RIA sobre métricas e modelação da competitividade agrícola
O HORIZON-CL6-2027-03-GOVERNANCE-02 é uma Research and Innovation Action do Cluster 6 com dotação de 6 milhões de euros, atribuída a um único projeto. A chamada abre a 4 de fevereiro de 2027 e encerra a 11 de maio de 2027, em modelo single-stage e regime HORIZON Lump Sum Grant.
O objetivo é financiar investigação aplicada que melhore a capacidade analítica sobre competitividade do setor agroalimentar, em diálogo explícito com as dimensões de sustentabilidade económica, social e ambiental, incluindo proteção da biodiversidade e mitigação e adaptação climática. O topic nasce de um diagnóstico, o conceito de competitividade agrícola é tratado de forma fragmentada na literatura e as ferramentas atuais não são suficientes para apoiar políticas que tenham de equilibrar múltiplos objetivos sob restrições crescentes.
As propostas devem alinhar com a EU Vision for Agriculture and Food, com o Competitiveness Compass, com a Política Agrícola Comum, com os objetivos de sustentabilidade do Green Deal (clima e biodiversidade) e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Necessidades que este instrumento resolve
O topic serve uma dupla finalidade analítica: melhorar a métrica do desempenho competitivo das explorações agrícolas e da fileira e tornar essa métrica útil ao desenho de políticas públicas e estratégias empresariais. Nesta intersecção entre investigação aplicada e análise de sustentabilidade, ficam claras duas necessidades concretas.
- I&D e ciência: o topic financia produção de conhecimento aplicado: análises de drivers de competitividade, integração de disciplinas (economia, gestão, agronomia, ciências ambientais), desenvolvimento de indicadores e métricas e uso da plataforma iMAP do JRC para cenarização. É investigação destinada a alimentar instrumentos de decisão, não bens comerciais.
- Sustentabilidade, energia e clima: a competitividade não é tratada de forma isolada, é cruzada com sustentabilidade ambiental e social, com efeitos de fuga (leakage) das políticas climáticas, com critérios de due diligence e produtos sem desflorestação. O eixo climático e de biodiversidade é estrutural, não acessório.
Perfil de candidato e composição do consórcio
Tal como o topic Governance-01, este aplica obrigatoriamente a abordagem multi-actor, mas o equilíbrio é diferente. Aqui o peso analítico é maior, exigindo competências fortes em economia agrária, modelação económica, ciências de dados e policy analysis.
- Centros de investigação económica e agronómica: tipicamente coordenadores. As ciências sociais e humanas têm contribuição efetiva exigida, especialmente em métricas de bem-estar, percepção de risco e comportamento estratégico.
- Agricultores e organizações de produtores: presença obrigatória, com diversidade de sistemas de produção (incluindo modos biológicos), regiões e dimensões.
- Operadores da cadeia agroalimentar: organizações de produtores, transformadores, comércio retalhista, para análise da partilha de valor e dos impactos de sustentabilidade ao longo da cadeia.
- JRC com a plataforma iMAP: o Centro Comum de Investigação pode contribuir com cenarização através do iMAP, partilha de informação e disseminação de resultados. É uma referência forte para alinhar a metodologia com infraestruturas existentes da Comissão.
- Cooperação internacional, com ênfase mediterrânica: o topic encoraja explicitamente cooperação com países do Mediterrâneo, abrindo porta a parcerias com Marrocos, Tunísia, Argélia ou Egipto.
Lump sum, projeto único de 6 milhões
A dotação de 6 milhões corresponde tanto ao mínimo como ao máximo de contribuição. A Comissão financia um único projeto, tipicamente com duração de 3 a 4 anos. O regime lump sum exige work breakdown bem definido na proposta, com deliverables verificáveis e milestones que sustentem os pagamentos.
O que tem de constar na proposta
- Análise dos drivers da competitividade: custos, preço, capacidade de inovação, capacidade de investimento, quota de mercado, posicionamento, resiliência, conhecimento, competências, produtividade, qualidade do produto, diferenciação. A análise tem de incluir vários sistemas de produção, pelo menos um deles biológico.
- Análise de políticas: capacidade de políticas (incluindo agricultura sustentável, biodiversidade, ODS) suportarem objectivos de competitividade e resiliência e mitigarem efeitos de fuga (leakage), incluindo no contexto de acordos comerciais.
- Análise espacial e temporal: drivers sociais, económicos e ambientais, sinergias e trade-offs entre dimensões de sustentabilidade, em diferentes etapas da cadeia (exploração, organizações de produtores, montante e jusante) e em múltiplas escalas geográficas e temporais.
- Métricas e indicadores: identificar, melhorar e desenvolver indicadores robustos e replicáveis em diferentes países, com foco nas necessidades práticas dos decisores.
- Recomendações políticas: propor alavancas para antecipar trade-offs e conciliar competitividade, resiliência e sustentabilidade na estratégia empresarial e na política pública.
Calendário previsto
| Fase | Data | Observações |
|---|---|---|
| Publicação do topic | 12/12/2025 | Texto integral disponível no Funding & Tenders Portal |
| Abertura da chamada | 04/02/2027 | Submissão via SEDIA |
| Encerramento | 11/05/2027 | Single-stage |
| Avaliação e decisão | 5 a 8 meses após encerramento | Conforme Anexo F das General Annexes |
| Início de execução | final 2027 / início 2028 | Após assinatura do grant agreement |
O que recomendamos
A natureza analítica deste topic torna-o particularmente adequado a entidades portuguesas com tradição em economia agrária, como universidades com escolas de agricultura, centros de investigação aplicada e fundações com presença em policy analysis. A vantagem competitiva de Portugal aqui é dupla: posicionamento mediterrânico (explicitamente valorizado pelo topic) e diversidade de sistemas produtivos (montado, agricultura biológica em pequena escala, produção integrada em fruticultura).
Há, contudo, um filtro de elegibilidade implícito. O facto de a Comissão financiar um único projeto significa que o consórcio vencedor será, com elevada probabilidade, liderado por uma instituição com longo histórico em projetos europeus de modelação económica agrícola (Wageningen, INRA, Bonn, Versailles, ou equivalente). O posicionamento realista para entidades portuguesas é o de parceiro especializado, com responsabilidade clara em case studies mediterrânicos, métricas para sistemas extensivos, ou análise de cadeias específicas.
A referência ao iMAP do JRC é um sinal técnico importante. Propostas que não articulem com infraestruturas existentes da Comissão ficam em desvantagem, porque a Comissão pretende ferramentas que se acoplem à sua capacidade analítica interna, não que a substituam.
Também relevante: a inflação de objectivos é típica destes topics. A proposta tem de cobrir todos os eixos com seriedade, sob pena de penalização nas pontuações de excellence e impact. Quem candidatar para "ganhar dimensão" sem capacidade real para abranger métrica, modelação, dados e política, perde tempo. Esta é uma chamada para consórcios profundos, não vastos.
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