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Contexto

A linha de maior dotação de toda a call

A REG-01 é, em valor unitário, a linha mais dotada de todo o CfP 04 do Clean Aviation JU. Com uma contribuição máxima de 40 milhões de euros para um único grant, financia o que ninguém mais financia a esta escala em aeronáutica regional europeia: a estrutura completa, asa, fuselagem, empenagem e sistemas-chave, da próxima geração de aeronave regional, baseada em propulsão híbrido-elétrica e com entrada em serviço prevista para 2035.

É preciso entender o significado desta linha. O Clean Aviation tem três famílias de plataforma alvo no horizonte EIS 2035: a SMR (Short to Medium Range, equivalente ao segmento Airbus A220 / Embraer E2), a regional híbrido-elétrica (segmento ATR / Embraer turboprop) e a aeronave fuel cell totalmente elétrica. A REG-01 é o coração estrutural da família regional híbrido-elétrica. Quem coordena a REG-01 está, na prática, a moldar a referência europeia de uma plataforma que pode redefinir um segmento de mercado de várias dezenas de mil milhões de euros.

Resultado esperado

O alvo: 10% de redução de CO2 só pela célula

O alvo da REG-01 está formulado de forma cirúrgica:

  • 10% de redução de CO2 atribuível só às tecnologias da célula, comparado com o estado da arte de 2020.
  • Demonstração em terra a TRL6, ou seja, com elementos estruturais a operar em ambiente representativo da plataforma final.
  • Conceito de aeronave regional ultra-eficiente baseada em propulsão híbrido-elétrica, com EIS 2035.
  • Cobertura abrangente: asa de elevada eficiência aerodinâmica, fuselagem otimizada, empenagem e sistemas estruturais habilitadores.

Os 10% de CO2 da célula combinam-se com as reduções de CO2 atribuíveis ao novo sistema de propulsão híbrido-elétrico, à integração otimizada e a melhorias operacionais, gerando o objetivo total de redução intrageracional do programa. Por isolar a contribuição estrutural, a REG-01 obriga o consórcio a demonstrar que a inovação aerodinâmica e estrutural existe por mérito próprio, não como subproduto da propulsão.

40M EUR
Max. contribuição (1 grant)
10%
Redução CO2 só pela célula
TRL6
Demonstração em terra
Tipo de ação e financiamento

Innovation Action de larga escala, um único vencedor

A REG-01 é Innovation Action no regime budget-based do Horizon Europe (HORIZON-AG), com cofinanciamento até 70% para entidades com fins lucrativos e 100% para entidades sem fins lucrativos. O Evaluation Form é o CAJU Large Scale Projects (IA Actions). É o template de avaliação reservado às linhas mais ambiciosas da call, partilhado com as HPA principais, com a SMR e com algumas FTA específicas.

A particularidade financeira: 40 milhões de euros para um grant esperado. Isto significa que apenas uma proposta vai ser financiada. A consequência prática é que o consórcio vencedor terá de demonstrar capacidade industrial real para conduzir a demonstração até TRL6, o que coloca a fasquia muito alta em termos de envolvimento direto de OEMs aeronáuticos com mandato sobre a plataforma regional europeia. Os anexos financeiros (Budget Summary, In-Kind Contributions, Cost Breakdown) e o CA JU Model Consortium Agreement são parte mandatória da submissão.

Quem se candidata

Perfil de consórcio competitivo

A REG-01 mobiliza praticamente toda a cadeia de valor da aeronáutica regional europeia. O perfil competitivo combina:

  • OEM regional europeu com mandato direto sobre a plataforma híbrido-elétrica: tipicamente um conjunto que envolve ATR, Leonardo, Embraer Europe ou parcerias equivalentes, com a coordenação esperada por uma entidade com responsabilidade industrial sobre o segmento regional.
  • Tier-1 estruturais (compósitos, fuselagens metálicas, asas, empenagens) com produtos certificados e capacidade de produção de demonstradores TRL6.
  • Especialistas em aerodinâmica avançada e em design integrado, capazes de entregar geometrias de baixo arrasto compatíveis com integração de propulsão distribuída ou híbrido-elétrica.
  • RTOs estruturais europeus: DLR, ONERA, NLR, CIRA, FOI, com bancadas e capacidade de teste de componentes estruturais a escala representativa.
  • PMEs com tecnologias estruturais habilitadoras: novos materiais compósitos, manufatura aditiva metálica para componentes estruturais, sistemas de morphing, instrumentação estrutural inteligente, software de simulação multi-disciplinar.

