Enquadramento

O que é o tópico D3-16

O tópico HORIZON-CL5-2027-07-D3-16 pertence ao Cluster 5 do Horizonte Europa, concurso ENERGY. Financia processos industriais e equipamento para tecnologias fotovoltaicas tandem inovadoras, fiáveis e escaláveis. Executa a Parceria Europeia para a Inovação em Fotovoltaico, a EUPI-PV, o que significa que os projetos aprovados terão de reportar resultados a essa parceria para monitorização dos seus indicadores.

A dotação indicativa é de 28,5 milhões de euros, distribuídos por cerca de três projetos com contribuição europeia estimada em 9,5 milhões cada. É uma Innovation Action em fase única, com abertura prevista a 4 de agosto de 2027 e prazo a 1 de dezembro de 2027, às 17h00 de Bruxelas. As atividades devem atingir TRL 6 a 7 no final do projeto, podendo iniciar-se em qualquer nível de maturidade.

O problema que o tópico ataca não é científico. As células tandem, que empilham uma camada de película fina sobre silício para ultrapassar o limite de eficiência deste, já demonstraram em laboratório aquilo que prometem. O que falta é o resto: processos de fabrico reprodutíveis, equipamento pronto para escala industrial e tempos de vida comparáveis aos do silício convencional. É aí que o tópico coloca o dinheiro.

28,5M€
Dotação do tópico
9,5M€
Por projeto
3
Projetos esperados
7
TRL máximo no fim
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O tópico cruza uma necessidade industrial com uma necessidade de política energética. A Europa quer instalar 600 GWac de solar até 2030 e, ao mesmo tempo, produzir aqui pelo menos 40% do que instala, ou 30 GW de capacidade anual, meta inscrita no Net-Zero Industry Act. Nenhuma das duas se cumpre sem uma base industrial capaz de fabricar produtos competitivos.

  • Investimento produtivo: o financiamento dirige-se a processos de produção e a equipamento prontos para implantação em larga escala, incluindo engenharia de interfaces e de película fina em grande área. É desenvolvimento de linha industrial, não prova de conceito em bancada.
  • Investigação, desenvolvimento e ciência: demonstrar tecnologias tandem com tempos de vida semelhantes aos do silício e eficiências acima dos limites deste exige trabalho de I&D avançado sobre materiais, estabilidade e degradação, ainda que orientado para a industrialização.
  • Sustentabilidade, energia e clima: o objetivo declarado é reduzir a dependência europeia de importações fósseis e de cadeias de valor externas, reforçando simultaneamente a resiliência da cadeia fotovoltaica europeia.
Âmbito técnico

O que a proposta tem de demonstrar

O programa de trabalho é invulgarmente conciso neste tópico. Exige três demonstrações e as três têm de estar presentes.

  • Tempos de vida e eficiência: demonstrar tecnologias tandem com tempos de vida semelhantes aos do silício e eficiências superiores aos limites deste. A durabilidade é tão exigida quanto o desempenho, o que fecha a porta a propostas centradas apenas em recordes de eficiência.
  • Engenharia de interface e película fina em grande área: demonstrar controlo do processo à escala industrial e não à escala de amostra de laboratório.
  • Processos e equipamento prontos para escala: demonstrar processos de produção e equipamento aptos a implantação em larga escala, o que aproxima este tópico de um projeto de engenharia de fabrico.

A tudo isto acresce uma exigência que costuma separar propostas fortes de propostas médias. Quando a exploração dos resultados envolva desenvolver, criar, fabricar e comercializar um produto ou processo, o plano de exploração e disseminação tem de incluir uma estratégia de exploração com um caso de negócio sólido, planos preliminares de escalabilidade, comercialização e implantação, estudo de viabilidade e plano de negócio, indicando as fontes de financiamento a mobilizar depois, em particular o Fundo de Inovação.

