Enquadramento

O que é o tópico PARTICIPATION-03

O tópico HORIZON-NEB-2027-01-PARTICIPATION-03 financia abordagens transdisciplinares que combinam o conhecimento das comunidades locais com conhecimento científico e métodos formais de investigação, aplicadas aos problemas sociais que condicionam a transição verde nos bairros. Integra o concurso do Novo Bauhaus Europeu de 2027, abre a 5 de maio de 2027 e encerra a 1 de dezembro do mesmo ano. A dotação de 14 milhões de euros reparte-se por quatro projetos de cerca de 3,5 milhões cada.

É o tópico com maior dotação e maior número de projetos financiados de toda a chamada, o que altera materialmente a relação entre esforço de candidatura e probabilidade de êxito.

O problema que enuncia é reconhecível em qualquer política de descarbonização à escala local. Questões como o acesso a habitação a custos comportáveis, a pobreza energética ou o acesso a espaços verdes de qualidade determinam a forma como os habitantes vivem e aderem à transição verde. O saber das comunidades sobre esses problemas existe. Permanece subaproveitado quando se trata de gerar ou validar soluções.

14M EUR
Dotação do tópico
4
Projetos financiados
3contextos
Urbano, periurbano, rural
3países
Validação mínima
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Este tópico está no cruzamento entre produção de conhecimento, ambiente e coesão social. Três necessidades sustentam o instrumento.

  • I&D e ciência: o objeto financiado é uma inovação metodológica, a combinação de conhecimento comunitário com métodos científicos que habitualmente não se cruzam, testada e validada em pelo menos três bairros de países diferentes.
  • Sustentabilidade, energia e clima: o campo de aplicação é a transição verde do bairro, incluindo a sua transformação favorável à natureza. Os problemas sociais visados incluem explicitamente a pobreza energética e o acesso a espaços verdes de qualidade.
  • Impacto social e inclusão: o resultado esperado é assegurar equidade e inclusão de todos na transição verde, partindo do reconhecimento de que as experiências dos habitantes são desiguais e determinam a adesão às medidas.
Requisitos de execução

O que a proposta tem obrigatoriamente de cobrir

O tópico é exigente na definição do objeto de estudo e relativamente aberto na escolha do problema social concreto. Todos os pontos abaixo são cumulativos.

  • Definir o problema social: identificar de forma precisa o problema ou problemas sociais a investigar e, quando relevante, estabelecer as ligações entre esses problemas, os fenómenos sociais associados e as especificidades locais.
  • Integrar conhecimentos que não se cruzam: combinar o conhecimento de comunidades locais e de atores não científicos com conhecimento científico ou métodos formais de investigação que habitualmente não são articulados entre si.
  • Testar em três contextos distintos: a abordagem tem de ser testada ou validada em pelo menos três bairros situados em Estados-Membros ou países associados diferentes, cobrindo contextos urbano, periurbano e rural.
  • Produzir orientações para adoção: propor linhas de orientação e recomendações que permitam incorporar os resultados na tomada de decisão, na definição de políticas, no desenho e planeamento e na conceção de serviços públicos para bairros.
Transferência de competências como resultado esperado
Entre os resultados esperados figura a transferência de competências entre a comunidade científica e os atores não científicos envolvidos no planeamento e execução da transição verde ao nível do bairro. É um resultado avaliável, o que significa que a proposta deve prever mecanismos concretos de capacitação em ambos os sentidos e não apenas a recolha de informação junto das comunidades.
Duas obrigações transversais
A abordagem tem de ser participativa e transdisciplinar, com contributo efetivo das ciências sociais e humanas e envolvimento de peritos e instituições dessas áreas. E pelo menos 0,8% do orçamento tem de ser alocado à colaboração com o New European Bauhaus hub for results and impact, para partilha de resultados e contributo na avaliação de impacto.
Condições financeiras

Quanto vale e em que termos

É uma Research and Innovation Action, com custos elegíveis sob a forma de montante fixo e taxa de financiamento de 100% dos custos elegíveis para todos os tipos de entidade.

