O que é o programa Spark
O EIT Culture & Creativity, a comunidade de conhecimento e inovação do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia dedicada aos setores culturais e criativos, abriu a 6 de outubro de 2026 a open call New Ventures in Creative Tech, conhecida como Spark. Destina-se a fundadores em fase inicial que estão a construir uma solução de base tecnológica e querem transformá-la numa empresa.
O envelope total é de 1.050.000 euros para até 35 conceitos de negócio, com um apoio máximo de 30.000 euros por projeto e reembolso de até 100% dos custos elegíveis. Esta edição concentra-se em Materials & Built Environment, ou seja, moda e arquitetura, incluindo inovação em materiais. O EIT indica que coortes futuras abrirão a outros setores.
A particularidade do Spark está no momento em que entra: o candidato não pode ainda ter empresa registada com o conceito que apresenta. Quem for selecionado tem de constituir uma nova entidade até ao terceiro mês, registá-la no portal Funding & Tenders, obter um PIC e concluir a validação no EIT Community Onboarding Service.
Necessidades que este instrumento resolve
O Spark financia a passagem de um conceito testado a uma empresa constituída, com acompanhamento intensivo. Cobre duas necessidades.
- Arranque e validação: exige que o conceito já esteja a ser testado, construído ou validado (a fase de ideia não chega) e acompanha os fundadores desde o problem-solution fit até à constituição da empresa e ao primeiro plano de execução.
- Digitalização e IA: a solução tem de ser centrada em tecnologia, seja inovação em materiais, hardware ou solução digital aplicada à moda ou à arquitetura.
Duas etapas de incubação
- CreaTech Startup Sprint: bootcamp presencial de dois a três dias numa cidade europeia, com especialistas, coaches e outros fundadores, focado no encaixe entre problema e solução.
- Spark Incubation Programme: nove meses online com coach dedicado, mentoria, workshops temáticos, parcerias tecnológicas e visibilidade em eventos europeus de referência.
| Marco | Data |
|---|---|
| Abertura | 6 de outubro de 2026 |
| Sessões de informação | 20 de outubro e 10 de novembro de 2026, 10:00 CET |
| Fecho | 16 de novembro de 2026, 17:00 CET |
| Avaliação | novembro de 2026 a janeiro de 2027 |
| Resultados | início de fevereiro de 2027 (publicação em março) |
| Execução | março a dezembro de 2027 (indicativo) |
A candidatura inclui o formulário online com a Parte B, o plano de orçamento com o pedido de financiamento, um Lean Startup Canvas e um Venture Execution Plan. Os critérios detalhados de admissibilidade, avaliação e seleção do portefólio constam das guidelines publicadas na página da call.
Quem pode candidatar-se
Podem candidatar-se fundadores individuais ou equipas multidisciplinares registados num Estado-Membro da UE ou num país associado ao Horizonte Europa, o que inclui Portugal. Têm de operar nas indústrias abrangidas, estar comprometidos com um negócio escalável e com fins lucrativos e apresentar uma solução tecnológica já em teste. O EIT avalia o contributo dos projetos para três indicadores: startups apoiadas, startups criadas e capital público e privado captado.
O que recomendamos
Para designers, arquitetos e engenheiros de materiais com um protótipo em mãos, o Spark oferece algo raro em Portugal: financiamento não reembolsável antes da constituição da empresa, com um calendário que obriga a dar o passo. Os 30.000 euros cobrem bem os primeiros meses de validação. O selo do EIT ajuda na ronda seguinte, seja com business angels ou com os programas Shape e Scale.
O cuidado principal está na data de constituição. Uma equipa que crie a empresa antes de ser selecionada perde a elegibilidade. Uma que seja selecionada tem apenas três meses para constituir, registar e validar a entidade. Convém também ler com atenção o anexo de elegibilidade de despesas, porque o reembolso é feito sobre custos e o duplo financiamento está excluído.
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