O que é

Reconstruir o que o temporal levou

Este aviso do Programa Temático para a Ação Climática e Sustentabilidade (Sustentável 2030) financia uma operação concreta de adaptação às alterações climáticas na Região Autónoma da Madeira: a reconstrução das infraestruturas hidráulicas do Ribeiro de Ponta Delgada, na zona dos Enxurros, severamente afetadas no temporal de 25 de dezembro de 2020. A dotação é de 2 milhões de euros, cofinanciados pelo Fundo de Coesão a 85%.

A intervenção prevista consiste na construção de muros de canalização e de suporte, travessões de regularização e passagens hidráulicas em cursos de água. O objetivo é estabilizar as margens fluviais, reduzir a produção de material sólido e diminuir o risco de assoreamento. Em termos práticos, trata-se de devolver a um leito de água a capacidade de conter as cheias súbitas que, na orografia acidentada da Madeira, se transformam em aluviões.

O aviso enquadra-se na prioridade de Sustentabilidade e transição climática do programa, no objetivo específico de promover a adaptação às alterações climáticas, a prevenção dos riscos de catástrofe e a resiliência, com base em ações materiais de proteção das ribeiras e linhas de água.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

É um instrumento de obra pública de adaptação climática, não um apoio a projetos de empresas. Responde a uma necessidade de território: proteger pessoas e bens de um risco recorrente nas regiões insulares de relevo acentuado, onde uma linha de água mal contida pode pôr em causa habitações, vias e vidas.

  • Sustentabilidade, energia e clima: o aviso financia infraestrutura física de adaptação às alterações climáticas, reforçando a resiliência das margens fluviais a eventos extremos e exigindo que os investimentos garantam resistência climática por um período de vida útil de, pelo menos, cinco anos, em linha com o princípio de não prejudicar significativamente os objetivos ambientais.
Quem se pode candidatar

Um único beneficiário, em modalidade de convite

A entidade beneficiária é a Secretaria Regional de Equipamentos e Infraestruturas (SREI) da Região Autónoma da Madeira. O aviso foi lançado na modalidade de convite precisamente por envolver, em exclusivo, uma entidade pública que é a única com competência para executar a operação em causa.

Esta estrutura é típica das operações territoriais de proteção civil e gestão de risco: o instrumento não está aberto a concorrência entre candidaturas porque o objeto e o promotor estão definidos à partida. A obra é específica, localizada e atribuída a quem tem a responsabilidade pública sobre as infraestruturas hidráulicas da região.

Condições

Dotação, fundo e calendário

ParâmetroCondição
FundoFundo de Coesão, até 85% de cofinanciamento
Dotação2.000.000 €
BeneficiárioSecretaria Regional de Equipamentos e Infraestruturas (SREI)
LocalizaçãoRegião Autónoma da Madeira (Ribeiro de Ponta Delgada, Enxurros)
Candidaturas23 de abril a 30 de setembro de 2024
ModalidadeConvite, candidatura individual

O apoio é concedido sob a forma de subvenção, com base em custos reais. Os pagamentos processam-se a título de adiantamento contra fatura e reembolso, respeitantes a custos efetivamente incorridos e pagos pelo beneficiário, com o saldo final limitado a 95% do montante total aprovado até à confirmação da execução da operação.

Despesas elegíveis

O que o aviso cobre

As despesas elegíveis cobrem o ciclo completo de uma obra de engenharia hidráulica, desde a fase de estudos até à comunicação pública da intervenção:

  • Estudos e atividades preparatórias: planos, projetos e assessorias diretamente ligados à operação, incluindo a elaboração da Análise Custo-Benefício quando aplicável.
  • Aquisição de terrenos e servidões: indispensáveis à realização da operação, por expropriação ou negociação direta, limitadas a 10% da despesa total elegível e sujeitas a avaliação independente.
  • Trabalhos de construção civil e engenharia: o núcleo da intervenção, incluindo muros, travessões e passagens hidráulicas.
  • Fiscalização e assistência técnica: coordenação de segurança e acompanhamento técnico da obra.
  • Revisões de preços e comunicação: revisões decorrentes da legislação e do contrato, mais ações de informação, divulgação e publicidade necessárias aos objetivos da operação.
Condição crítica: maturidade e articulação ambiental
A candidatura tinha de demonstrar um grau de maturidade mínimo, traduzido na abertura do procedimento de contratação pública da ação de maior valor, ou na evidência de aprovação das respetivas peças. Exigia ainda parecer favorável da Secretaria Regional da Agricultura e Ambiente, comprovando que a intervenção integra as medidas do Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Arquipélago da Madeira, na área temática de gestão de riscos.
Como se avalia

Mérito absoluto, com critérios de seleção definidos

Por se tratar de um aviso-convite, não há comparação nem hierarquização entre candidaturas. A avaliação é de mérito absoluto, com a operação a ter de obter uma classificação final igual ou superior a 3,00 pontos, numa escala de 0 a 5, mais uma pontuação mínima de 2,00 nos critérios de seleção de nível I.

25%
Adequação à estratégia
20%
Capacidade de execução
30%
Impacto
25%
Qualidade

A classificação final podia ainda ser majorada em 5% caso a candidatura demonstrasse integrar os princípios da iniciativa Nova Bauhaus Europeia, com soluções acessíveis, inclusivas e sustentáveis, ou refletisse o envolvimento das comunidades locais. O sucesso da operação mede-se por dois indicadores de referência: os quilómetros de proteções construídas ou consolidadas contra inundações e a população que passa a beneficiar dessas medidas de proteção.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este aviso é fechado e dirigia-se a uma única entidade pública, pelo que não constitui uma oportunidade de candidatura para empresas. A sua leitura útil é de contexto. Para quem opera, investe ou constrói na Região Autónoma da Madeira, ele sinaliza onde estão as prioridades de investimento público em adaptação climática e que tipo de obra o Sustentável 2030 financia através do Fundo de Coesão.

O sinal mais relevante é a exigência de maturidade. O programa só financia operações com procedimento de contratação aberto e licenciamentos tratados, impondo o cumprimento do princípio de não prejudicar significativamente os objetivos ambientais. Para empresas de engenharia, construção e ambiente, isto define o calendário real: as oportunidades de mercado surgem a montante, na preparação técnica e nos procedimentos públicos que a entidade beneficiária tem de lançar antes de aceder ao fundo.

A nossa recomendação a promotores e empresas com atividade nas regiões insulares é acompanhar de perto os planos de gestão de risco e os instrumentos territoriais que sustentam estes avisos. É aí que se antecipa onde o investimento público vai incidir. A Open Capital apoia esse trabalho de antecipação, ajudando a ler o enquadramento regional e a posicionar projetos e candidaturas em linha com as prioridades de adaptação climática da Madeira e dos Açores.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]