O que é

Innovation Action sobre segurança de incêndio em VE

O HORIZON-CL5-2027-03-D5-06 é um topico do programa Horizon Europe, integrado no Cluster 5 (Clima, Energia e Mobilidade) e na call HORIZON-CL5-2027-03 (MOBILITY) do Work Programme 2026-2027. Está classificado como Innovation Action (IA) em modalidade lump sum, com 8 milhões de euros para um único projeto, ticket fixo de 8 milhões.

A premissa do topico é factual e contracorrente: as estatísticas confirmam que veículos elétricos têm risco global de incêndio inferior aos veículos com motor de combustão interna. Persiste, contudo, uma perceção pública contrária, agravada por situações reais em que um incêndio de bateria de litio em espaço fechado se torna difícil de extinguir e produz fumos toxicos. Este topico financia a indústria e a investigação aplicada para fechar essa lacuna entre risco real e risco percecionado, com soluções tecnológicas demonstráveis e protocolos de combate adaptados.

O âmbito cobre veículos das categorias M1 (passageiros), N1 (comerciais ligeiros), HDV (pesados) e veículos de categoria L (motociclos e ciclomotores) com ligações de carregamento de 400V-AC ou DC. Os contextos visados são parques subterrâneos, garagens cobertas, ferries para transporte de viaturas e depósitos com ou sem infraestrutura de carregamento, incluindo carregamento bidirecional. O projeto deve atingir TRL 6 no final.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O topico cobre duas necessidades distintas para empresas e centros de investigação portugueses ligados a mobilidade elétrica, baterias, eletronica embarcada ou segurança contra incêndios. É I&D aplicada com objetivo de chegar a soluções comercializáveis e a protocolos integráveis em normas (ISO, NFPA), não exploração de conceito teórico.

  • I&D e ciência: o topico financia o desenvolvimento da maior base de dados europeia sobre acidentes de incêndio com VE, sistemas de diagnóstico embarcado e monitorização em tempo real para alerta precoce, técnicas inovadoras de deteção, prevenção e supressão (incluindo medidas para thermal runaway, materiais resistentes ao fogo, acesso seguro à bateria) e protocolos de combate a incêndio em espaços confinados.
  • Sustentabilidade, energia e clima: a remoção da barreira percecionada de risco de incêndio é determinante para acelerar a adoção de mobilidade elétrica, em particular em ambiente urbano denso onde estacionamento subterrâneo e edifícios coletivos predominam. Sem confiança em segurança de incêndio em parques cobertos, condomínios e estacionamentos comerciais resistem à instalação de pontos de carregamento.
Atividades obrigatórias

O que tem de constar nas propostas

O scope é prescritivo. As propostas vencedoras devem cobrir, com peso material, a totalidade dos resultados esperados:

  • Avaliação de risco padronizada para risco de incêndio em VE em espaços confinados como parques subterrâneos, garagens, ferries e depósitos, com e sem infraestrutura de carregamento, durante carregamento mono ou bidirecional.
  • Soluções acessíveis de deteção, supressão e contenção, embarcadas no veículo ou na infraestrutura, com objetivo de viabilidade comercial. O regulamento exige explicitamente "affordable", o que implica análise de custo no design.
  • Base de dados europeia abrangente sobre acidentes de incêndio em todas as categorias de VE. Esta base é entregável estrutural, não apenas suporte de análise.
  • Sistemas de diagnóstico embarcado e monitorização em tempo real que reconheçam riscos cedo e ativem contramedidas adequadas antes da progressão do incêndio.
  • Protocolos padronizados e enquadramentos abertos de avaliação, incluindo integração com normas existentes (ISO, NFPA) para garantir adoção pelos serviços de combate a incêndio nacionais e municipais.
  • Componente Social Sciences and Humanities (SSH) significativa, com envolvimento de especialistas e instituições SSH, para tratar perceção pública e plataforma europeia de comunicação com stakeholders. Esta exigência é vinculativa e não decorativa.
Sinergia com Sustainable Transport Forum e EV TCP Task 49
As propostas devem identificar sinergias com o Sustainable Transport Forum europeu e com a Task 49 do Electric Vehicle Technology Collaboration Programme, dedicada a EV Fire Safety. Consorcios já envolvidos nestas iniciativas começam com vantagem competitiva em termos de redes, dados e referência metodologica.
Estrutura financeira

Oito milhões para um projeto único

8M EUR
Dotação 2027
1
Projeto esperado
8M EUR
Por projeto (fixo)
100%
Cofinanciamento

O ticket é fixo em 8 milhões de euros, ticket único. Em modalidade lump sum, o pagamento está indexado ao cumprimento de pacotes de trabalho, simplificando justificação de despesa mas exigindo planeamento orçamental rigoroso na candidatura. A taxa padrão é 100% para todos os participantes em ações IA quando integradas em parcerias co-programadas como a 2ZERO.

