O que é

Tecnologias de RI co-criadas com indústria

O HORIZON-INFRA-2027-TECH-01-01 é um dos tópicos mais industrialmente orientados da call INFRA-2027-01. O objetivo declarado é fortalecer o panorama europeu de infraestruturas de investigação como pilar da competitividade baseada em inovação, reforçando o papel das infraestruturas como centros de gravidade dos ecossistemas deep-tech europeus. Em termos práticos: o grant paga a co-criação de tecnologias avançadas que melhoram a performance dos serviços científicos das infraestruturas, com indústria e startups envolvidas desde o início.

A diferença em relação a outros tópicos INFRA é o ponto de partida. Os tópicos DEV apoiam consolidação institucional, os SERV pagam acesso transnacional. O TECH-01-01 paga investigação e inovação tecnológica em si, com a particularidade de o resultado ter de ir além de TRL 4 para o caso de uso da infraestrutura e até TRL 3-4 quando há aplicações comerciais fora desse caso. É deep tech aplicada a infraestrutura científica, com lógica de spillover comercial.

A modalidade é Research and Innovation Action (RIA), com taxa de financiamento padrão de 100% das despesas elegíveis. O grant range por projeto situa-se entre 10M e 15M EUR e estima-se a aprovação de 2 projetos no ciclo 2027.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Este instrumento responde a duas necessidades em simultâneo. A primeira é estritamente científica: as infraestruturas de investigação europeias precisam de tecnologias que ainda não existem ou que não estão disponíveis no mercado. A segunda é industrial: a Comissão quer que os projetos gerem propriedade intelectual e produtos com potencial fora do nicho original.

  • I&D e ciência: a co-criação foca-se em tecnologias avançadas que respondem a necessidades concretas de ESFRI Landmarks e ERICs, tanto em equipamento como em software, sensores, ou métodos de processamento de dados. As propostas têm de demonstrar TRL alvo claro para cada desenvolvimento.
  • Digitalização e IA: uma parte significativa da co-criação esperada envolve sistemas digitais avançados, software, IA aplicada à instrumentação científica e gestão de dados FAIR. A call menciona explicitamente o suporte a equipas de transferência de tecnologia das próprias RI para acelerar a uptake comercial.
Estrutura e dotação

2 projetos, 10M a 15M EUR cada

A dotação total é 30M EUR para 2 grants esperados em 2027. É uma das dotações por projeto mais elevadas da call INFRA: cada consórcio recebe um envelope substancial, justificado pelo peso técnico do trabalho de desenvolvimento de tecnologia avançada. Em termos comparativos, o DEV-01-03 distribui 8 grants de 3M a 4,5M EUR; o TECH-01-01 concentra o investimento em poucos projetos com massa crítica.

30MEUR
Dotação total 2027
2
Grants esperados
10-15MEUR
Per projeto
100%
Taxa de financiamento

A taxa de 100% é o standard das RIA Horizon Europe. As despesas elegíveis incluem pessoal, equipamento, subcontratação, viagens e indirect costs (forfait de 25%). Beneficiários podem providenciar financial support to third parties (FSTP) até 500.000 EUR por terceiro, mecanismo que permite envolver startups ou centros menores sem os tornar formalmente co-beneficiários.

Atividades elegíveis

Os três eixos obrigatórios

A call exige que as propostas cubram todos os três aspetos seguintes. Não é uma lista à escolha. É um requisito de admissibilidade.

  • Co-criação de tecnologias avançadas que respondem a necessidades das infraestruturas de investigação, considerando eficiência de recursos, impactos ambientais e soberania tecnológica europeia.
  • Desenvolvimento de parcerias e colaborações entre infraestruturas de investigação e diferentes tipos de organizações de investigação, incluindo indústria, para co-criar soluções tecnológicas e promover a sua adoção fora do mercado científico.
  • Compreensão partilhada do potencial comercial das tecnologias inovadoras, com suporte das equipas de transferência de tecnologia da RI envolvidas o mais cedo possível no projeto.
PCP é uma opção forte
As propostas podem incluir atividades de pre-commercial procurement (PCP). É um mecanismo em que o consórcio compra serviços de I&D em fases competitivas, partilhando risco e benefício com fornecedores. Particularmente relevante para tecnologias onde o resultado é uma especificação ou design e onde várias empresas podem competir por desenvolver versões alternativas. O PCP encaixa bem em instrumentos onde a infraestrutura é o procurador e a indústria é o fornecedor.
Quem pode ser beneficiário

Pelo menos duas RI distintas no consórcio

Devido à natureza específica deste tópico, os consórcios devem incluir como beneficiárias pelo menos duas infraestruturas de investigação diferentes, sendo cada uma delas: um ESFRI Landmark ou Project (lista da ESFRI Roadmap 2021), um European Research Infrastructure Consortium (ERIC), ou outra RI que seja uma organização internacional europeia de investigação. Estas infraestruturas têm de ser explicitamente identificadas na proposta.

