O que é

Reduzir a incerteza sobre um dos sistemas mais críticos do clima

O tópico CLIMATE-04 do Cluster 6 do Horizonte Europa, inserido no destino "Terra, oceano e água para a ação climática", dirige-se a uma das maiores fontes de incerteza nas projeções climáticas globais: o comportamento futuro do Oceano Austral e da criosfera antártica. O que acontece nesta região, das correntes de fundo à dinâmica do gelo marinho, tem efeitos em cascata no nível médio do mar, na circulação oceânica global e no orçamento de carbono do planeta.

O concurso financia investigação multidisciplinar para resolver incertezas e melhorar as projeções sobre o futuro da região no curto prazo (em torno de 2030), no médio prazo (entre 2050 e 2060) e no longo prazo, incluindo mudanças abruptas e irreversíveis. Abrange também a vulnerabilidade dos ecossistemas do Oceano Austral e o reforço de sistemas de monitorização contínua da biodiversidade e do funcionamento dos ecossistemas polares.

É uma ação de Investigação e Inovação (RIA) de grande dimensão, com forte componente de observação, modelação do sistema terrestre e contributo para avaliações científicas globais como as do IPCC e do IPBES. Está articulada com uma iniciativa de coordenação entre a Agência Espacial Europeia e a Comissão Europeia sobre ciência do sistema terrestre.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Este é um tópico de ciência climática fundamental, mas com uma finalidade aplicada clara: dar à decisão política e à governação dos oceanos a base de evidência que hoje lhes falta sobre a região polar.

  • I&D e ciência: o projeto avança o conhecimento multidisciplinar sobre a dinâmica do Oceano Austral, do gelo marinho e da criosfera, melhora as projeções decadais a milenares e desenvolve mecanismos para distinguir mudanças induzidas pelo Homem das naturais.
  • Sustentabilidade, energia e clima: os resultados informam políticas de conservação ambiental e de resiliência climática, sustentam a governação dos oceanos polares e contribuem para as principais avaliações climáticas e de biodiversidade globais e para as Décadas das Nações Unidas do Oceano e da Criosfera.
Dotação e regras

Quanto vale e como está estruturado

Com €22 milhões para 2027 repartidos por dois projetos esperados de cerca de €11 milhões cada, é um dos tópicos mais bem dotados deste programa de trabalho. A dimensão por projeto reflete a complexidade logística e científica da investigação polar, que envolve campanhas de observação, infraestruturas e modelação avançada. O financiamento é em montante fixo (lump sum) e, sendo RIA, a comparticipação é de 100% dos custos elegíveis. O prazo de submissão é 23 de setembro de 2027, em fase única.

€22M
Dotação 2027
2
Projetos esperados
€11M
Por projeto
Dados abertos e uso obrigatório do Copernicus
Os dados recolhidos in situ devem seguir os princípios INSPIRE e ficar disponíveis em repositórios de acesso aberto apoiados pela Comissão Europeia, como o Copernicus e o EMODnet, além de serem FAIR (localizáveis, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis). Se o projeto usar observação da Terra ou posicionamento por satélite, os beneficiários têm de recorrer ao Copernicus e ao Galileo/EGNOS. Organizações internacionais são excecionalmente elegíveis.
Para que tipo de entidade

Quem pode candidatar-se

A candidatura é por consórcio, com o mínimo geral de três entidades independentes de três países diferentes. O perfil é fortemente científico e infraestrutural: institutos de investigação oceanográfica e polar, universidades com competências em ciências do mar, do clima e da criosfera e operadores de infraestruturas de investigação europeias.

Portugal tem uma comunidade científica relevante em ciências do mar e do clima, com centros de oceanografia e de ciências atmosféricas que podem integrar consórcios deste tipo. O ângulo empresarial existe, mas é especializado: empresas de tecnologia de observação oceânica, sensorização, processamento de dados de satélite ou serviços de modelação podem participar como parceiras tecnológicas. Não é um instrumento para a generalidade das empresas, mas sim para um nicho de alta especialização ligado à economia azul e à ciência de dados ambientais. A elegibilidade é transversal a todo o território nacional.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este é o tópico mais distante do tecido empresarial corrente de todos os que compõem este programa de trabalho. É ciência climática de grande escala, com uma lógica de excelência académica e de infraestrutura que deixa pouco espaço para a empresa generalista. Seria pouco honesto sugerir o contrário.

Dito isto, há um caminho real para dois tipos de organização portuguesa. O primeiro são os centros de investigação em ciências do mar e do clima, para quem este é um concurso de prestígio e de financiamento substancial, que vale a pena perseguir através da integração em consórcios europeus liderados por institutos polares de referência. O segundo são as empresas de tecnologia de observação oceânica e de processamento de dados, que podem encontrar aqui uma vitrina para as suas soluções como fornecedoras técnicas do consórcio. Para todos os outros perfis, a nossa recomendação é clara: este não é o instrumento adequado. Há na biblioteca tópicos do mesmo programa muito mais próximos das necessidades de uma empresa.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]