O facto de existir um único grant transforma este topico numa competição de alto desempenho. Não há margem para "segundo lugar"; a única candidatura vencedora absorve toda a dotação. A taxa de sucesso esperada será extremamente baixa em termos absolutos, mas o valor por projeto é substancial e permite financiar consorcio amplo.

Calendário

Janela de submissão

MarcoData
Abertura prevista15 de dezembro de 2026
Deadline submissão14 de abril de 2027
ModeloSingle-stage
TRL fim6 (demonstração em ambiente relevante)

O período útil é de 17 semanas. Para um topico que combina hardware (sensores, sistemas de supressão), software (diagnóstico em tempo real), protocolos de combate a incêndio e componente Social Sciences and Humanities, o consorcio precisa de ter a estrutura praticamente fechada antes da abertura. Negociar parcerias com fabricantes de viaturas, operadores de parques cobertos, corporações de bombeiros e centros de investigação SSH no espaço de quatro meses é inviável.

Para que tipo de empresa

Quem se enquadra

O perfil tipico de consorcio vencedor é amplo e multidisciplinar, com forte componente industrial e validação operacional real:

  • Fabricantes de baterias de tração e de sistemas de gestão de bateria (BMS), que detêm o conhecimento sobre falhas térmicas, propagação de thermal runaway e arquitetura segura. Em Portugal, empresas com competência em desenvolvimento de eletrónica embarcada e baterias industriais (CEiiA, Bosch Termotecnologia em projetos automotive) têm legitimidade.
  • Empresas de proteção contra incêndios e detenção, com produtos para infraestrutura fixa (parques cobertos, ferries) e sistemas embarcados para veículos. O consorcio típico inclui pelo menos um destes parceiros para o pacote de supressão e materiais resistentes ao fogo.
  • Operadores de infraestrutura crítica: empresas gestoras de parques de estacionamento subterrâneos, ferry operators, gestores de garagens em edifícios coletivos. Servem de site de demonstração e fonte de dados operacionais reais.
  • Centros de I&D em segurança de bateria, materiais e mobilidade, com competência em modelação termica e ensaios de fogo. CENIMAT e centros de engenharia mecanica de IST e FEUP em Portugal têm enquadramento.
  • Corporações e federações de bombeiros para validação de protocolos de combate em situação real e para integração com normas operacionais. Esta participação não é opcional, é vinculativa para o pacote de protocolos.
  • Entidades SSH com competência em comunicação de risco e perceção pública. Centros universitários de sociologia, psicologia social ou comunicação científica suprem este pacote, que tem materialidade significativa no scope.

Os candidatos típicos a coordenação são consorcios europeus liderados por TNO, Fraunhofer Institut, ou polos automotive como o IDIADA. Para entidades portuguesas, a participação como parceiro com competência clara e diferenciada (eletrónica de baterias, materiais resistentes ao fogo, site-piloto de parque coberto, ou pacote SSH) é o cenário realista.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este topico é estruturalmente exigente: um único grant para todo o espaço europeu, ticket fixo elevado, scope amplo que cobre seis frentes (avaliação de risco, deteção, base de dados, diagnóstico embarcado, protocolos, comunicação pública) e exigência de TRL 6 no final. A barreira de entrada é alta e a competição vai ser intensa, com consorcios europeus já em formação desde a publicação preliminar do Work Programme.

A nossa recomendação para entidades portuguesas é triplice. Primeiro, identificar cedo a competência diferenciadora. Não vale a pena tentar liderar um pacote tecnologico onde Fraunhofer, TNO ou IDIADA têm vantagem estrutural. Vale a pena participar com uma capacidade muito específica: um operador de parque urbano disposto a hospedar piloto, uma corporação de bombeiros com track-record europeu (Lisboa, Porto), uma empresa de eletrónica de bateria com produto comercial demonstrado, ou um centro SSH com publicação na área de perceção de risco tecnológico. Segundo, mobilizar agora cartas de intenção. Para um deadline em abril 2027 com componente de validação em campo, esperar até janeiro 2027 para negociar parcerias significa não conseguir submeter. Terceiro, posicionar como parceiro junto de consorcios em formação. Os candidatos lideres já estão a fechar mapeamento de competências; a janela de inclusão fecha tipicamente seis meses antes da deadline.

Para entidades fora do consorcio vencedor, ainda há valor. Topicos D5 subsequentes nos Work Programmes 2028 e 2029 vão dar continuidade a esta linha temática. Investir em capacidade demonstrada (mesmo via projetos nacionais ou parcerias industriais) é a forma de estar pronto para a próxima janela.

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