Para ESFRI Landmarks que não sejam ERICs nem organizações internacionais europeias, o beneficiário tem de ser a entidade jurídica que aloja a infraestrutura no país lead (essa entidade é, na prática, requisito mínimo para o estatuto ESFRI Landmark). Para ESFRI Projects sem entidade jurídica estabelecida, o beneficiário deve ser uma entidade jurídica do país lead, tipicamente a coordenadora do desenvolvimento do ESFRI Project.

Empresas portuguesas podem entrar como co-beneficiárias trazendo competência tecnológica concreta, particularmente em domínios como instrumentação científica, software embebido, sistemas de aquisição de dados, IA aplicada, ou componentes para grandes facilities. Universidades e centros de investigação portugueses entram tipicamente quando integram formalmente uma ERIC onde Portugal participa, ou quando alojam um nó nacional de uma RI distribuída.

Posição na call INFRA-2027-01

Onde encaixa neste programa

A call HORIZON-INFRA-2027-01 mobiliza várias centenas de milhões de EUR através de tópicos com perfis distintos. O TECH-01-01 (este) é o tópico de tecnologia avançada para RI. Os outros tópicos cobrem fases muito diferentes do ciclo de vida das infraestruturas.

TópicoFocoTipoDotação
DEV-01-01Fase preparatória de novas RICSA30M EUR / 9 grants
DEV-01-02Consolidação por sinergias entre RIRIA20M EUR / 4 grants
DEV-01-03Consolidação de RI existentesRIA29,5M EUR / 8 grants
SERV-01-01Acesso transnacional, large-scale pilotsRIA105M EUR / 3 grants
SERV-01-02Acesso para R&I em prioridades EURIA35M EUR / 6 grants
TECH-01-01Co-criação de tecnologias para RI (este)RIA30M EUR / 2 grants
TECH-01-02Tecnologias específicas para RIRIA30M EUR / 3 grants
EOSC-01/02European Open Science CloudCOFUND/CSA40+8M EUR

Para um ESFRI ou ERIC com necessidade tecnológica concreta e parceiros industriais identificados, o TECH-01-01 é o tópico de eleição. Para projetos puramente de instrumentação científica sem componente de co-criação industrial, o TECH-01-02 é mais adequado. Confundir os perfis compromete a admissibilidade.

Calendário

Janela única em março de 2027

MarcoDataNota
Abertura previstanovembro de 2026Single-stage
Deadline de submissão4 de março de 2027Janela de cerca de 4 meses
Avaliação e Grant AgreementFinal de 2027 / 2028Padrão Horizon Europe (8 a 10 meses)
Duração típica3 a 4 anosComum em projetos TECH

A janela de submissão é apertada para um instrumento de 10M a 15M EUR. Construir um consórcio com duas ESFRI/ERICs distintas, identificar parceiros industriais com IP relevante, definir TRL alvos por entregável e estruturar o eventual PCP exige planeamento longo. Equipas que comecem só em outubro de 2026 dificilmente entregam proposta competitiva.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este é um dos tópicos da call INFRA-2027 com maior potencial de envolvimento empresarial. Ao contrário dos DEV (institucionais) ou dos SERV (acesso), o TECH-01-01 paga explicitamente para que indústria e startups se sentem à mesa do desenho tecnológico. Para empresas portuguesas com tecnologia profunda relevante para uma ESFRI Landmark, esta é uma porta de entrada concreta para um projeto Horizon de dimensão substancial.

O caminho passa por mapear primeiro as ESFRI Landmarks e ERICs onde Portugal participa formalmente ou onde tem comunidade científica forte. A partir daí, o pivot é a equipa de transferência de tecnologia da RI: são essas equipas que definem o roadmap tecnológico, que indicam quais as necessidades concretas e que validam o caso comercial dos desenvolvimentos. Sem este alinhamento prévio, propostas tecnicamente excelentes ficam fora do âmbito.

A dimensão comercial é dupla. A componente PCP, quando incluída, transforma o grant numa oportunidade quase contratual para empresas com competência específica. A obrigação de demonstrar potencial comercial fora do uso da RI cria espaço para empresas portuguesas explorarem mercado adjacente, particularmente quando a tecnologia tem aplicações em saúde, indústria 4.0, cleantech ou semicondutores. Recomenda-se trabalhar com a coordenação da ERIC ou Landmark com pelo menos 9 meses de antecedência ao deadline, articular com a ESFRI Landscape Analysis e mapear sinergias com grants TECH ou DEV anteriores. A modalidade RIA exige rigor na definição de entregáveis e o orçamento médio por projeto significa que falhas no design de consórcio têm custo elevado.

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