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Visão Geral

A propulsao hibrido-eletrica como ponte para a aeronave SMR de 2035

O topico HORIZON-JU-CLEAN-AVIATION-2026-04-SMR-03 financia o desenvolvimento e a demonstracao em terra de arquiteturas de propulsao hibrido-eletrica para a futura aeronave Short and Medium Range (SMR) ultra-eficiente. O alvo industrial e claro, uma entrada em servico (EIS) por volta de 2035, com lancamento de produto a partir de TRL6 atingido em 2030.

A natureza do trabalho e de Innovation Action (IA), nao de investigação exploratoria. Espera-se que os consorcios validem em ground demonstrations sub-sistemas hibrido-eletricos integrados em motores ducted ou unducted, com prova de pelo menos 5% de redução de emissoes de CO2 ao nível da aeronave. Esta percentagem e pequena em isolado, mas representa um patamar significativo num envelope tecnologico onde cada fracao de eficiencia exige reorganizar arquiteturas inteiras de propulsao.

A aeronave SMR cobre o segmento mais rentavel do trafego mundial, regional e curto-medio curso ate cerca de 165 lugares. E o segmento onde a transição energética enfrenta o seu desafio comercial mais decisivo. O SMR-03 desenha o caminho hibrido-eletrico desse segmento. O FTA-03 e o FTA-05 (publicados na mesma chamada) lidam com componentes complementares, ruido de motor UHBR e eletronica de potencia criocooled. Os tres topicos formam um ecossistema tecnologico coerente.

Objetivo Técnico

O que tem de ser demonstrado

O regulamento exige que o projeto cubra a integração de sub-sistemas hibrido-eletricos em motores aeronauticos modernos, validados em banco de testes em terra. A maturidade alvo e TRL5, ou seja, validacao de tecnologia em ambiente relevante, com prototipo representativo do produto final em escala e funcionalidade.

  • Arquiteturas hibrido-eletricas: integração de geradores, motores eletricos, conversao de potencia, baterias e controlo termico no envelope de um motor ducted (turbofan classico) ou unducted (open rotor).
  • Demonstracao em terra: ensaios de longa duracao em banco de provas representativo, com aquisicao de dados sobre eficiencia, fiabilidade, gestão termica e impacto operacional.
  • Roadmap claro para TRL6 em 2030: a proposta tem de demonstrar que a tecnologia validada e escalavel para um demonstrador de voo dentro de cinco anos.
  • Compatibilidade com EIS 2035: a arquitetura proposta tem de ser industrialmente compativel com o lancamento de uma aeronave SMR no horizonte 2035.
  • 5% CO2 ao nível da aeronave: o ganho ambiental tem de ser quantificado nao no motor isolado mas na missao tipica da aeronave SMR, considerando peso adicional, perdas eletricas e ciclo de operação.
Posicionamento na Chamada

Onde encaixa o SMR-03 na CAJU 2026

A chamada Clean Aviation Joint Undertaking 2026-01 inclui varios topicos articulados em torno de tres pilares tecnologicos, propulsao hibrido-eletrica, propulsao a hidrogenio e ultra-eficiencia (Ultra-Efficient Short and Medium Range, UESMR). O SMR-03 pertence ao pilar hibrido-eletrico, especificamente focado na arquitetura de propulsao da aeronave SMR.

TopicoFocoMaturidade alvo
SMR-01Asa ultra-eficiente para SMRTRL6 (demo voo 2030)
SMR-02Fuselagem traseira e empennagem ultra-eficientesTRL6 (sistema industrial)
SMR-03Propulsao hibrido-eletrica (este topico)TRL5 (ground demo)
FTA-03Redução de ruido UHBRTRL5/6
FTA-05Eletronica de potencia criocooledTRL4/5

O SMR-03 e estruturalmente um topico de arquitetura. As propostas tem de mostrar como ligam motor termico, conversor, motor eletrico e armazenamento de energia num conjunto que faca sentido industrial, nao apenas técnico. E aqui que muitos consorcios falham, focam tecnologia individual em vez de integração sistemica.

Elegibilidade

Quem pode participar

As regras gerais Horizon Europe aplicam-se. Sao elegiveis entidades juridicas de Estados-Membros da UE, paises associados ao Horizon Europe e, em condições especificas, alguns paises terceiros. As propostas tem de ser apresentadas por consorcios com pelo menos tres entidades de tres paises elegiveis distintos.

