Contexto

Por que existe uma CSA na quarta call

A CSA-01 da quarta call do Clean Aviation JU (CfP 04) financia a constituição e operação de um grupo de operadores aeronáuticos com missão clara: avaliar as implicações operacionais dos conceitos inovadores de aeronave e das tecnologias disruptivas que o programa Clean Aviation está a desenvolver. O resultado prático é um conjunto de recomendações entregues à Clean Aviation JU e aos coordenadores dos projetos, com o objetivo de antecipar gaps e riscos operacionais e favorecer um deployment fluido a partir de 2035.

A pergunta a que esta linha responde é tipicamente subestimada nos programas de investigação aeronáutica: a tecnologia funciona em laboratório e em demonstrador, mas funciona em rede operacional? Uma aeronave a hidrogénio precisa de logística de LH2 nos aeroportos, de procedimentos de turnaround compatíveis com a sua dormência, de tripulações treinadas, de integração com sistemas de controlo de tráfego aéreo e de regulamentação certificável. Sem este pacote operacional, qualquer aeronave disruptiva fica em vitrine.

Resultado esperado

O que tem de ser entregue

  • Constituição de um grupo formal de operadores, com mandato e representatividade dos vários perfis de operação (companhias aéreas, gestores de aeroportos, ANSPs, agências reguladoras).
  • Avaliação sistemática das implicações operacionais das aeronaves e tecnologias do programa Clean Aviation.
  • Identificação de gaps e riscos operacionais, com priorização das áreas onde a tecnologia disruptiva exige adaptação operacional ou regulatória.
  • Recomendações entregues à Clean Aviation JU e aos coordenadores, para integração nas iterações subsequentes do programa.
  • Preparação para deployment 2035+, com plano de transição operacional credível.
Tipo de ação

Coordination and Support Action

A CSA-01 é uma Coordination and Support Action (CSA), formato distinto das Research and Innovation Actions (RIA) e das Innovation Actions (IA) que dominam o resto do CfP 04. Uma CSA não financia investigação tecnológica nem demonstração: financia atividades de coordenação, networking, análise, recomendação e disseminação. O cofinanciamento é tipicamente 100% para todas as entidades e o pacote financeiro é menor que o de uma RIA ou IA típica.

A CSA-01 usa o template de avaliação CAJU específico para Coordination and Support Actions. Os critérios formais de Excellence, Impact e Implementation são os de Annex D do Work Programme General Annexes, mas a aplicação está calibrada para projetos de coordenação operacional, com peso significativo na qualidade do consórcio (representatividade do grupo de operadores) e no plano de articulação com o ecossistema Clean Aviation.

Quem se candidata

Perfil de consórcio competitivo

A CSA-01 é dos topics em que o perfil de consórcio é radicalmente diferente do resto do CfP 04. Aqui não procuram tier-1 aeroespaciais nem RTOs com competência técnica avançada: procuram uma representação operacional credível. Um consórcio competitivo combina:

  • Companhias aéreas europeias com operações regionais, médio e longo curso, representativas do mercado a que as aeronaves Clean Aviation se dirigem.
  • Gestores de aeroportos e operadores aeroportuários, com competência em logística, ground handling e infraestruturas energéticas.
  • ANSPs (Air Navigation Service Providers) e organizações de gestão de tráfego aéreo, com visibilidade sobre integração no espaço aéreo europeu.
  • Associações setoriais e organizações representativas do setor aeronáutico operacional.
  • Coordenador com competência em análise operacional e gestão de stakeholders, tipicamente uma associação setorial, uma empresa de consultoria estratégica ou um RTO com prática em CSAs anteriores.

Para Portugal, a oportunidade é distinta. Companhias aéreas portuguesas, ANA Aeroportos e a NAV Portugal podem ser parceiros valiosos numa CSA com este perfil, dado o posicionamento estratégico das ilhas atlânticas e do hub Lisboa para tráfego transatlântico e regional. A liderança de uma CSA-01 pertence ao consórcio que conseguir agregar uma representação operacional convincentemente europeia, mas a participação portuguesa em parceria é viável e estrategicamente relevante.

Articulação com o resto da call

A CSA-01 no ecossistema Clean Aviation

LinhaFocoTipo
CSA-01 (esta)Validação operacional do programaCSA
SMR-01 a SMR-03Aeronave SMR ultra-eficienteIA
HPA-01 a HPA-04Sistemas a hidrogénioIA
ACI-01Integração e avaliação de aeronaves H2IA
FTA-01 a FTA-07Tecnologias-chave a TRL4-5RIA
REG-01Aeronave regional híbrido-elétricaIA

A CSA-01 é a peça transversal do CfP 04. Onde as restantes linhas financiam tecnologia ou demonstrador, a CSA-01 financia a estrutura analítica que valida operacionalmente o que está a ser desenvolvido. Os entregáveis da CSA-01 alimentam diretamente as decisões dos integradores das linhas SMR, HPA, REG e ACI e podem influenciar a definição das próximas calls do programa.

Calendário

Janela apertada

A call abriu a 31 de março de 2026 e fecha a 19 de maio de 2026. Para uma CSA com componente significativa de articulação entre operadores europeus, este prazo é manifestamente curto para constituir consórcio do zero. Os consórcios competitivos resultam tipicamente de redes pré-existentes em associações setoriais ou de iniciativas de coordenação prévias.

A Clean Aviation JU publicou as duas releases do documento de Q&A em 17 de fevereiro e 17 de abril de 2026. O CSA Specific Evaluation Template e os critérios de avaliação para CSAs estão disponíveis nos Annex D e F do Work Programme General Annexes.

Diferença operacional
A CSA-01 não financia tecnologia, financia a infraestrutura analítica de validação operacional. O perfil de candidato vencedor é uma associação setorial, uma rede de operadores, ou uma consultora estratégica com mandato europeu, não um OEM aeroespacial nem um RTO técnico. Esta diferença determina a candidatura: se a sua organização é fundamentalmente técnica, a CSA-01 não é o seu lugar. Procure as linhas FTA, HPA ou SMR.
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O que recomendamos

A CSA-01 é uma das peças mais subvalorizadas do CfP 04, mas com impacto desproporcionalmente alto na trajetória do programa Clean Aviation. Quem participar nesta CSA tem visibilidade antecipada sobre as decisões operacionais que vão moldar a aviação europeia a partir de 2035 e influência direta sobre a definição das próximas calls do programa.

A nossa recomendação para Portugal: a CSA-01 é o tipo de instrumento em que faz sentido a articulação institucional entre TAP, ANA Aeroportos, NAV Portugal e organismos de regulação aeronáutica nacional, com apoio de associações setoriais europeias. A participação portuguesa numa CSA com este perfil traz benefícios estratégicos que vão além do financiamento direto: posiciona o ecossistema operacional nacional na fronteira do debate europeu sobre o futuro da aviação. Para empresas de consultoria estratégica especializadas em aeronáutica e para associações setoriais com presença europeia, a CSA-01 é uma oportunidade real de liderança ou coliderança. Para investidores em deep tech, a CSA-01 sinaliza onde estará o gap operacional do deployment 2035+, o que é informação relevante para mapear áreas de oportunidade em supply chain operacional, ground handling avançado, gestão de combustíveis alternativos em aeroportos e tecnologia de tráfego aéreo adaptada.

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