Para empresas portuguesas, a REG-01 é uma linha onde a entrada como coordenadora é, simplesmente, fora do alcance: o segmento regional europeu não tem um OEM nacional ativo e a cadeia de valor está dominada por equipas francesas, italianas, alemãs e neerlandesas. No entanto, é uma das linhas onde o ecossistema português pode ter entradas reais como parceiro convidado, em pacotes específicos: aerodinâmica computacional, materiais avançados, manufatura aditiva metálica, sensorização estrutural, software de simulação e otimização. Empresas como CEiiA, INEGI, IDMEC e empresas spin-off destas têm portfólios alinhados com partes da cadeia REG-01.

Articulação com o resto da call

A REG-01 dentro do CfP 04

LinhaFocoTipoArticulação com REG-01
REG-01 (esta)Célula da aeronave regional híbrido-elétricaIAPlataforma estrutural
SMR-01, SMR-02, SMR-03Plataformas SMR ultra-eficientesIAFamília paralela mais larga
HPA-01 a HPA-04Cadeia H2 (motor e combustível)IAConfigurações futuras complementares
FTA-01 a FTA-07Tecnologias estruturais e térmicas (RIA)RIABricks alimentando a plataforma
TRA-01Certificação SLDIACaminho regulatório para EIS 2035
ACI-01Avaliação integrada de impactoIAAvaliação climática consolidada

A REG-01 é a peça onde se materializa a aposta regional do Clean Aviation. As linhas FTA fornecem bricks tecnológicos que, no ciclo seguinte, podem entrar em REG ou SMR. As linhas HPA preparam a alternativa H2 para uma fase posterior. A linha TRA prepara o caminho regulatório. A REG-01 é, no presente ciclo, o ponto onde tudo se encontra, num único projeto IA.

Calendário

Janela apertada para uma proposta de 40M

A submissão eletrónica abriu a 3 de abril de 2026 e fecha a 19 de maio de 2026. As releases do Q&A (17 de fevereiro e 17 de abril) são particularmente importantes para a REG-01, dada a complexidade técnica e financeira da proposta. Os templates financeiros mandatórios estão disponíveis desde 20 de março.

Em termos práticos, é evidente que o consórcio vencedor da REG-01 está em formação há vários anos, em alinhamento com o roadmap industrial europeu de aeronave regional. Os 40 milhões de euros não são, no Clean Aviation, financiamento de oportunidade: são complemento a um plano industrial que requer continuidade ao longo de múltiplas calls e múltiplos ciclos.

Atenção
A REG-01 é uma linha onde "candidatar-se" sem articulação prévia ao consórcio principal é tempo perdido. A escala (40M para um grant) e a profundidade técnica (TRL6 estrutural) tornam-na incompatível com entradas tardias. Para o ecossistema português, o valor da REG-01 está em mapear o consórcio que vai vencer e identificar onde uma PME ou universidade nacional pode ser parceira convidada em pacotes específicos.
Para que tipo de empresa

Empresas portuguesas que se devem posicionar

  • Empresas e centros em compósitos avançados e materiais estruturais: termoplásticos para aeronáutica, integração estrutural, processos de produção de baixo custo.
  • PMEs em manufatura aditiva metálica certificável para componentes estruturais aeronáuticos.
  • Empresas de software de simulação multi-disciplinar aplicado a aerodinâmica, estruturas e otimização integrada.
  • RTOs e universidades portuguesas com capacidade em CFD avançado, mecânica estrutural não-linear, monitorização estrutural inteligente (SHM).
  • Empresas de sensorização e instrumentação para teste estrutural a escala representativa.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A REG-01 é a linha onde o programa Clean Aviation faz a sua maior aposta concentrada. Para empresas portuguesas, há três leituras úteis. Primeira, estratégica: a Europa está a financiar uma plataforma regional híbrido-elétrica como concorrente direta dos turbopropulsores convencionais e como peça da política de descarbonização. Conhecer os atores e os roadmaps daqui é condição para qualquer envolvimento futuro em aeronáutica regional.

Segunda, operacional: para PMEs e universidades portuguesas com competência em compósitos, manufatura aditiva, software de simulação ou sensorização, abrir contacto direto com os tier-1 europeus do segmento regional é o caminho de entrada. Não como coordenador, mas como parceiro convidado em pacotes de trabalho específicos, em ciclos REG futuros ou em projetos derivados.

Terceira, financeira: a REG-01 sinaliza onde está o capital industrial europeu a longo prazo. Investidores em deep tech aeronáutico encontram aqui um indicador claro de que segmentos (compósitos termoplásticos, manufatura aditiva certificável, simulação multi-disciplinar, sensorização estrutural inteligente) terão tração de financiamento privado e parcerias industriais ao longo da próxima década.

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