ParâmetroCondição
Tipo de açãoHORIZON-RIA, Research and Innovation Action
Contribuição UE14.000.000 EUR no total
Por projeto3.500.000 EUR indicativos
Projetos esperados4
Taxa de financiamento100% dos custos elegíveis
Modelo de custosMontante fixo (lump sum)
Modelo de avaliaçãoFase única, prazo em 01/12/2027

Quatro projetos financiados fazem deste o tópico menos seletivo da chamada do Novo Bauhaus Europeu de 2027, em contraste com os dois projetos de vários tópicos vizinhos. Para uma equipa com boa base científica e acesso a bairros de validação, esta é a porta de entrada mais acessível do concurso.

As condições de elegibilidade de países seguem o Anexo Geral B, sem restrições adicionais neste tópico. Aplicam-se as regras gerais de consórcio do Horizonte Europa, ou seja, pelo menos três entidades independentes de três Estados-Membros ou países associados, com pelo menos uma estabelecida num Estado-Membro.

Perfil de candidato

Para que tipo de entidade faz sentido

O centro de gravidade é académico e associativo. A componente empresarial entra sobretudo pela via dos métodos, das ferramentas de recolha e da conceção de serviços.

  • Universidades e unidades de investigação em ciências sociais: lideram tipicamente o desenho metodológico, que aqui é o próprio objeto da inovação.
  • Organizações de base comunitária e associações locais: são a fonte do conhecimento não científico que o tópico quer integrar. A sua participação com tarefas próprias é condição de credibilidade da proposta.
  • Municípios e entidades gestoras de serviços públicos: destinatários das recomendações e fonte dos bairros de validação nos três contextos exigidos.
  • Consultoras de investigação social e empresas de desenho de serviços: operacionalizam a recolha, a análise e a tradução dos resultados em conceção de serviço público.

Portugal reúne, com facilidade invulgar, os três contextos territoriais exigidos. Um consórcio pode encontrar bairro urbano, periurbano e rural em raio geográfico curto, com boa disponibilidade de dados municipais e uma rede associativa local ativa. É um argumento concreto de proposta, porque reduz custo e risco logístico da validação.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A armadilha principal deste tópico é a diferença entre consultar comunidades e integrar o seu conhecimento. A maioria das propostas de investigação social descreve inquéritos, grupos focais e entrevistas, apresentando isso como integração de conhecimento local. Não é o que o tópico pede. O que está a ser financiado é uma combinação metodológica original entre saber comunitário e métodos formais que habitualmente não se articulam. A avaliação vai procurar essa originalidade de forma explícita.

A escolha do problema social a investigar é a decisão mais consequente da proposta. O tópico dá exemplos, entre eles a habitação a custos comportáveis, a pobreza energética e o acesso a espaços verdes, sem os impor. Recomendamos escolher um problema estreito e bem delimitado, onde a equipa tenha dados históricos e presença local, em vez de um enunciado amplo que obriga a dispersar recursos por três países sem profundidade em nenhum.

Para entidades portuguesas, este é o tópico da chamada com melhor relação entre exigência e retorno. Quatro projetos financiados, taxa de financiamento de 100%, ausência de componente de demonstração física com risco de obra e uma tradição sólida de investigação em ciências sociais e estudos urbanos no sistema científico nacional. Instituições portuguesas têm aqui condições para coordenar e não apenas para participar como parceiro secundário.

Fica um alerta sobre a gestão do montante fixo em projetos com forte componente participativa. O pagamento depende da conclusão de entregáveis definidos à partida. A adesão das comunidades não é controlável pelo consórcio. Os pacotes de trabalho devem ser desenhados de modo a que a sua conclusão dependa da atividade executada pelo consórcio e não do nível de participação obtido, mantendo a métrica de participação como indicador de resultado e não como condição de pagamento.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]