Redes de hubs para que startups deep tech escalem na Europa
O tópico HORIZON-EIE-2027-02-CONNECT-01 pertence à chamada Interconnected Innovation Ecosystems (2027.2), no programa European Innovation Ecosystems (EIE) do Horizonte Europa. Financia o piloto dos European Startup and Scaleup Hubs (ESSH): duas redes de cerca de 10 a 18 hubs de referência, cada um ancorado numa universidade ou centro tecnológico com excelência científica em deep tech.
O diagnóstico de partida é conhecido: a Europa produz ciência de primeira linha, mas as suas startups de base tecnológica têm dificuldade em crescer até se tornarem empresas globais. O ESSH responde a isso pondo hubs de diferentes países a partilhar infraestruturas, investidores, empresas e mentores, para que uma startup de Lisboa aceda aos recursos de um hub de Munique ou Eindhoven nas mesmas condições dos residentes.
A dotação é de 40 milhões de euros, repartida por 2026 e 2027, para dois projetos de 20 milhões cada. É uma Programme Cofund Action: a UE financia 50% dos custos elegíveis e o consórcio tem de garantir os outros 50%. A chamada abre a 6 de outubro de 2026 e fecha a 5 de janeiro de 2027, numa única fase. A duração indicativa dos projetos é de dois anos.
Necessidades que este instrumento resolve
O financiamento vai para os hubs, mas o destinatário final são as startups e scaleups que eles apoiam. Por isso o tópico cobre o ciclo inteiro de uma empresa deep tech, da validação inicial à captação de capital fora do mercado de origem.
- Arranque e validação: cada rede monta um programa de aceleração altamente seletivo (o "European combinator"), aberto também a empresas de fora da UE, com meses de acompanhamento, mentoria e Demo Days perante investidores.
- Capitalização e crescimento: um dos KPI obrigatórios é que pelo menos 20% das startups apoiadas levantem seed ou venture capital fora do seu ecossistema local nos três anos seguintes. O apoio direto a terceiros pode chegar a 60 mil euros por empresa.
- Internacionalização: a rede existe para abrir laboratórios, infraestruturas, empresas e investidores de outros países às startups de cada hub, com visitas especializadas e mobilidade de curta duração de investigadores, inovadores e equipas.
O que cada rede tem de fazer
- Interligar ecossistemas: facilitar o acesso das startups a investigação, talento, empresas, capital, infraestruturas e mentoria disponíveis noutros hubs.
- Partilhar infraestrutura e competências: laboratórios, instalações, departamentos de investigação e serviços de inovação, em condições iguais às dos residentes de cada hub.
- Acelerar: o programa "European combinator", com seleção competitiva e apoio estruturado durante alguns meses.
- Eventos comuns: meetups, pitch days, startup weekends, bootcamps e hackathons.
- Encaminhar: direcionar as startups (incluindo as apoiadas pelo EIC e detentoras de Selo de Excelência) para a Enterprise Europe Network, os European Digital Innovation Hubs, as comunidades do EIT e outros instrumentos nacionais e regionais.
- Reduzir assimetrias regionais: integrar hubs menos ligados através de mentoria, serviços partilhados e capacitação.
| KPI da fase piloto | Meta mínima |
|---|---|
| Novas startups apoiadas pela rede até ao fim do projeto | 100 |
| Startups apoiadas que levantam seed ou VC fora do ecossistema local em 3 anos | 20% |
| Startups apoiadas por um hub de outro ecossistema | 50 |
Os projetos devem organizar uma das suas reuniões anuais à margem da EIC Summit, onde são convidados a participar ativamente.
Dez hubs de dez países, com Portugal limitado a um lugar por rede
Um hub participa representado por uma única entidade jurídica (por exemplo, a entidade gestora de um parque de ciência e tecnologia, de um cluster, de uma aceleradora ou de um venture builder integrado num ecossistema) ou por várias entidades que representem os atores locais: universidades, centros de investigação, empresas, autoridades públicas e investidores.
- Composição: pelo menos 10 hubs de pelo menos 10 Estados-Membros ou países associados diferentes.
- Limite por país: países com até 35 milhões de habitantes, como Portugal, só podem ter um hub por consórcio. Países maiores podem ter dois.
- Países do alargamento: pelo menos dois hubs têm de estar num país widening, categoria em que Portugal se inclui.
- Cofinanciamento: na submissão, o consórcio entrega uma única carta de intenções que identifica a origem dos 50% complementares (fundos nacionais ou regionais, outros fundos europeus ou investimento privado).
- Proposta: até 65 páginas, como nas ações de cofinanciamento padrão do Horizonte Europa.
Os critérios de seleção dos hubs pedem experiência comprovada em criação de startups, scaleups bem-sucedidas, mobilização de capital de risco e educação empreendedora; pelo menos uma instituição de ensino superior ou de investigação com excelência em deep tech; capacidade forte em áreas estratégicas (IA, quântica, semicondutores, tecnologias médicas, biotecnologia, cleantech e energia incluindo nuclear, água, segurança e defesa, espaço, robótica, materiais avançados); e uma estratégia explícita para apoiar startups lideradas por mulheres.
O que recomendamos
Com apenas duas redes financiadas e um lugar por país em cada uma, Portugal terá no máximo dois hubs selecionados em toda a Europa. A disputa real acontece antes da submissão, na escolha do hub português que cada consórcio convida. Parques de ciência e tecnologia, aceleradoras ligadas a universidades e venture builders com historial de rondas fechadas devem posicionar-se já junto dos coordenadores europeus que estão a montar as redes, mostrando métricas concretas (startups criadas, capital levantado, saídas).
O ponto mais exigente é o cofinanciamento de 50%. Cada hub tem de saber, antes de janeiro de 2027, de onde vem a sua metade: orçamento próprio, fundos regionais do PT2030, parceiros privados ou investidores. Sem essa resposta a carta de intenções não fecha, por isso recomendamos tratar o tema em paralelo com a parte técnica e não no fim.
Para startups deep tech portuguesas, a oportunidade é indireta mas concreta: se um hub nacional entrar numa das redes, abre acesso ao programa de aceleração europeu, a apoio até 60 mil euros e a investidores de outros ecossistemas. Vale a pena acompanhar os resultados e manter relação com os hubs candidatos.
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