A ligação ao Fundo de Inovação não é decorativa
O programa de trabalho nomeia explicitamente o Innovation Fund como fonte de financiamento a considerar para a fase seguinte. Uma proposta que apresente uma trajetória credível entre o projeto Horizonte Europa e um investimento industrial subsequente responde a uma pergunta que os avaliadores vão fazer de qualquer forma. Uma proposta que termine no protótipo demonstrado deixa essa pergunta em aberto.
Condições

Elegibilidade, financiamento e calendário

Aplicam-se as condições de elegibilidade do Anexo Geral B do programa de trabalho, com a exceção habitual deste concurso: se o projeto usar observação da Terra por satélite, posicionamento, navegação ou dados de temporização associados, os beneficiários têm de recorrer ao Copernicus e ao Galileo ou EGNOS, podendo usar outros dados de forma adicional.

ParâmetroCondição
ConcursoENERGY, HORIZON-CL5-2027-07
Tipo de açãoInnovation Action
Contribuição por projetoCerca de 9,5 milhões de euros
Dotação total do tópico28,5 milhões de euros
Projetos esperadosCerca de 3
Maturidade tecnológicaTRL 6 a 7 no final, início em qualquer TRL
ParceriaEUPI-PV, com obrigação de reporte de indicadores
Prazo1 de dezembro de 2027, 17h00 de Bruxelas

Nas Innovation Actions, a taxa de financiamento é de 70% dos custos elegíveis para entidades com fins lucrativos e de 100% para entidades sem fins lucrativos, nos termos dos anexos gerais. Para um fabricante de equipamento ou um produtor de módulos, isto significa comparticipação própria de 30%, valor que tem de estar assegurado antes de submeter, não depois de ser aprovado.

Perfil de candidato

Para que tipo de empresa faz sentido

O texto do tópico refere de forma direta a oportunidade que as tecnologias tandem abrem para spin-offs, startups e empresas em escala que queiram fabricar e colocar no mercado produtos fotovoltaicos competitivos. Não é um tópico reservado a grandes fabricantes instalados, mas exige capacidade industrial demonstrável.

O consórcio natural combina três perfis: quem domina a química e a física da célula tandem, tipicamente um centro de investigação ou uma universidade com laboratório de referência; quem constrói o equipamento de deposição e processamento; e quem opera uma linha piloto onde o processo pode ser validado em grande área. Portugal tem massa crítica reconhecida no primeiro perfil e presença crescente no segundo, o que torna a participação realista mesmo sem coordenação.

Uma nota sobre a EUPI-PV. Fazer parte da agenda estratégica de investigação e inovação do setor solar europeu é uma vantagem competitiva na avaliação, porque o tópico existe precisamente para executar essa agenda. Organizações que ainda não acompanham os trabalhos da parceria têm aqui um motivo prático para o começar a fazer, com mais de um ano de antecedência sobre a abertura.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este é um dos tópicos do concurso ENERGY com ligação mais direta a valor comercial. Ao contrário das ações de coordenação ou dos tópicos de sistema, aqui o resultado esperado é um processo de fabrico que alguém vai vender ou usar para produzir. Isso torna-o atrativo e também mais exigente na demonstração de capacidade industrial real.

A primeira recomendação é sobre o alinhamento entre ambição técnica e TRL. O tópico fecha em TRL 7, ou seja, protótipo demonstrado em ambiente operacional. Propostas que prometam produção comercial ficam desalinhadas por excesso, propostas que fiquem em validação laboratorial ficam desalinhadas por defeito. É um intervalo estreito e a avaliação nota quando não é respeitado.

A segunda é sobre a durabilidade. O requisito de tempos de vida semelhantes aos do silício é o mais difícil de cumprir em tandem, sobretudo nas químicas baseadas em perovskite. É onde os avaliadores com experiência industrial vão concentrar o ceticismo. Uma proposta com dados de envelhecimento acelerado credíveis e um protocolo de teste reconhecido parte com vantagem substancial sobre uma proposta que trate a estabilidade como trabalho futuro.

A terceira é sobre o calendário. Com abertura em agosto de 2027, há tempo para construir a demonstração industrial que a proposta vai descrever. Consórcios que cheguem a 2027 já com linha piloto operacional e resultados de grande área não competem em pé de igualdade com quem começar a montar a parceria depois de o concurso abrir. Para empresas portuguesas com interesse neste domínio, o trabalho útil faz-se agora, não em setembro de 2027.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]