Enquadramento

O que é o tópico ENVHLTH-MISSCLIMA-03

O tópico HORIZON-HLTH-2027-01-ENVHLTH-MISSCLIMA-03 pertence ao Cluster 1 do Horizonte Europa, na destination "Living and working in a health-promoting environment". É cofinanciado pela Missão da UE para a Adaptação às Alterações Climáticas. Financia ferramentas e tecnologias que reforcem a capacidade dos sistemas de saúde e das comunidades para lidar com os riscos climáticos.

A dotação indicativa é de 20 milhões de euros para 2027, repartidos por quatro projetos com contribuição europeia entre 4 e 5 milhões de euros cada. O concurso é de fase única, com abertura a 10 de fevereiro de 2027 e prazo a 13 de abril de 2027.

A particularidade deste tópico está no tipo de ação. Não se trata de uma Research and Innovation Action, mas de uma Pre-commercial Procurement, ou compra pré-comercial. Esta distinção muda completamente a resposta à pergunta "quem se candidata e quem recebe o dinheiro".

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O tópico cruza duas necessidades que raramente aparecem juntas no mesmo instrumento: adaptar sistemas de saúde a um risco ambiental crescente e fazê-lo através de tecnologia de informação que ainda está em desenvolvimento.

  • Sustentabilidade, energia e clima: o objeto do financiamento é a adaptação climática aplicada à saúde pública, desde a antecipação de ondas de calor até à gestão de riscos ambientais que agravam a doença. A poluição atmosférica e outros fatores ecológicos que interagem com o clima estão dentro do âmbito.
  • Digitalização e IA: as soluções procuradas são maioritariamente digitais, designadamente tecnologias geoespaciais, sistemas de vigilância em tempo real e alerta precoce e ferramentas de apoio à decisão para autoridades locais e prestadores de cuidados.

Fica de fora tudo o que seja infraestrutura geral. O programa de trabalho exclui expressamente atividades dirigidas a ventilação, construção ou reabilitação de edifícios, mesmo quando justificadas por motivos climáticos.

Modelo de financiamento

Como funciona uma compra pré-comercial

Numa PCP, quem se candidata é um consórcio de compradores públicos com necessidades semelhantes: hospitais, prestadores de cuidados primários, serviços de apoio domiciliário, municípios, entidades de proteção civil e agências governamentais. O financiamento europeu cobre o custo de esses compradores encomendarem em conjunto o desenvolvimento de soluções que ainda não existem no mercado.

O programa de trabalho é explícito num ponto que evita muitos equívocos: este tópico não dá financiamento direto a developers, indústria ou organizações de investigação para fazerem I&D. Essas entidades participam noutro plano, respondendo aos concursos públicos lançados pelos consórcios de compradores financiados.

Duas portas de entrada distintas
Uma entidade pública ou um hospital candidata-se ao tópico como comprador. Uma empresa tecnológica não se candidata ao tópico: posiciona-se para ganhar o concurso que o consórcio vencedor vai lançar. Perceber em que lado da mesa se está é o primeiro passo de qualquer estratégia neste instrumento.

Os compradores têm de declarar na proposta a intenção de adquirir pelo menos uma das soluções resultantes, caso a PCP produza resultados bem-sucedidos. Podem fazê-lo de duas formas: comprar durante a própria PCP, num modelo de fast-track com orçamento previsto para o efeito, ou preparar um procedimento de aquisição subsequente, incluindo na proposta um deliverable dedicado a essa preparação.

Âmbito técnico

Cinco áreas elegíveis

As propostas podem cobrir qualquer uma das áreas seguintes, com o objetivo comum de reforçar vigilância, previsão, prevenção, gestão de risco e diagnóstico.

  • Tecnologias geoespaciais: quadros de apoio à decisão que permitam às autoridades locais e aos prestadores acompanhar em alta resolução os riscos de saúde diretos e indiretos associados ao clima.
  • Vigilância e alerta precoce: tecnologias de monitorização em tempo real que forneçam informação crítica para decisões atempadas.
  • Unidades de saúde resilientes: soluções que facilitem a transição para instalações e serviços de saúde preparados para eventos climáticos, excluindo obra de infraestrutura.
  • Gestão e prevenção de risco: procedimentos e ferramentas para reforçar estratégias de adaptação em comunidades e em contexto ocupacional.
  • Redução de exposição: instrumentos inovadores que diminuam o risco e a exposição a fatores ambientais relacionados com o clima.

Para as componentes digitais, o programa recomenda medidas adequadas de segurança das comunicações, com referência explícita à criptografia pós-quântica. As propostas são incentivadas a usar dados e serviços das infraestruturas europeias de investigação nos domínios do ambiente, clima e saúde.

Condições específicas

Obrigações que distinguem este tópico

As regras aplicáveis às ações com procedimentos PCP acrescentam obrigações que não existem num projeto de investigação clássico. Vale a pena conhecê-las antes de decidir participar.

ObrigaçãoConteúdo
Consulta ao mercadoOrganizar uma consulta aberta ao mercado antes de lançar a contratação e entregar relatório com os resultados
Divulgação alargadaPromover o concurso junto de fornecedores potencialmente interessados em toda a UE e países associados
Apoio a terceirosPermitido, apenas sob a forma de subvenções, com máximo de 60.000 EUR por terceiro
SubcontrataçãoO trabalho subcontratado deve ser executado na UE ou em países associados, salvo autorização da autoridade financiadora
Custos de contrataçãoOs custos do procedimento PCP são elegíveis

Aplica-se ainda a cláusula transversal do Cluster Saúde: a autoridade financiadora pode opor-se, até quatro anos após o fim da ação, a transferências de propriedade ou a licenciamentos exclusivos dos resultados. Entidades dos Estados Unidos são elegíveis para financiamento da União.

20M€
Dotação 2027
4
Projetos esperados
5
Áreas elegíveis
60mil €
Máximo por terceiro
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Para o setor público português, este é um dos tópicos mais acessíveis do Cluster Saúde. Não exige capacidade laboratorial nem histórico de publicações. Exige uma necessidade bem caracterizada, capacidade de contratação pública e disponibilidade para comprar a solução no fim. Unidades locais de saúde, administrações regionais de saúde, municípios com competências transferidas na área da saúde e serviços de proteção civil têm perfil natural para integrar um destes consórcios.

O obstáculo real não é técnico. É o compromisso de aquisição. Declarar interesse em comprar uma solução que ainda não existe obriga a alinhamento interno prévio entre a direção clínica, os serviços financeiros e a tutela. Consórcios que deixam esta conversa para depois da aprovação chegam à fase de contratação sem orçamento disponível.

Para as empresas tecnológicas portuguesas, a leitura é diferente. O caminho não passa por integrar o consórcio, passa por estar visível quando a consulta ao mercado acontecer. Monitorizar os projetos PCP financiados em saúde e responder às consultas abertas é uma via de acesso a contratos públicos europeus muito menos concorrida do que uma candidatura direta a um tópico de investigação.

Recomendamos que entidades públicas interessadas comecem por mapear parceiros noutros Estados-Membros com necessidades comparáveis, já em 2026. Um consórcio de compradores com necessidades genuinamente semelhantes é a base de avaliação deste tópico. Essa semelhança demonstra-se com documentação, nunca com declarações de intenção.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]