureau Veritas. Na prática, uma class society e parceiro obrigatorio para demonstracao TRL 8.
  • Operadores portuarios: APDL (Porto de Leixoes), APL (Lisboa), APS (Setubal) podem oferecer-se como pontos de bunkering, inspecao e treino de tripulacao em terra. A integração porto-navio e dimensao explicita do scope.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A natureza single-grant deste topico cria uma dinamica especifica: ha tipicamente dois ou tres consorcios europeus de muito alto nível a posicionar-se com mais de um ano de antecedencia. Para entidades portuguesas a competir como coordenadoras, a probabilidade de sucesso e baixa. Para entidades portuguesas a entrar como parceiros especializados em consorcios europeus pre-existentes, a janela esta aberta mas estreita.

A nossa recomendacao para empresas portuguesas com produto na area e tripla. Primeiro, mapear os consorcios europeus em formacao. As parcerias historicas em ZEWT giram em torno de armadores escandinavos (Stena, Wallenius), estaleiros holandeses e alemaes (Damen, Meyer) e fornecedores noruegos e finlandeses (Wartsila, Norsepower). Aproximar-se destes consorcios via canais como o ZEWT Partnership Forum ou a SEA Europe e o caminho realista. Segundo, oferecer um diferenciador especifico: empresas portuguesas com competencia em sistemas de monitorizacao energética, em otimizacao operacional via IA ou em propulsao auxiliar (eletrica) tem porta de entrada como fornecedor Tier-2.

Terceiro, considerar o ecossistema portugues de demonstracao. A presenca de portos com perfil de tres dimensoes (carga, passageiros, cabotagem) e de armadores nacionais com ambicao de descarbonização torna Portugal um candidato logico para alojar pelo menos uma componente do demonstrador. Convencer um consorcio liderado por um armador europeu a usar o porto de Leixoes ou de Lisboa para parte da demonstracao traz valor logistico real e abre porta para participacao portuguesa adicional.

Para entidades fora do consorcio vencedor, este topico continua a ter valor. As tecnologias e metodologias desenvolvidas serao públicas e replicaveis. Investir agora em capacidade de retrofit naval, em monitorizacao energética de navios ou em integração porto-navio posiciona empresas portuguesas para o ciclo seguinte de Calls (Horizon Europe 2028, EIC Accelerator com pivot maritimo, ou eventuais avisos PT2030 sobre descarbonização da economia azul).

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