Pelo perfil técnico do topico, os consorcios competitivos serao tipicamente liderados por OEMs aeroespaciais europeus ou tier-1 de propulsao, com participacao de centros de investigação tecnologica (RTOs), universidades especializadas em propulsao e PMEs com tecnologia de nicho em eletronica de potencia, materiais magneticos, gestão termica, baterias de alta densidade ou componentes criogenicos.

Membros privados do Clean Aviation JU
A Clean Aviation JU e uma parceria público-privada institucionalizada e as entidades que sao Private Members do JU enfrentam regras especificas de cofinanciamento e contribuicoes em especie. Para empresas portuguesas, isto significa que a forma natural de participar e como parceiro de um consorcio liderado por um Private Member europeu, nao como coordenadora.
Financiamento

Modelo de cofinanciamento e dimensao do projeto

O regulamento publicado nao especifica budget total para este topico individual nem montante alvo por projeto. Estes valores estarao no documento da chamada (Call Document) e no work programme detalhado da Clean Aviation JU.

A regra geral para Horizon Europe Innovation Actions e a seguinte: cofinanciamento ate 70% dos custos elegiveis para entidades for-profit (empresas) e ate 100% para entidades sem fins lucrativos (universidades, institutos de investigação). Trata-se de Action Grant Budget-Based, ou seja, custos reais reportados, nao lump sum. Esta caracteristica e importante porque exige um sistema de contabilidade analitica robusto e gera maior carga administrativa que os modelos lump sum simplificados de outros topicos.

70%
Cofinanciamento máximo (empresas)
100%
Cofinanciamento (RTOs e universidades)
5%
CO2 a reduzir ao nível da aeronave
Calendario

Datas-chave

  • Abertura da submissão: 27 de marco de 2026 (templates da Application Form publicados na mesma data)
  • Q&A primeira release: 17 de fevereiro de 2026
  • Q&A segunda release: 17 de abril de 2026
  • Deadline de submissão: 19 de maio de 2026
  • Avaliação e grant agreement: calendario indicativo no Annex F do Work Programme
Para Que Tipo de Empresa

Quando o SMR-03 faz sentido

Este topico nao e generico. Faz sentido para empresas com um destes perfis:

  • OEMs aeroespaciais e tier-1 de propulsao: entidades que ja desenvolvem motores ou aeronaves SMR e procuram financiamento para a transição hibrido-eletrica do seu roadmap de produto.
  • PMEs especializadas em eletronica de potencia, motores eletricos de alta densidade ou armazenamento de energia: tecnologias chave para a arquitetura hibrida que precisam de validacao em ambiente aeroespacial.
  • Centros de investigação em propulsao, gestão termica e simulacao de sistemas: responsaveis tipicos pelos modelos de digital twin, otimizacao de arquitetura e demonstracao em banco.
  • Empresas de software de simulacao multi-fisica: com competencias em modelacao integrada de propulsao, eletricos, termicos e estruturais.

Nao e um topico para entidades sem histórico aeroespacial. A Clean Aviation JU exige rastreio tecnologico claro e a competicao a este nível envolve grupos como Airbus, Safran, Rolls-Royce, MTU, Leonardo e os seus ecossistemas habituais. PMEs portuguesas com tecnologia diferenciadora podem entrar como parceiros técnicos de consorcio, raramente como coordenadoras.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O SMR-03 e dos topicos mais ambiciosos da chamada CAJU 2026, pela natureza sistemica do desafio. Demonstrar uma arquitetura hibrido-eletrica integrada num motor SMR a TRL5 nao e um exercicio de bancada e um projeto industrial de duas a tres dezenas de milhoes de euros, com consorcios de 15 a 25 parceiros e duracao tipica de 36 a 48 meses.

Para empresas portuguesas, a recomendacao realista e clara, identificar o nicho tecnologico onde tem vantagem comparativa (eletronica de potencia, materiais, gestão termica, software de simulacao, fabrico aditivo de componentes especificos) e procurar entrar como parceiro técnico de um consorcio ja em formacao. A janela ate 19 de maio e curta para iniciar agora a construcao de um consorcio raiz, mas suficiente para confirmar uma posicao de parceiro num consorcio existente.

A armadilha mais comum em propostas a este nível e subestimar a contribuicao em especie exigida aos Private Members e a complexidade contratual do CA JU Model Consortium Agreement. Antes de comprometer recursos e essencial perceber o seu papel especifico no consorcio, o budget de WP atribuido a sua entidade e as obrigacoes contratuais que decorrem da participacao num JU institucionalizado, distintas das de uma colaboracao Horizon classica.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]