Instrumento

O que é a NOSTRADAMUS Open Call #1

O NOSTRADAMUS (Data Cube and Copernicus data for Food Security and European Independence) é um projeto do Horizonte Europa, financiado pelo tópico HORIZON-CL6-2023-GOVERNANCE-01-13 e coordenado pelo ERATOSTHENES Centre of Excellence, em Chipre. Reúne 16 parceiros de 10 países para construir uma plataforma que integra dados de satélite, sensores IoT e dados socioeconómicos ao serviço da agricultura, com foco nos sistemas cerealíferos e na segurança alimentar.

Parte do orçamento do projeto é redistribuída a terceiros. Esta primeira open call disponibiliza 250.000 euros para financiar cinco aplicações digitais de apoio à decisão na exploração agrícola e no agronegócio, até 50.000 euros cada. As candidaturas são submetidas na plataforma F6S entre 29 de setembro e 2 de dezembro de 2026, às 17:00 de Bruxelas. Uma segunda open call, prevista para mais tarde, será dedicada a aplicações para conceção e avaliação de políticas públicas.

As aplicações financiadas têm de ser construídas sobre a infraestrutura do projeto: cubos de dados multidimensionais, cadeias de processamento de observação da Terra prontas para análise, fluxos em tempo real do observatório IoT e conjuntos de dados socioeconómicos. O objetivo é otimizar o uso de água, fertilizantes e pesticidas, melhorar o balanço energético e reforçar a resiliência da produção.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O financiamento é pequeno, mas vem acompanhado de acesso a dados, mentoria e locais de demonstração reais. Serve três necessidades de uma empresa de agritech em fase de validação.

  • Digitalização e IA: paga o desenvolvimento de uma aplicação de apoio à decisão em arquitetura edge, cloud ou mista, alimentada por dados Copernicus e sensores no terreno, com o objetivo de levar a solução de TRL 4 a TRL 7 em doze meses.
  • Arranque e validação: a aplicação tem de ser testada e demonstrada fisicamente num dos locais-piloto do projeto, com sessões de formação a utilizadores. É uma prova de conceito em condições reais com custos cobertos.
  • Sustentabilidade, energia e clima: todos os temas visam reduzir insumos e aumentar a resiliência climática, desde a gestão de secas com alertas precoces até à redução da dependência de pesticidas.
Temas

Cinco temas, pelo menos um projeto em cada

Cada candidatura escolhe um único tema. O consórcio do projeto compromete-se a selecionar no mínimo uma aplicação por tema, o que significa que a concorrência efetiva se faz dentro de cada tema.

TemaDomínio
T1Produção sustentável e otimização de sistemas cerealíferos face a mudanças de clima e solo
T2Gestão de nutrientes e saúde do solo: indicadores de fertilidade, matéria orgânica, fertilização de precisão
T3Eficiência hídrica e resiliência à seca, com o sistema de alerta precoce e sensores de humidade do solo
T4Gestão preditiva de pragas e doenças para reduzir a dependência de pesticidas
T5Tema aberto: aplicações integradas que combinem pelo menos dois dos temas anteriores
Elegibilidade

Quem pode candidatar-se

A candidatura pode ser individual ou feita por um consórcio de duas entidades. Quem se candidata sozinho tem de ser uma empresa: PME ou startup (menos de 250 trabalhadores e volume de negócios até 50 milhões de euros ou balanço até 43 milhões) ou small mid-cap (menos de 499 trabalhadores e volume de negócios até 100 milhões ou balanço até 86 milhões). Startups ainda não constituídas, pessoas singulares, mid-caps de maior dimensão e grandes empresas estão excluídas.

Em consórcio, o líder tem de ser a empresa que desenvolve a solução e o segundo parceiro tem de ser uma organização de investigação ou uma entidade representativa de utilizadores finais, como uma associação de agricultores ou uma cooperativa agrícola. Cabe-lhe testar e validar o que a empresa desenvolve. As entidades têm de estar estabelecidas num Estado-Membro da UE ou num país associado ao Horizonte Europa, o que inclui Portugal. Cada entidade só pode participar numa proposta.

Obrigações que pesam no orçamento
O código-fonte da aplicação tem de ser publicado como open source. A demonstração é presencial num dos locais-piloto (Alemanha, Sérvia, Suíça, Eslovénia ou Chipre) e o orçamento tem de prever as deslocações aos eventos obrigatórios. É ainda exigido um EIP-AGRI Practice Abstract e pelo menos uma sessão de formação a utilizadores. A subcontratação não é elegível.
10%
Sprint 1: formação (M1 a M2)
25%
Sprint 2: desenho (M3 a M4)
40%
Sprint 3: desenvolvimento (M5 a M10)
25%
Sprint 4: demonstração (M11 a M12)
Financiamento e seleção

Montante fixo pago por sprint

O apoio cobre até 100% dos custos do projeto e é pago em montantes fixos no fim de cada um dos quatro sprints, depois de revistos os marcos e entregáveis acordados. São elegíveis custos de pessoal, outros bens e serviços, deslocações justificadas, depreciação de equipamento, software, dados e acesso a infraestruturas, mais custos indiretos a uma taxa fixa de 25%. Quem já recebeu apoio em projetos irmãos (como OpenAgri ou AGRARIAN) pode concorrer, desde que demonstre que as atividades não se sobrepõem.

Cada proposta elegível é avaliada por dois peritos externos em quatro critérios (alinhamento, excelência, impacto e implementação), pontuados de 0 a 5. Há mínimos de 3 por critério e 12 em 20 no total. As três melhores propostas de cada tema passam a uma entrevista de 30 minutos, com pitch e perguntas, que fecha a classificação. Segue-se a verificação KYC e a assinatura do contrato de subvenção.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Para uma startup portuguesa de agritech com uma solução já validada em laboratório, esta call é uma forma barata de obter uma demonstração em ambiente real, acesso a dados de observação da Terra já processados e uma referência europeia no currículo. Os 50.000 euros não pagam um produto, mas pagam bem um piloto de doze meses, sobretudo se o parceiro de validação for uma cooperativa ou associação de agricultores que já conheça os sistemas cerealíferos.

Dois pontos a ponderar antes de avançar. O primeiro é a obrigação de open source: se a vantagem competitiva da empresa está no código da aplicação, convém isolar o que se publica do que fica proprietário. O segundo é a demonstração presencial fora de Portugal, que consome orçamento e tempo de equipa. A escolha do tema também conta, porque cada um tem pelo menos um lugar garantido e a disputa mede-se dentro dele.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]